Maior acesso a armas aumentou violência política no Brasil, aponta socióloga

Maior acesso a armas aumentou violência política no Brasil, aponta socióloga Embora não registre taxas tão altas como a Colômbia, por exemplo, onde os números apontam mais de 160 mortes por conflitos políticos só em 2025, o Brasil tem se tornado um país essencialmente mais perigoso para ocupar algum cargo público — especialmente em cidades menores. Por Vinicius Mendes | BBC News Brasil 19/08/2026 Getty Images São Paulo – Em duas décadas, de 2003 a 2023, 760 pessoas — entre políticos e ativistas — foram assassinadas por conflitos políticos no país, que vão desde disputas por propriedade de terra até questões propriamente institucionais, como gestão de recursos locais ou concorrências por contratos públicos. E são nos períodos eleitorais, como o que estamos vivendo, que os casos crescem. “A priori, não vimos isso acontecer neste ano ainda, mas o histórico indica que esse tipo de crime fica mais comum durante o segundo semestre do ano da eleição”, observa a socióloga Angela Alonso, do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP) e ex-presidente do CEBRAP. Ela liderou o estudo que foi publicado há alguns meses pela Global Initiative Against Transnational Organized Crime, sediada na Suíça. Agora, está terminando de organizar um observatório sobre violência política no Brasil, que será lançado em uma plataforma online no segundo semestre. O projeto será administrado pela USP e pelo CEBRAP junto ao Afro-Latin American Research Institute (ALARI), da Universidade de Harvard, nos EUA. Alguns números do relatório chamam a atenção, como o fato de 60% das vítimas não ocuparem cargos políticos nem serem candidatas na época em que foram executadas. O estudo também mostra que 46% das mortes de políticos tinham ligação com temas institucionais locais, com crises políticas entre adversários ou questões ligadas a contratos públicos. É assim que, para Alonso, para além da polarização — ou divisão — social do país entre lulistas e bolsonaristas, que deu a tônica das últimas duas eleições gerais, a violência política no Brasil se liga mais a disputas locais. Elas se tornaram fatais porque, nos últimos anos, mais gente teve acesso a armas de fogo. “Existe uma disputa constante pelo orçamento estatal, e não só pelos recursos em si, mas também pelas relações que o Estado permite estabelecer”, afirma à BBC News Brasil. “Contratos estatais, por exemplo. Nas cidades pequenas, quando o prefeito quer contratar uma empresa de prestação de serviço, ele põe três ou quatro atores diferentes, no máximo, em concorrência. Em municípios muito pequenos, não mais do que dois. Aí, essa disputa pelo contrato é intensa”, completa. Na entrevista, a socióloga também coloca em debate as ideias de “divisão” ou de “polarização”, que tomaram conta das análises sobre as diferenças políticas do país. Na interpretação dela, existem, na verdade, três “campos de conflito” na conjuntura brasileira: um de temas morais, outro de redistribuição de recursos e outro sobre violência. Os grupos à esquerda e à direita se alinham de maneiras dinâmicas em cada um deles. Confira os principais trechos da entrevista. BBC News Brasil – Um dos achados do estudo indica que, em períodos eleitorais, crescem os casos de assassinatos políticos no Brasil. Por quê? Ângela Alonso- Estamos estudando, agora, alguns desses casos em busca das dimensões. Uma de nossas hipóteses é que isso tem a ver com a competição eleitoral. A Ciência Política costuma dizer que os conflitos políticos se resolvem ou com convenções partidárias — entre concorrentes de um mesmo partido ou grupo político — ou em eleições, para candidatos opostos. Porém, o que descobrimos é que, sobretudo em cidades pequenas do Brasil, esses conflitos também se resolvem de maneira violenta. Inclusive, muitos desses crimes visam certas autoridades locais, como prefeitos, ex-prefeitos ou candidatos, que acumulam adversários políticos. É intrigante como a gente tende a pensar a política a nível nacional quando se fala da “polarização”, por exemplo, e deixa de lado as dinâmicas políticas locais. BBC News Brasil – Também é intrigante o fato da maioria das vítimas não ocupar cargo algum e tampouco ser candidata na época da morte. Como explicar isso? Alonso- Ainda não temos todos os detalhes porque não estudamos os casos tão de perto, mas uma hipótese é que, embora um cargo não proteja totalmente essa pessoa, é quando ela deixa de ocupá-lo que fica completamente desprotegida. É grave. O Estado não está protegendo seus representantes. Essas vítimas ou carregam algo da gestão que fizeram quando ocuparam esses cargos ou são assassinadas por algo relacionado ao futuro da política local. BBC News Brasil – A polarização, ou divisão, entre lulistas e bolsonaristas aumentou esses casos de violência política? Alonson- É que essas duas correntes, para chamá-las assim, dizem respeito à conjuntura recente do país. Nosso estudo analisou 20 anos de processo político. O que dá para dizer com clareza é que, a partir da chegada da Dilma [Rousseff, do PT] ao poder [em 2011], a violência política se acirrou muito. A intensificação do uso dos protestos de rua pela direita, após a eleição da Dilma, também se deu para um uso da violência política como um mecanismo de resolução de conflitos políticos. BBC News Brasil- Por quê? Alonson- Por causa da crise política daquele contexto. A Dilma sofria com duas oposições muito fortes: uma à direita, da oposição, e outra à esquerda, interna. Quando houve o impeachment, os casos [de violência política] aumentaram ainda mais, e eles continuaram subindo quando o [Michel] Temer assumiu. Dali em diante se nota, com clareza, como não pararam de aumentar durante o governo Bolsonaro. É intrigante, porque o Bolsonaro governou em meio à pandemia. O ritmo da vida do país diminuiu, por causa do lockdown, mas o nível de violência política seguiu muito alto, mesmo naquelas circunstâncias. Isso se ligou, sobretudo, à retórica armamentista que o presidente adotava. BBC News Brasil -Mas isso não reforça, por outro lado, o peso maio da política nacional sobre as dinâmicas locais? Alonson- É que são duas dinâmicas diferentes que, de um lado se sobrepõem e, de outro, se diferenciam. Entre os casos que envolvem políticos, as dinâmicas locais são impactadas pelas
Canabidiol, lobby e minuta de contrato: o que revelam as mensagens de Marcola e amiga de Lulinha

