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Richarlison volta a cobrar Flávio Bolsonaro para “devolver” mansão em ilha de Angra

Em uma semana, Richarlison Andrade, ex-atacante da Seleção Brasileira, se pronunciou três vezes sobre disputa com advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro, em torno de uma mansão em ilha paradisíaca em Angra dos Reis.

Por Plínio Teodoro | Fórum

06/07/2026

Richarlison volta a cobrar Flávio Bolsonaro para “devolver” mansão em ilha de Angra
Richarlison, a publicação sobre a mansão em ilha de Angra, e Flávio Bolsonaro (AFP / Reprodução Instagram)

O jogador Richarlison Andrade, ex-atacante da Seleção Brasileira, parece disposto a expor o caso da disputa em torno de uma mansão em ilha paradisíaca de Angra dos Reis, estimada em R$ 10 milhões, com o advogado Willer Tomaz, amigo de longa data que listou Flávio Bolsonaro (PL) entre as testemunhas no processo contra o atleta.

Tomaz alega que o processo já tramitou em julgado emm 2025, com a Justiça dando ganho de causa a ele. Mas, Richarlison tem feito reiteradas cobranças em publicações nas redes em que envolve diretamente Flávio Bolsonaro.

Após comentário na terça-feira (3) em vídeo divulgado pela advogada imobiliária Ana Paula Zantut, que apagou a publicação e divulgou carta de retratação por meio do escritório de Tomaz, Richarlison fez nova publicação no fim de semana.

No sábado (4), o jogador compartilhou nos stories de seu Instagram um vídeo divulgado por Flávio Bolsonaro em 1º de janeiro de 2021 com imagens aéreas da mansão na ilha, com direito a cachoeira desaguando no mar.

“Quantos lugares você conhece em que a cachoeira deságua no mar? Em Angra dos Reis tem! Tomada da Ilha Comprida, localizada há poucos minutos do aeroporto de Angra”, escreveu Flávio à época na publicação.

“Lugar bonito, né? Pois é. Me tomaram”, escreveu o atacante ao compartilhar a publicação em seus stories.

Na noite deste domingo (5), Richarlison voltou a comentar sobre o caso em uma publicação do partido Missão, ligado ao MBL, em que o pré-candidato Renan Santos provoca Flávio.

“Devolve a casa do Richarlison”, escreve Santos em uma publicação de Flávio na rede X, que teve print replicado no Instagram. “Vdd”, comentou o jogador, concordando com a cobrança a Flávio.

“Sem receber a minha grana”

Em meio à crise que teve início com a revelação do elo com Daniel Vorcaro e se aprofundou com o vídeo-bomba da madrasta Michelle Bolsonaro, Flávio Bolsonaro terá que conviver com um antigo fantasma em sua biografia, que remete à longa relação de amizade com o advogado Willer Tomaz e a cobição por uma mansão em ilha em Angra dos Reis, que entrou na disputa com o jogador Richarlison de Andrade.

Em live da advogada imobiliária Ana Paula Zantut nesta terça-feira (30), que usou o caso da mansão de Angra como exemplo, Richarlison fez um comentário sobre a disputa com Tomaz, que tem como testemunha no processo o amigo Flávio Bolsonaro.

“Realmente gastei em torno de 10 milhões lá. E simplesmente me tomaram. E estou até hoje sem receber a minha grana”, exclamou Richarlison na publicação, que viralizou.

Após a viralização da publicação com o comentário de Richarlison, Ana Paula Zantut apagou o vídeo (aqui o link original, sem a publicação: https://www.instagram.com/reels/DaNvd78ReWd).