Canabidiol, lobby e minuta de contrato: o que revelam as mensagens de Marcola e amiga de Lulinha Conversas mostram articulação de empresária e lobista Roberta Luchsinger para liberar venda de medicamentos na rede pública Por Patrik Camporez e Sarah Teófilo | O Globo 19/08/2026 Marcola e Roberta Luchsinger — Foto: Patrick Grosner/Divulgação e Reprodução/Instagram A interceptação de conversas de WhatsApp pela Polícia Federal revelou a proximidade entre Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a empresária e lobista Roberta Luchsinger, amiga do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do mandatário. Nos diálogos, os dois tratam a respeito da tentativa de Roberta usar o trânsito livre na alta cúpula do Planalto para intermediar a venda de produtos à base de cannabis ao SUS. Entre as provas obtidas pelos investigadores está uma minuta de contrato com dispensa de licitação entregue diretamente a Marcola. À época das conversas, Roberta tentava viabilizar um contrato em favor da World Cannabis, empresa pertencente a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” e apontado pela PF como operador de desvios em aposentadorias. A empresária recebeu R$ 1,5 milhão para atuar no lobby do medicamento junto à pasta da Saúde. Interlocutores de Marcola afirmam que ele admitiu ter sido “inadequado” receber a minuta, mas sustentam que o documento não teve prosseguimento. O Ministério da Saúde também confirmou em nota que a compra jamais ocorreu e que a substância nem sequer faz parte da relação de itens fornecidos pelo sistema público. A mensagem enviada por Luchsinger a Marcola consta em uma das investigações envolvendo a empresária e o filho do presidente que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). Lulinha é alvo de três inquéritos por suspeita de tráfico de influência no governo. Uma das linhas seguidas pelos investigadores é a relação dele com a lobista. Mensagens também em poder da PF mostram que os dois tratavam de negócios: em um dos diálogos, Luchsinger diz a Lulinha que os dois trabalham em “outro nível” e que o futuro deles é a Suíça. Os dois negam ter praticado irregularidade. Pagamentos de boletos A Polícia Federal identificou que Roberta custeou boletos e presentes a pedido do ex-chefe de gabinete, incluindo a compra de joias no valor de R$ 9,2 mil para o Dia das Mães de 2024. Segundo a defesa de Marcola, os valores repassados por ela somaram R$ 217 mil e foram integralmente quitados por ele com correção monetária, totalizando R$ 249 mil. Nos diálogos mantidos com Lulinha, que constam em inquéritos no Supremo Tribunal Federal sobre tráfico de influência, a empresária celebrava o andamento das tratativas e projetava ganhos futuros fora do país, afirmando que que os dois trabalham em “outro nível” e que o destino da dupla seria a Suíça. O filho do presidente respondeu concordando e acrescentou que já havia estado em reuniões com Marcola e secretários da Saúde. Registros oficiais indicam que Roberta esteve dezenas de vezes em ministérios e no Palácio do Planalto entre 2023 e 2025. Procurada, a defesa do filho do presidente disse que “reafirma sua confiança nas instâncias formais e adequadas de apuração dos fatos e se manifestará nos autos em momento adequado, somente após o acesso integral aos dados obtidos pelas quebras de sigilo”. Os advogados pontuaram ainda que solicitarão, “uma vez mais, rígidas apurações da nefasta instrumentalização de parte das nossas instituições por interesses políticos e eleitorais”. A defesa de Luchsinger não se manifestou sobre essas mensagens reveladas pelo site Metrópoles e confirmadas pelo GLOBO. O Ministério da Saúde, por sua vez, informou que “nunca houve possibilidade de compra de canabidiol”, uma vez que o produto sequer está incorporado ao SUS. “Dessa forma, a pasta não compra nem fornece o produto e não tem qualquer contrato. Nunca existiu, por parte desta gestão, nenhuma discussão para a sua oferta na rede pública de saúde”, diz, em nota. Notícia anterior Fraudes no INSSPolícia Federal PFPresidente da RepúblicaPT Partido dos TrabalhadoresSTF Supremo Tribunal FederalSUS Sistema Único de Saúde Facebook Twitter WhatsApp Linkedin Pinterest Blogger Telegram Canabidiol, lobby e minuta de contrato: o que revelam as mensagens de Marcola e amiga de Lulinha 19/08/2026 PF diz que lobista ‘aparentemente tinha autorização’ para agir em nome de Lulinha: ‘Eu sou o Fábio’ 18/08/2026 Primeira Turma do STF torna réu o deputado Gilvan da Federal por fala em que deseja morte de Lula 18/08/2026 Deixe seu comentário Whatsapp X-twitter Facebook More than 2 results are available in the PRO version (This notice is only visible to admin users) Mais lidas na semana Mendonça autoriza inquérito no STF para investigar financiamento de Vorcaro a Dark Horse, filme sobre Bolsonaro 23/07/2026 Potinho de ouro: ACM Neto dobra patrimônio em 4 anos e declara R$ 85 milhões ao TSE 09/08/2026 Consulado dos EUA convoca influenciadores anti-Lula em nova interferência de Trump pró Flávio Bolsonaro nas eleições (VIDEO) 29/07/2026 PF investiga ex-governador do MT e empresas do deputado Fábio Garcia, do União Brasil, por suspeita de desvio de R$ 308 mi em dinheiro público 06/08/2026 Os EUA já estão interferindo nas eleições brasileiras 10/08/2026
De minuta de contrato a almoço reservado: entenda as suspeitas da PF envolvendo a relação entre Lulinha, Roberta e Marcola

De minuta de contrato a almoço reservado: entenda as suspeitas da PF envolvendo a relação entre Lulinha, Roberta e Marcola Inquéritos abertos no Supremo Tribunal Federal (STF) apuram se houve tráfico de influência em órgãos do governo Por Patrik Camporez e Sarah Teófilo | O Globo 19/08/2026 Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha — Foto: NELSON ALMEIDA / AFP Brasília – Polícia Federal investiga suspeitas envolvendo a relação da empresária Roberta Luchsinger, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o ex-chefe de gabinete do petista Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Inquéritos abertos no Supremo Tribunal Federal (STF) apuram se houve tráfico de influência em órgãos do governo. Roberta é apontada nas investigações como lobista. Ela é dona da RL Consultoria e Intermediações, aberta em 2019 e sediada no apartamento onde mora, no bairro de Higienópolis, em São Paulo. Um dos contratos fechados por sua empresa foi com o empresário Antônio Carlos Antunes, o “Careca do INSS”, preso pela PF sob a suspeita de desviar recursos de aposentadorias e pensões do INSS. A empresária recebeu R$ 1,5 milhão do Careca do INSS em cinco parcelas de R$ 300 mil, de acordo com a investigação. O trabalho previa viabilizar a venda de canabidiol ao Ministério da Saúde por uma empresa pertencente a Antunes, a World Cannabis, para que fosse disponibilizado no SUS. O negócio, contudo, não prosperou. Como revelou O GLOBO, uma mensagem de WhatsApp encontrada pela Polícia Federal mostra que Marcola, então chefe de gabinete de Lula, recebeu uma minuta de contrato para venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde, com dispensa de licitação. O documento foi enviado por Roberta, que é amiga de Lulinha. Naquela época, ela tentava fazer negócio com a pasta, o que não ocorreu, em meio à eclosão do escândalo dos descontos indevidos no INSS. Marcola confirmou a interlocutores que recebeu o material, mas disse que não o encaminhou. A defesa da empresária afirmou que o processo está sob sigilo e não vai se manifestar. A mensagem enviada por Roberta a Marcola consta em uma das investigações envolvendo a empresária e o filho do presidente que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). Lulinha é investigado em três inquéritos por suspeita de tráfico de influência no governo. Uma das linhas seguidas pelos investigadores é a relação dele com a lobista. Mensagens também em poder da PF mostram que os dois tratavam de negócios: em um dos diálogos, Roberta diz a Lulinha que os dois trabalham em “outro nível” e que o futuro deles é a Suíça. Os dois negam terem praticado qualquer irregularidade. Em outra mensagem enviada ao filho do presidente, Roberta cita um incômodo de Marcola com “Fernarndo”, que, de acordo com as investigações, é Fernando Bittar, ex-sócio do filho do presidente. “Marcola não quer. Ele tá incomodado. Falou pra gente almoçar com Berger e ele sem Fefe. Pq ele não quer mesmo”, escreve Roberta, ao que Lulinha responde: “Isso…. Ja é o terceiro almoço que eu tenho com ele e ele pede pra ser só entre nós.” A PF também descobriu que Roberta comprou duas joias que Marcola pediu para presentear familiares no Dia das Mães de 2024, conforme revelou Lauro Jardim. A investigação aponta que o ex-assessor enviou por WhatsApp a foto do modelo das peças, e Roberta pagou a fatura de R$ 9,2 mil. Ao longo de 2024, segundo o colunista, a empresária transferiu a ele um total de R$ 217 mil entre transferências bancárias, pagamentos de boletos e presentes. Procurada, a defesa do filho do presidente disse que “reafirma sua confiança nas instâncias formais e adequadas de apuração dos fatos e se manifestará nos autos em momento adequado, somente após o acesso integral aos dados obtidos pelas quebras de sigilo”. Os advogados pontuaram ainda que solicitarão, “uma vez mais, rígidas apurações da nefasta instrumentalização de parte das nossas instituições por interesses políticos e eleitorais”. Quem é Roberta Luchsinger Próxima de integrantes do PT de São Paulo e herdeira de um banqueiro suíço, a empresária foi candidata a deputada estadual em 2018, mas não se elegeu. Roberta é sócia da RL Consultoria e Intermediações, empresa aberta em 2019 e sediada em São Paulo. A atividade registrada é a “intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral”, conforme informações da Junta Comercial de São Paulo (Jucesp). A empresa está sediada no apartamento onde ela mora em Higienópolis, bairro nobre de São Paulo, local onde a PF cumpriu mandados de busca e apreensão no fim do ano passado no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura supostas fraudes no INSS. Investigações da PF apontam que Roberta se apresentava como “pessoa com acesso a estruturas de poder capazes de influenciar decisões de natureza política” e faria parte do “núcleo político” do grupo comandado por Antunes. “Sua atuação se revela essencial para a ocultação de patrimônio, movimentação de valores e gestão de contas bancárias e estruturas empresariais utilizadas como instrumentos da lavagem de capitais”, diz decisão do ministro do STF André Mendonça, ao autorizar a operação. De acordo com registros obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação, Roberta visitou oito vezes o Palácio do Planalto e realizou ao menos 32 visitas em gabinetes dos ministérios da Saúde e do Desenvolvimento Social, entre outros órgãos públicos, no período de 2023 a 2025. Em depoimento à Polícia Federal, em maio deste ano, Roberta afirmou que foi ela quem apresentou Lulinha a Antunes. Ela, no entanto, negou ter repassado dinheiro ao filho do presidente e disse que os pagamentos que recebeu do lobista se referiam ao trabalho de consultoria. Em uma das transferências, Antunes informou a um interlocutor que o dinheiro era destinado ao “filho do rapaz”, possivelmente em referência a Lulinha, segundo a PF. Notícia anterior Fraudes no INSSPolícia Federal PFPresidente da RepúblicaPT Partido dos TrabalhadoresSão Paulo SPSTF Supremo Tribunal FederalSUS Sistema Único de Saúde Facebook Twitter WhatsApp Linkedin Pinterest Blogger Telegram De minuta de contrato a almoço reservado: entenda as
A disputa milionária entre a Loterj e empresa de aliado de Flávio Bolsonaro e Castro

A disputa milionária entre a Loterj e empresa de aliado de Flávio Bolsonaro e Castro A disputa milionária entre a Loterj e empresa de aliado de Flávio Bolsonaro e Castro Por Johanns Eller | O Globo 19/08/2026 O ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL) e o pré-candidato à presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro — Foto: Reprodução Um contrato milionário da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) herdado do governo de Cláudio Castro (PL) se tornou uma das principais dores de cabeça na gestão interina de Ricardo Couto. A autarquia tenta há quatro meses reaver milhões de reais devidos pela empresa contratada para processar os pagamentos do serviço lotérico e de bets: a Rio Pag, ligada a um aliado do ex-governador e do presidenciável do PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ). Trata-se do advogado Willer Tomaz, que admite representar a companhia mas nega ter qualquer relação societária ou de gestão com a empresa. Segundo a Loterj, a Rio Pag ainda deve cerca de R$ 4 milhões de um total de quase R$ 21 milhões, mas tem se recusado a saldar o débito. A equipe do blog apurou que a Procuradoria-Geral do Estado pedirá nas próximas semanas a quebra do sigilo bancário da empresa com o objetivo de encontrar o dinheiro. O impasse começou em abril, logo após a saída de Castro do governo, quando a Loterj solicitou de volta R$ 18,5 milhões que estavam sob custódia da Rio Pag. De início, três pedidos formais para que a empresa restituísse o dinheiro à Loterj foram ignorados. Uma parcela de R$ 2 milhões chegou a ser transferida, mas a autarquia exigiu que todo o dinheiro fosse devolvido. Em julho, o órgão acionou o Tribunal de Justiça do Rio pedindo o bloqueio do valor atualizado de R$ 20,9 milhões, considerando multa e juros de mora previstos em contrato. O pedido foi acatado, porém havia R$ 726 mil nas contas da Rio Pag. O sumiço do dinheiro gerou perplexidade no governo estadual. Na semana seguinte, outra surpresa: “apareceram” R$ 16,5 milhões, pagos por Pix a partir de uma das contas da empresa. Com isso, o valor devolvido somou R$ 18,5 milhões, a cifra originalmente custodiada. Mas a Loterj alega que, com o prolongamento do impasse, são devidos cerca de R$ 4 milhões correspondentes a juros de mora, correção e multa. A Rio Pag afirma não ter obrigação contratual de pagar juros e a multa, que classifica como “totalmente descabidos” (leia a íntegra da nota ao final da matéria). Segundo Willer Tomaz declarou ao portal Metrópoles, os R$ 18,5 milhões da Loterj custodiados junto à Rio Pag teriam sido aplicados em um fundo de investimentos do Banco Santander que previa uma “trava” de seis meses para os saques — daí a dificuldade em restituir o dinheiro rapidamente. A versão causou estranheza na autarquia, já que investimentos desse tipo não estão previstos ou autorizados pelo contrato com a Rio Pag nem pelo ofício que determinou a custódia dos valores, o que a empresa contesta. Esse documento, a que tivemos acesso, prevê inclusive que a Loterj poderia requerer o dinheiro a qualquer momento. A equipe do blog apurou que, durante o regime de custódia, a Rio Pag mandava e-mails mensalmente reforçando que os recursos estavam à disposição do órgão. A autarquia chegou a solicitar, por exemplo, R$ 2 milhões ainda no governo Castro e sob o regime de custódia, e o montante foi repassado pela empresa. Questionado sobre qual fundo do Santander teria recebido o dinheiro custodiado, Willer Tomaz afirmou por meio de nota que “dados sobre aplicações financeiras, contas bancárias e clientes são protegidos por sigilo legal e não serão divulgados”. Por ora, o imbróglio está limitado ao âmbito administrativo – hoje a Loterj trabalha para rescindir o contrato, válido até 2028 e firmado em março de 2023 por meio de uma licitação controversa. Mas, sob reserva, integrantes da gestão estadual admitem que os desdobramentos do caso podem levar a uma ação criminal. Alvo de operação da PF Amigo pessoal de Flávio e ex-advogado de Castro, Tomaz foi alvo da última etapa da Operação Sem Desconto, deflagrada no último dia 4, no âmbito das apurações sobre as fraudes no INSS. Na decisão em que autorizou as diligências, o relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André Mendonça, destacou que o advogado é tido pela Polícia Federal (PF) como “hub financeiro, patrimonial e logístico” do senador Weverton Rocha (PDT-MA), que