“Eu apaguei os vídeos e tem muita gente vindo aqui no perfil e perguntando porque que eu apaguei ou se eles foram derrubados ou se alguém mandou, enfim, etc. Não é isso, eu apaguei por conta própria, pelas seguintes razões. Isso virou um caos que não estava, não era a intenção e nunca foi. E aí eu me tornei massa de manobra política, uma coisa que eu não vou tolerar e não vou aceitar, é, seja para qual lado for, tá? É, não tenho questões políticas com Bolsonaro, com o outro ladinho, então, me utilizar com esse intuito não é a intenção e eu não quero ser viralizada a qualquer custo e com esse intuito, sabe? E aí eu fiz um, um segundo vídeo esclarecendo até mais, mais pontos, é, do primeiro vídeo, pontos, questão do Flávio, questão de, de como que encerrou esse litígio”, afirmou a advogada em vídeo nos Stories.

No entanto, o segundo vídeo também foi apagado e, no lugar, Ana Paula divulgou uma nota dizendo ter tido acesso aos autos.

Por e-mail, o advogado de Willer Tomaz enviou uma “retratação assinada pela advogada Ana Paula Zantut, que motivou a publicação”, afirmando que “, o processo já transitou em julgado com decisão favorável ao doutor Willer” e pediu a publicação como outro lado na reportagem – leia ao final da reportagem.

O desejo por uma mansão de luxo que acabou na Justiça

O caso que aproxima o senador Flávio Bolsonaro do advogado Willer Tomaz tem como pano de fundo uma das propriedades mais cobiçadas de Angra dos Reis: uma mansão avaliada em cerca de R$ 10 milhões, localizada na Ilha Comprida, com 11 suítes, praia privativa, cachoeira, heliponto, piscina e quadra de tênis.

Segundo documentos judiciais e relatos reunidos pela reportagem, Flávio conheceu o imóvel em 2020 e demonstrou interesse imediato pela propriedade. Na ocasião, porém, o então proprietário informou que a venda já havia sido fechada com a empresa Sport 70, pertencente ao atacante Richarlison e ao empresário Renato Velasco. Mesmo assim, o senador e Willer Tomaz voltaram posteriormente ao local em uma lancha para visitar a mansão, e Flávio chegou a registrar imagens aéreas do imóvel.

Pouco depois, Willer Tomaz iniciou uma ofensiva judicial para obter a posse da propriedade. A disputa ganhou contornos dramáticos: uma idosa afirmou ter sido induzida a assinar documentos relacionados ao imóvel, enquanto uma mulher grávida — esposa do empresário de Richarlison — acabou retirada da residência durante o cumprimento de uma ordem de reintegração de posse, episódio que, segundo relatos, levou à antecipação de seu parto.

Embora Flávio Bolsonaro negue participação na disputa e sustente que apenas mantém amizade com Willer Tomaz, seu nome foi arrolado como testemunha na ação judicial movida pelo advogado. O caso reforçou os questionamentos sobre a proximidade entre ambos e sobre o interesse do senador pelo imóvel desde antes do litígio.

A disputa também chamou atenção porque ocorreu paralelamente à defesa, por Flávio Bolsonaro, de projetos voltados à transformação da Costa Verde em um grande polo turístico privado. Antes mesmo do atual debate nacional sobre a privatização das praias, o senador já patrocinava propostas para criar uma região administrativa especial destinada a impulsionar empreendimentos turísticos de alto padrão em Angra dos Reis e municípios vizinhos — área onde está localizada justamente a mansão objeto da disputa judicial.

Quem é Willer Tomaz

Muito antes da disputa pela mansão de Angra dos Reis, Willer Tomaz já havia se tornado personagem de um dos episódios mais rumorosos envolvendo pessoas próximas ao clã Bolsonaro.

Em 2019, o advogado e Flávio Bolsonaro sacaram cerca de R$ 1,5 milhão em espécie nos caixas de um cassino em Las Vegas, nos Estados Unidos. A operação chamou atenção porque os recursos foram retirados em dinheiro vivo, procedimento incomum para valores dessa magnitude. À época, ambos afirmaram que o saque tinha como objetivo permitir apostas no estabelecimento, prática comum em cassinos americanos. O episódio ganhou repercussão em meio às investigações sobre movimentações financeiras envolvendo o gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Criminalista conhecido em Brasília, Willer Tomaz construiu influência nos bastidores do Judiciário ao atuar em processos de grande repercussão e representar empresários, políticos e investigados em operações de corrupção. Sua trajetória, contudo, também é marcada por controvérsias.