também teve um mandado de busca e apreensão expedido contra ele e sua mulher, Samya. Segundo apurou a equipe da coluna, a relação do advogado com a companhia é conhecida dentro do governo fluminense e da Procuradoria-Geral do Estado. A irmã dele, Christine Tomaz, é diretora da Empresa Brasileira de Sistemas de Computação (Embrasis), que é a única acionista da Capital Pretium S.A., que por sua vez é a única controladora da Rio Pag. A Embrasis e a Capital Pretium também têm como diretora Fayla Zulmira Menezes, outro alvo da Operação Sem Desconto da PF ao lado de Tomaz e Weverton Rocha. Na decisão do STF, André Mendonça classifica Fayla como operadora financeira do grupo com “interlocução simultânea” com o advogado e o senador do Maranhão. Ainda segundo o ministro, ela seria responsável por “controlar saldos, executar pagamentos, encaminhar comprovantes, registrar parcelas, tratar de entregas em espécie” e consultar Willer Tomaz, inclusive em “momentos sensíveis”, além de “atender solicitações formuladas diretamente por Weverton Rocha”. No Rio, o contrato com a Loterj foi assinado na gestão de Hazenclever Lopes Cançado, que foi exonerado da autarquia quando Ricardo Couto assumiu o governo estadual. Pré-candidato a deputado federal pelo PL do Rio e advogado, Cançado atuou em processos ao lado de Tomaz no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e na Justiça Federal. Ex-chefe de gabinete do senador Magno Malta (PL-ES), Hazenclever concorre pela primeira vez a um cargo eletivo. Enquanto esteve à frente da Loterj, atribuía sua indicação para o cargo ao então governador Castro. Procurado pela equipe da coluna, Tomaz definiu Hazenclever como “colega advogado que milita em Brasília há décadas, tendo atuado em algumas demandas pretéritas, sem qualquer conflito de interesses”. O advogado afirmou ainda não representar o ex-governador Castro em ações judiciais no momento. Origem do imbróglio
PF diz que lobista ‘aparentemente tinha autorização’ para agir em nome de Lulinha: ‘Eu sou o Fábio’

PF diz que lobista ‘aparentemente tinha autorização’ para agir em nome de Lulinha: ‘Eu sou o Fábio’ Mensagens de Roberta Luchsinger também revelaram pagamento de joias a ex-chefe de gabinete do presidente Lula; defesa do filho do presidente afirmou que se manifestaria nos autos após acesso integral às provas e defesa de Roberta pediu apuração de vazamentos Por Aguirre Talento e Gustavo Côrtes | O Estado de S.Paulo 18/08/2026 A empresária Roberta Luchsinger deverá pagar R$ 70 mil para Sergio e Rosangela Moro Foto: Reprodução via @RoLuchsinger / Twitter BRASÍLIA – A Polícia Federal afirma em relatório produzido no novo inquérito sobre Fábio Luís Lula da Silva, o filho mais velho do presidente Lula, que a lobista Roberta Luchsinger demonstrava em seus diálogos ter “autorização” para agir em nome de Lulinha. Procurada, a defesa de Lulinha afirmou que ele não pode ser responsabilizado por declarações de Roberta Lucshinger e disse que não poderia comentar supostas mensagens cuja autenticidade não está ainda comprovada. “São ilações da Polícia Federal que não chegam a surpreender, porque setores da PF seguem agindo em uma caçada implacável com objetivos eleitorais. Se esses setores quiserem disputar as eleições, têm que se afastar da função que abraçaram e pedir exoneração. Nós vivemos em uma democracia e o voto vence. São ilações absolutamente irresponsáveis. É difícil a gente afirmar qualquer coisa porque não temos o contexto, já que esses vazamentos são seletivos, criminosos e têm o objetivo indiscutivelmente eleitoral”, afirmou o advogado Marco Aurélio de Carvalho. A defesa de Roberta afirmou que a divulgação de informações “não ajuda a investigação” e disse que o Ministério da Justiça deveria apurar os supostos vazamentos. Em uma das conversas mantidas com um interlocutor que participava da prospecção de negócios junto ao governo federal, Roberta afirmou diretamente ser uma representante de Lulinha. “Eles sabem o que eu sou. Eu sou o Fabio”, afirmou. Com base nessas informações, a PF apontou que ela agia em nome do filho do presidente. “Aparentemente Roberta tinha autorização para agir em nome dele”, diz trecho da investigação obtido pelo Estadão. O interlocutor dessa conversa era Gustavo Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha (MDB-MA) que foi alvo das investigações por suspeitas de participar dos desvios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A PF suspeita que ele se associou em negócios com o empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, e participaria da prospecção de negócios no governo federal em conjunto com Roberta Luchsinger. Os diálogos de Roberta foram usados como elementos de prova pela Polícia Federal para embasar a abertura de três novos inquéritos para apurar suspeitas de tráfico de influência dela e Lulinha no governo federal. O primeiro inquérito foi aberto para apurar suspeitas nos negócios da dupla junto ao Ministério da Saúde. O segundo inquérito, revelado pelo Estadão, apura suspeitas de negócios deles na Dataprev, empresa de tecnologia do governo federal. Os dois foram distribuídos ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Como mostrou o Estadão, o terceiro inquérito foi distribuído para o ministro Flávio Dino e também apura suspeitas nos negócios da dupla em outra área do governo federal. A PF solicitou os inquéritos no final de julho, a partir das provas colhidas na investigação sobre desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Como revelou anteriormente o Estadão, a investigação do INSS colheu indícios e começou a apurar se Lulinha seria sócio oculto do empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, e também apurava se Roberta Luchsinger pagou despesas de viagens de Lulinha. Parte dessas conversas tratavam de pagamentos de boletos e custeio de despesas do ex-chefe de gabinete da Presidência da República, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Ele já afirmou em nota pública se tratar de um empréstimo e disse que pagou de volta a ela R$ 249 mil como quitação desse empréstimo. A PF detectou ainda que Roberta acertou nos diálogos com Marcola a compra de joias para dar de presente à mulher dele. A informação foi divulgada inicialmente pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão. Conforme diálogos divulgados pelo Metrópoles, Roberta repassou a Marcola informações tratadas com a vendedora das joias. “Ela sugeriu um brilhante. Vai mandar”, escreveu, mandando em seguida foto das joias. Na conversa com Marcola, Roberta também mandou a minuta de um contrato para venda de medicamentos à base de canabidiol para o Ministério da Saúde. A informação foi revelada pelo jornal O Globo. Para a PF, tratava-se de uma tentativa da lobista de pedir ajuda do assessor presidencial para conseguir firmar o contrato com o governo federal. No diálogo, porém, não consta que houve encaminhamento dessa minuta para outra instância do governo. Leia a nota da defesa de Lulinha Caso estejamos diante de mais um lamentável episódio de violação do dever de sigilo funcional – crime previsto no art. 325 do Código Penal –, o recorte seletivo e a divulgação parcial das referidas supostas mensagens revelam um abandono de qualquer pretensão de imparcialidade e de obediência às leis, deixando de lado a verdade ou o interesse público para buscar, por meio da exposição midiática, efeitos que a via processual legítima e adequada não permitiria. A defesa reafirma sua confiança nas instâncias formais e adequadas de apuração dos fatos e se manifestará nos autos em momento adequado, somente após o acesso integral aos dados obtidos pelas quebras de sigilo. Marco Aurélio de Carvalho e Guilherme Suguimori Leia a nota da defesa de Roberta Luchsinger A defesa tem sido insistentemente procurada para se manifestar sobre diálogos e conclusões supostamente feitas pela polícia Federal. E estranho tamanha publicidade tratando-se de um inquérito sigiloso. Isso não ajuda a investigação, muito pelo contrário. A pergunta que fica é: quem tem vazado as supostas conversas? Quais interesses estao por trás dos vazamentos ? Passou da hora do Ministro da Justiça tomar providências. 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Amiga de Lulinha encaminhou minuta de contrato a ex-chefe de gabinete de Lula

Amiga de Lulinha encaminhou minuta de contrato a ex-chefe de gabinete de Lula Marcola afirma que não repassou proposta de negócio obtida pela PF a integrantes do governo Documento propunha compra de medicamentos à base de canabidiol, mas não prosperou Por Catia Seabra | Folha de S.Paulo 18/08/2026 A empresária Roberta Luchsinger, durante entrevista – Marlene Bergamo – 25.mai.26/Folhapress Brasília – O ex-chefe de gabinete do presidente Lula (PT) Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, recebeu da lobista Roberta Luchsinger a minuta de um contrato para venda, ao Ministério da Saúde, de medicamentos à base de canabidiol com dispensa de licitação. Marcola confirma ter recebido um modelo de contrato, mas afirma não ter repassado a minuta adiante para ninguém do governo. A troca de mensagens foi obtida pela Polícia Federal, publicada pelo jornal O Globo e confirmada pela Folha. As investidas no Ministério da Saúde não prosperaram. Roberta é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, também alvo de apurações da PF. Ela é investigada pelo vínculo com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. As investigações apontam a relação dela com Lulinha, além de reuniões que envolveram também Marcola e o então secretário-executivo do Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger. Ela chegou a ser recebida no Ministério da Saúde. A interlocutores Swedenberger repete que uma de suas funções era receber pessoas e dar encaminhamento a demandas para análise técnica e posterior decisão. Ele frisa que não houve andamento à proposta apresentada por ela. Ainda segundo as investigações, Roberta comprou duas joias de diamantes a pedido de Marcola, para que fossem presenteadas no Dia das Mães. As tratativas para a aquisição constam em diálogos obtidos pela Polícia Federal. As investigações integram o material desdobrado das supostas fraudes do INSS. A defesa de Marcola afirma que o montante gasto pela empresária com a compra das joias se insere no valor total do empréstimo obtido junto a Roberta, no valor de R$ 217 mil, e já quitado por ele. No início do mês, o ex-chefe de gabinete afirmou ter tomado um empréstimo corrigido em R$ 249 mil e que quitou o valor. Segundo os diálogos a que a PF teve acesso, Marcola teria ajudado a escolher as peças por meio de imagens trocadas entre eles. As joias seriam para o Dia das Mães, celebrado em 2024, ano dos diálogos, em 12 de maio. O valor estaria em cerca de R$ 9.000. As equipes responsáveis pela apuração também identificaram diálogos entre o filho do presidente e Roberta nos quais ele a orienta a emitir notas para cobrar o pagamento de um empresário alvo de investigações. Em uma das conversas, a empresária diz a Lulinha que “nosso futuro é Suíça”, ao fazer referência ao trabalho de ambos. Essa troca de mensagens foi revelada inicialmente pelo site Metrópoles. A defesa de Roberta não se manifestou sob o argumento de que respeita o sigilo imposto aos autos. Notícia anterior Fraudes no INSSPolícia Federal PFPresidente da RepúblicaPT Partido dos Trabalhadores Facebook Twitter WhatsApp Linkedin Pinterest Blogger Telegram Amiga de Lulinha encaminhou minuta de contrato a ex-chefe de gabinete de Lula 18/08/2026 Marina é hostilizada por homem em ato de campanha de Haddad com mulheres 17/08/2026 Amiga de Lulinha comprou solitários e colar de diamantes para braço direito de Lula, diz PF 17/08/2026 Deixe seu comentário Whatsapp X-twitter Facebook More than 2 results are available in the PRO version (This notice is only visible to admin users) Mais lidas na semana Escritório de Flávio usa mesma contabilidade do Careca do INSS 23/07/2026 Ex-aliado de Bolsonaro, Luciano Bivar entra na chapa do PT em Pernambuco 21/07/2026 Jaques tentou vender terreno de R$ 15 milhões um dia após ser alvo da PF 20/07/2026 Os EUA já estão interferindo nas eleições brasileiras 10/08/2026 Amiga de Lulinha encaminhou minuta de contrato a ex-chefe de gabinete de Lula 18/08/2026
Pablo Marçal se descontrola ao vivo após uma única pergunta (VIDEO)

Pablo Marçal se descontrola ao vivo após uma única pergunta Candidato à Presidência, o coach perdeu a linha ao ser confrontado de maneira direta por jornalista Por Marcelo Hailer | Fórum 18/08/2026 Pablo Marçal (PRTB) | Yuri Murakami /Fotoarena/Folhapress Pablo Marçal (PRTB), que se autodenomina coach e gosta de passar ensinamentos sobre controle aos seus seguidores, pelo visto não seguiu o próprio método e perdeu completamente a linha durante uma entrevista ao vivo ao ser confrontado por um jornalista. Tudo aconteceu durante uma entrevista ao canal Mathias TV, quando o jornalista Regis Tadeu, com uma única pergunta, confrontou Marçal. Tadeu foi direto: “O senhor está inelegível. Tem alguém pagando para você ser candidato e tumultuar o processo eleitoral?” Foi o suficiente para Marçal sair do personagem e partir para o ataque contra o jornalista. “Você está errado. Outra pergunta! Não estou recebendo, igual aparentemente alguém que está recebendo para conversar neste tom comigo. Diga o seu nome, quem você é […] Não te conheço e não é um prazer te conhecer neste momento. Pelo seu tom, dá pra perceber que você está mancomunado com alguma coisa […] Já respondi! […] Você está falando com um homem, não com um moleque, rapaz! Está achando que você vai botar banca pra cima de mim?” Inelegível até 2032, Pablo Marçal registra candidatura à Presidência O PRTB oficializou neste sábado (15) o registro da candidatura do empresário e influenciador digital Pablo Marçal à Presidência da República. O presidente nacional da sigla, Leonardo Avalanche, foi registrado no posto de vice na chapa. A candidatura só foi protocolada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) graças a uma liminar que validou, com efeito retroativo a abril, a filiação do ex-coach ao PRTB, já que ele havia migrado para o União Brasil no início do ano. O partido celebrou a manobra em nota oficial como uma “jogada que mudaria completamente o tabuleiro político”. Questionado sobre a fragilidade jurídica de sua campanha, Marçal limitou-se a uma resposta evasiva: “O Senhor proverá”. Inelegibilidade de Pablo Marçal A candidatura, contudo, esbarra no fato de Marçal estar inelegível. No último dia 5 de agosto, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) rejeitou por unanimidade os recursos da defesa do ex-coach e manteve sua condenação por abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação. O empresário foi condenado por conta da promoção do “campeonato de cortes”, estratégia na qual colaboradores eram incentivados a produzir e divulgar vídeos nas redes sociais durante as eleições municipais de 2024. Além da inelegibilidade por oito