Em 2017, foi preso preventivamente na Operação Patmos, acusado de atuar para comprar decisões judiciais em favor do empresário Joesley Batista. O advogado sempre negou as acusações e foi posteriormente colocado em liberdade, continuando a exercer a advocacia.

A amizade com Flávio Bolsonaro atravessou os anos. Além de aparecer ao lado do senador em viagens internacionais e no episódio do cassino em Las Vegas, Tomaz tornou-se uma figura recorrente em episódios que envolvem interesses patrimoniais ligados ao entorno do parlamentar. A disputa pela mansão de Richarlison, na qual Flávio figura como testemunha e cuja origem remonta ao interesse manifestado pelo senador pelo imóvel, tornou-se um dos exemplos mais emblemáticos dessa relação.

Retratação:

Em contato por e-mail com a Fórum, o escritório de Willer Tomaz enviou a nota abaixo com a “retratação” da advogada Ana Paula Zantut sobre “o caso da ‘mansão de Richarlison’”.

Leia a íntegra

NOTA PÚBLICA DE RETRATAÇÃO E ESCLARECIMENTO: VEICULAÇÃO DE INFORMAÇÕES IMPRECISAS EM 01/07/2026 SOBRE O CASO DA “MANSÃO DE RICHARLISON”

Em atenção às relevantes repercussões decorrentes de vídeo recentemente publicado em minhas redes sociais contendo comentários acerca de suposta disputa judicial envolvendo imóvel localizado na Ilha Comprida/RJ, identificado como “mansão de Richarlison”, entendo ser meu dever, como Advogada, prestar os seguintes esclarecimentos sobre a questão.

Inicialmente, destaco que os comentários foram realizados a partir de notícia antigas e desatualizadas sobre o caso. Após exame mais aprofundado e ciente de que existe documentação processual muito além do quanto antes veiculado pela mídia, verifiquei que a comunicação inicialmente realizada continha imprecisões relevantes sobre aspectos fáticos e jurídicos essenciais do caso, inclusive em relação a partes envolvidas, desenvolvimento de acontecimentos, direitos envolvidos e natureza jurídica das controvérsias, todas essas circunstâncias que recomendam imediata correção e retificação.

Por essa razão, esclareço desde logo que os vídeos foram apagados e ficam integralmente sem efeito e devem ser desconsideradas todas as afirmações, interpretações, conclusões ou explicações constantes da publicação anteriormente divulgada, as quais não mais refletem minha compreensão atual dos fatos, que será melhor aprofundada e apresentada em novos conteúdos detalhados e fundamentos, que já estou preparando.

Reconheço que a forma sintética empregada na comunicação originária, aliada à complexidade da controvérsia e à existência de elementos processuais não então considerados, acabou por transmitir ao público informações insuficientemente contextualizadas e, em pontos relevantes, incompatíveis com o efetivo estado jurídico da questão.

Em respeito ao compromisso ético que orienta o exercício da advocacia e à responsabilidade inerente à divulgação de conteúdo jurídico em redes sociais, entendo ser imprescindível promover esta retratação pública imediata, a fim de evitar a continuidade da circulação de informações potencialmente equivocadas.

Estou preparando manifestação mais completa, em formato de vídeo, na qual apresentarei esclarecimentos técnicos detalhados acerca dos fatos, do histórico processual e dos equívocos verificados na comunicação anteriormente divulgada, permitindo ao público compreender o caso de forma mais precisa e contextualizada.

Até a divulgação desse novo conteúdo, reitero que não devem ser consideradas válidas ou atuais as informações constantes da publicação original, a qual resta expressamente retratada por esta nota.

Renovo meu compromisso com a informação jurídica responsável, com a boa-fé, com a correção de eventuais equívocos e com o permanente respeito aos fatos efetivamente comprovados e às decisões proferidas pelo Poder Judiciário.

Ana Paula Zantut
Advogada

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