anos, a Corte impôs uma multa de R$ 420 mil ao influenciador. Ele ainda tem uma outra condenação em primeira instância à pena de inelegibilidade, por uso indevido dos meios de comunicação social, captação e gastos ilícitos de recursos e abuso de poder econômico no pleito. Apesar de Marçal ter conseguido reverter uma terceira condenação referente à venda de apoio a candidatos a vereador em troca de doações de R$ 5 mil via Pix, as punições anteriores mantêm o empresário barrado pela Justiça Eleitoral. Com informações do Migalhas https://politicariabrasileira.blog.br/wp-content/uploads/2026/08/ssstwitter.com_1787151312227.mp4 Notícia anteriorPróxima notícia PRTBTRE-SPTSE Tribunal Superior EleitoralUnião BrasilVIDEO AUDIO Facebook Twitter WhatsApp Linkedin Pinterest Blogger Telegram Pablo Marçal se descontrola ao vivo após uma única pergunta 18/08/2026 Canabidiol, lobby e minuta de contrato: o que revelam as mensagens de Marcola e amiga de Lulinha 19/08/2026 PF diz que lobista ‘aparentemente tinha autorização’ para agir em nome de Lulinha: ‘Eu sou o Fábio’ 18/08/2026 Deixe seu comentário Whatsapp X-twitter Facebook More than 2 results are available in the PRO version (This notice is only visible to admin users) Mais lidas na semana Paulo Figueiredo comprou mansão de R$ 6,1 milhões nos EUA, mas deve R$ 4,9 milhões à União 21/07/2026 Mansão em ilha de Angra: Flávio Bolsonaro tem pedido de censura negado pela Justiça 23/07/2026 Justiça determina que Garotinho cumpra sentença que suspende direitos políticos por 8 anos 11/08/2026 PF pede segundo inquérito para apurar tráfico de influência de Lulinha e empresário na Dataprev 31/07/2026 Receita pede que PF compartilhe laudos de joias sauditas dadas a Bolsonaro 23/07/2026
Primeira Turma do STF torna réu o deputado Gilvan da Federal por fala em que deseja morte de Lula

Primeira Turma do STF torna réu o deputado Gilvan da Federal por fala em que deseja morte de Lula Em reunião da comissão de Segurança Pública, parlamentar disse que queria que presidente morresse e fosse para o ‘quinto dos infernos’. Por Luiz Felipe Barbiéri | TV Globo 18/08/2026 Deputado federal do Espírito Santo, Gilvan da Federal — Foto: Reprodução Brasília – A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta terça-feira (18), por unanimidade, tornar réu o deputado Gilvan da Federal (PL-ES) por fala em que desejou a morte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O deputado agora será alvo de uma ação penal e poderá ser condenado por injúria qualificada, como pedido pela Procuradoria Geral da República (PGR) na denúncia. Em nota, o deputado afirmou que foi vítima de cerceamento de defesa e violação das prerrogativas de parlamentar e que o caso deveria ser julgado pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados. (Leia a íntegra da nota) Votaram por este entendimento a ministra Cármen Lúcia e os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino. O ministro Cristiano Zanin não votou. Ex-advogado de Lula, ele se declarou impedido e não participou do julgamento. Em reunião da Comissão de Segurança Pública em abril de 2025, durante votação de projeto que pretendia desarmar a segurança pessoal do presidente da República, o parlamentar disse que queria que Lula morresse e fosse para o quinto dos infernos. “Eu quero mais que o Lula morra, quero que ele vá para o quinto dos infernos, é um direito meu. Não vou dizer que eu vou matar cara, mas eu quero que ele morra, que vá para o quinto dos infernos. Nem o diabo quer o Lula, por isso que ele está vivendo aí. Superou o câncer. Tomara que ele tenha uma taquicardia, porque nem o diabo quer a desgraça desse presidente que está afundando o país. Quero mais que ele morra mesmo”, afirmou Gilvan. O deputado ainda se referiu a Lula como “descondenado” e “parceiro do crime”. Gilvan alegou que estava protegido pela imunidade parlamentar e que apenas respondeu a provocação de integrantes da base do governo, tese rejeitada pela relatora, ministra Cármen Lúcia, e pelos demais ministros da 1ª Turma. Voto vencedor A ministra Cármen Lúcia entendeu que a jurisprudência do STF preserva a imunidade parlamentar, mas não é uma blindagem. “As expressões reproduzidas que eu vou deixar de repetir não vinculam em análise incipiente crítica política, fiscalização de ato de governo, o posicionamento sobre o mérito da proposição legislativa. As expressões teriam sido direcionadas à pessoa do ofendido e configuram, portanto, em tese, ofensa pessoal dissociada da finalidade institucional”, afirmou. A relatora disse que o parlamentar cometeu excessos durante o debate e fez ofensas direta a Lula alheias ao exercício do mandato e reproduzidas nas redes sociais. “Afastados os argumentos defensivos revela-se suficiente, portanto, para o recebimento da denúncia, a presença de indícios veementes da autoria da materialidade”, afirmou. Leia a íntegra da nota de Gilvan da Federal: “O Gabinete do Deputado Federal Gilvan Aguiar Costa (Gilvan da Federal – PL/ES) vem a público manifestar veemente repúdio e profunda indignação diante das notícias veiculadas pela imprensa nacional que dão conta do recebimento de denúncia no âmbito do Inquérito nº 4.999, em trâmite perante o Supremo Tribunal Federal (STF). Diante da gravidade dos fatos e dos manifestos vícios procedimentais que cercam o episódio, o Gabinete Parlamentar esclarece: 1. Julgamento Secreto e Apagão Processual no STF: Causa absoluta perplexidade que o parlamentar e seus advogados tenham tomado ciência de uma deliberação da Suprema Corte por meio de vazamentos jornalísticos. Consulta oficial realizada no Diário da Justiça Eletrônico (DJe) do próprio STF comprova que o INQ 4.999 sequer aparece indexado ou acessível entre os processos vinculados ao parlamentar. O julgamento ocorreu em completo apagão público, sem que houvesse publicação prévia de pauta com os nomes dos patronos cadastrados, violando o devido processo legal e extirpando o direito fundamental à sustentação oral perante os magistrados (art. 6º, § 1º, da Lei nº 8.038/1990). 2. Cerceamento de Defesa e Desrespeito à Súmula Vinculante nº 14: Embora a Relatora tenha deferido a habilitação da defesa técnica, a administração judiciária impôs uma barreira burocrática inaceitável: condicionou a consulta aos autos à presença física no balcão em Brasília, impedindo o acesso eletrônico a um processo sigiloso. Essa imposição de constantes deslocamentos aéreos fere diretamente a autoridade da Súmula Vinculante nº 14 do STF e as prerrogativas da advocacia, buscando inviabilizar o exercício pleno e paritário do contraditório. 3. Inviolabilidade Constitucional da Atividade Parlamentar: O pronunciamento objeto do inquérito ocorreu estritamente dentro do recinto do Congresso Nacional, no calor do debate legislativo sobre políticas de segurança pública e em resposta a provocações políticas explícitas. A fala está blindada pela imunidade parlamentar material assegurada pelo art. 53 da Constituição Federal, garantia basilar do Estado Democrático de Direito concebida para proteger a soberania do mandato popular contra a criminalização da oposição. 4. Retratação Espontânea e Arquivamento no Conselho de Ética: Menos de 24 horas após o ocorrido, o Deputado Gilvan subiu à tribuna do Plenário da Câmara para retratar-se pública e espontaneamente quanto a excessos de ordem moral e cristã, afastando categoricamente qualquer dolo de ofensa pessoal. Analisando exatamente os mesmos fatos, a instância constitucional competente — o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados — determinou o arquivamento sumário da representação por reconhecer a manifesta atipicidade da conduta e a inviolabilidade da atuação política. O Gabinete Parlamentar informa que a assessoria jurídica constituída já está adotando todas as providências processuais cabíveis junto ao Supremo Tribunal Federal para arguir a nulidade absoluta do julgamento clandestino, garantir a liberação do acesso eletrônico integral aos autos e restabelecer as garantias constitucionais do mandato legitimamente outorgado pelo povo capixaba.” Notícia anteriorPróxima notícia Deputado FederalPGR Procuradoria Geral da RepúblicaPL Partido LiberalPresidente da RepúblicaPT Partido dos TrabalhadoresSTF Supremo Tribunal Federal Facebook Twitter WhatsApp Linkedin Pinterest Blogger Telegram Primeira Turma do STF torna réu o deputado Gilvan da Federal por fala em que deseja morte de Lula 18/08/2026 De minuta de contrato
Ex-comandante da FAB diz ter temido golpe e “ruptura entre tropas”

Ex-comandante da FAB diz ter temido golpe e “ruptura entre tropas” Carlos Baptista Júnior afirma que risco de golpe foi iminente e descreve reuniões com Bolsonaro e comandantes das Forças Armadas Por Laura Braga | Metrópoles 18/08/2026 Brigadeiro Carlos Baptista Júnior | Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil O ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB) Carlos de Almeida Baptista Júnior afirmou que o Brasil esteve diante de risco iminente de ruptura institucional após as eleições presidenciais de 2022, no fim do governo de Jair Bolsonaro (PL). “As Forças Armadas são muito grandes. Eu não sabia qual era a posição do almirantado. Eu sabia a posição do almirante Garnier [comandante da Marinha e, segundo ele, favorável ao golpe], a posição do Alto Comando da Aeronáutica, mas as pressões foram muito grandes em cima de todos os comandantes militares. Eu temia por uma ruptura entre tropas”, disse Baptista Júnior, em entrevista à Folha. O relato consta no livro que o militar acaba de lançar – Eu disse NÃO: uma trincheira antigolpista –, no qual ele expõe bastidores das reuniões realizadas no fim do governo Jair Bolsonaro e pressões para que as Forças Armadas participassem de iniciativa destinada a impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Baptista Júnior, o então presidente apresentou aos comandantes militares alternativas que poderiam alterar o resultado das eleições e permanecer no poder. O ex-comandante da FAB afirma que a situação chegou a um ponto de grande tensão, especialmente diante da possibilidade de integrantes do Exército adotarem medidas por conta própria. O militar conta que se posicionou contra qualquer iniciativa que ultrapassasse os limites constitucionais. A posição, segundo o próprio relato, foi compartilhada pelo então comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes. A resistência dos dois comandantes teria sido decisiva para impedir que a proposta avançasse dentro das Forças Armadas. Pressão sobre os militares Baptista Júnior descreve um ambiente de pressão crescente nos últimos meses de 2022. Após a derrota de Bolsonaro nas urnas, manifestações de apoiadores do então presidente se concentraram em frente a quartéis, enquanto setores defendiam uma intervenção das Forças Armadas. De acordo com o ex-comandante, havia preocupação com a possibilidade de ações isoladas de militares, o que poderia desencadear confrontos e uma crise institucional de maiores proporções. Ele também explica sua posição contrária à retirada imediata dos manifestantes dos acampamentos instalados em frente aos quartéis. Na avaliação apresentada pelo militar, uma intervenção naquele momento poderia provocar confrontos violentos e aumentar o risco de uma escalada da crise. O ex-comandante da Aeronáutica já havia relatado, em depoimentos anteriores, que participou de reuniões nas quais foram discutidas medidas para impedir a posse do presidente eleito. Em seu novo relato, ele reforça que a possibilidade de uma ruptura não era apenas uma hipótese distante e afirma que o risco chegou a ser concreto. Notícia anterior Exército Brasileiro EBFAB Força Aérea Brasileira AeronáuticaPL Partido LiberalPresidente da RepúblicaPT Partido dos Trabalhadores Facebook Twitter WhatsApp Linkedin Pinterest Blogger Telegram Ex-comandante da FAB diz ter temido golpe e “ruptura entre tropas” 18/08/2026 Amiga de Lulinha comprou solitários e colar de diamantes para braço direito de Lula, diz PF 17/08/2026 PF encontra mensagem em que Lulinha e lobista investigada por fraudes no INSS tratam de negócios: ‘Nosso futuro é Suíça’ 17/08/2026 Deixe seu comentário Whatsapp X-twitter Facebook More than 2 results are available in the PRO version (This notice is only visible to admin users) Mais lidas na semana Ex-aliado de Bolsonaro, Luciano Bivar entra na chapa do PT em Pernambuco 21/07/2026 Tarifaço: EUA confirmam nova tarifa de até 12,5% contra ‘trabalho forçado’ para o Brasil e outros parceiros comerciais 23/07/2026 Prefeito ameaça demitir servidores que não votarem em Flávio Bolsonaro (ÁUDIO) 07/08/2026 MPRJ obtém decisão para que Levy Gasparian inicie elaboração do Plano Diretor 24/07/2026 PF cumpre mandados de busca e apreensão contra Careca do INSS 21/07/2026
Lulinha orientou Roberta Luchsinger a emitir nota para cobrar empresário alvo da PF

Lulinha orientou Roberta Luchsinger a emitir nota para cobrar empresário alvo da PF Filho do presidente da República, Lulinha orientava lobista e participava de reuniões junto ao núcleo duro do Palácio do Planalto Por Tácio Lorran | Metrópoles 18/08/2026 Roberta Luchsinger, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha e Cleber Ribas | Arte/ Metrópoles Mensagens em posse da Polícia Federal e obtidas com exclusividade pela coluna revelam que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, orientou a lobista Roberta Luchsinger a emitir uma nota fiscal para cobrar do empresário Cleber Ribas, dono da 3Structure It Ltda. O empresário ganhou mais de R$ 80 milhões em contratos com o governo federal, especialmente durante o governo Lula. Cleber Ribas é investigado pela PF no mesmo inquérito que apura corrupção e tráfico de influência envolvendo o filho do presidente da República. Conforme revelou a coluna, o empresário pagou pelo menos R$ 150 mil a Roberta Luchsinger para “prospecção de clientes”. As mensagens revelam que a relação entre Lulinha e Roberta Luchsinger vai além de uma simples amizade. O filho do presidente não somente sabia da atuação e dos interesses da lobista, como também a orientava e participava de reuniões junto ao núcleo duro do gabinete do presidente Lula. No dia 24 de julho de 2023, Lulinha solicita a Roberta que ela convide Carlos Eduardo Gabas, ex-ministro da Previdência, para se dirigir à Praia do Forte, na Bahia. “Aqui todo mundo”, diz o filho do presidente. “Pronto, já falei com Fernando, com contador, com governador, com secretários, com todo mundo”, responde a lobista. Em seguida, Lulinha orienta a amiga a emitir uma nota fiscal para Cleber Ribas. “Emite a NF pro Cleber”, diz. “Já fiz”, responde Roberta. “Boaaaaa”, comemora Lulinha. O relatório da Polícia Federal narra ainda que, dias depois, Cleber Ribas solicitou a Roberta uma reunião com Lulinha, em 31/5/2023. Em seguida, ele informa que Rodrigo Assumpção assumiu como novo presidente da Dataprev. Os inquéritos contra Lulinha foram autorizados pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e Flávio Dino e investigam, entre outros pontos, a relação do filho do presidente com empresários e sua suposta atuação em órgãos do governo federal. Em uma outra conversa revelada nesta segunda-feira (17/8) pela coluna, Roberta afirma que ela e Lulinha trabalham em um nível diferenciado e diz que o futuro deles é a Suíça. Na mesma ocasião, o filho do presidente da República menciona reuniões com Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete de Lula, e Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger, que ocupava a Secretaria-Executiva do Ministério da Saúde. Conversa entre Lulinha e Roberta Luchsinger revela que filho do presidente participava de reuniões com núcleo duro de Lula Marcola era um dos principais assessores de Lula, despachava na antessala do presidente e mantinha interlocução com integrantes do governo. Berger, por sua vez, foi quem abriu as portas do Ministério da Saúde para o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, vulgo Careca do INSS, que enviou repasses que somam R$ 1,5 milhão a Roberta Luchsinger. Em uma das transferências, o Careca afirmou a um interlocutor que o dinheiro era para “o filho do rapaz”. Roberta Luchsinger, segundo a PF, pagava contas e dava presentes a Marcola. Mensagens obtidas pela coluna mostram que ela discutiu com o então assessor a compra de um par de solitários e um colar de diamantes. Segundo interlocutores da defesa de Marcola, as joias custaram R$ 9,2 mil e integravam um empréstimo de R$ 249 mil feito pelo ex-assessor com Roberta, posteriormente pago com juros e correção. Em nota, a defesa de Lulinha informou que não irá comentar ou validar “fragmentos de informações sigilosas indevidamente divulgadas fora de seu contexto original, de origem e integridade não verificadas e cuja seleção descontextualizada pode ser manipulada para construir narrativas distorcidas da realidade.” “Caso estejamos diante de mais um lamentável episódio de violação do dever de sigilo funcional – crime previsto no art. 325 do Código Penal –, o recorte seletivo e a divulgação parcial revelam um abandono de qualquer pretensão de imparcialidade e obediência às leis, deixando de lado a verdade ou o interesse público para buscar, por meio da exposição midiática, efeitos que a via processual legítima e adequada não permitiria”, informaram os advogados Guilherme Suguimori e Marco Aurélio de Carvalho. “A defesa reafirma sua confiança nas instâncias formais e adequadas de apuração dos fatos e se manifestará nos autos em momento adequado, somente após o acesso pleno aos dados obtidos pelas quebras de sigilo”, prosseguiram. Procurada, a defesa de Cleber Ribas afirmou que não tem “como comentar supostas mensagens extraídas de arquivos aos quais não teve acesso integral, muito menos eventuais conversas mantidas por terceiros, sem a participação de Cleber Ribas”. “O que a defesa pode afirmar é que Fábio Luís Lula da Silva mantinha uma relação estritamente pessoal com Cleber Ribas, decorrente da amizade entre ambos, sem qualquer vínculo profissional ou comercial”, destacou. A defesa de Cleber Ribas reiterou que “os contratos celebrados pela 3Structure com o governo federal foram firmados na mais absoluta transparência, depois dos procedimentos administrativos previstos em lei e sem o favorecimento de quem quer que seja”. Procurado, o advogado Roberto Podval, que assumiu a defesa de Roberta Luchsinger, informou que não vai comentar, em razão do sigilo do inquérito. Pagamento de R$ 150 mil O pagamento feito pela 3Structure It à empresa de Roberta já havia sido identificado pela Polícia Federal. Segundo Cleber Ribas, a contratação da RL Consultoria ocorreu para a prestação de serviços de assessoria voltados à prospecção de clientes e à identificação de oportunidades de negócios no setor de tecnologia. A defesa do empresário afirma que a operação foi legítima, regularmente escriturada, contabilizada, tributada e documentada. Também sustenta que a contratação da consultoria não teve relação com os contratos da 3Structure It com o governo federal. A 3 Structure It, criada em 2019 e sediada em Florianópolis, fechou seis contratos com o governo federal que somam R$ 85,7 milhões. Ao menos cinco foram celebrados após processos licitatórios. O maior contrato foi firmado com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família
Com Trump e bandeira americana, Flávio ameaça o Brasil com um outro tipo de golpe

Com Trump e bandeira americana, Flávio ameaça o Brasil com um outro tipo de golpe Além de correr o risco de ficar refém de presidente dos EUA, se vencer, Flávio Bolsonaro está brincando com fogo na eleição Por Eliane Cantanhêde | O Estado de S.Paulo 17/08/2026 O candidato a presidência pelo PL , Flávio Bolsonaro , participa de ato na praia de Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro Foto: Pedro Kirilos/Estadão Os Estados Unidos e o presidente Donald Trump estão no centro da campanha eleitoral do Brasil e isso não vai parar, só piorar, com o presidente Lula usando a “soberania nacional” como sua principal bandeira e o senador Flávio Bolsonaro trocando o slogan “Pátria e Família” por imensas bandeiras americanas nos seus palanques. Esse contraste pode ser mais um erro de Flávio, um novo tiro no pé, num momento em que Trump e seu franco atirador Marco Rubio aumentam a pressão e acrescentam mais ameaças ao Brasil, além dos tarifaços que causam prejuízos à economia, aos negócios, a empregadores e empregados do Brasil. O que o eleitor independente acha disso? Não se espere que o senador repita a tentativa de golpe militar de Jair Bolsonaro, até porque as Forças Armadas, que já negaram apoio aos delírios autoritários do pai, muito menos dariam ao filho. Não há como descartar, porém, um outro tipo de golpe contra o Brasil: a entrega do País, de bandeja, para os EUA. Lula, que é favorito no primeiro turno, mas vai enfrentar uma pedreira no segundo, não vai desperdiçar a chance de explorar que Flávio ofereceu uma “equipe de transição” para os EUA, assim que (e se) for eleito, o que foi lido como um contrato: Trump interfere na eleição e Flávio paga dando o que ele quiser depois. A moeda é o interesse brasileiro. O Brasil é um País enorme e de riquezas extraordinárias, que incluem petróleo, que Trump adora, e terras raras, onde está o futuro. E ele pode exigir, por exemplo, que os EUA exportem etanol de milho para o Brasil – que tem o etanol de cana, melhor sob vários ângulos – e que os bancos, cartões e plataformas americanos não sofram qualquer fiscalização ou restrição no País. Também não está fora do radar a possibilidade, ou melhor, o enorme temor, de o governo Trump usar suas próprias regras e leis para aventuras militares nas nossas fronteiras ou águas internacionais, sob o pretexto de combater o PCC e o CV, que os EUA classificam, matreiramente, como “terroristas”. Não se esqueçam que Flávio já manifestou “inveja” quando Trump passou a bombardear embarcações da Venezuela, como ensaio, ou teste, para invadir o País, sequestrar o então presidente Nicolas Maduro e dedicar uma das maiores reservas petrolíferas do mundo para… empresas americanas. Tudo isso, inclusive a tentação de “agir” contra PCC e CV, já vem sendo sinalizado abertamente, ora por Trump, ora por Rubio e, vez ou outra, por assessores de primeiro, segundo ou até terceiro escalão. A mais recente ameaça foi revelada pelo jornal britânico Finantial Times: a intenção de aplicar nova sanção contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, provavelmente a já testada Lei Magnitsky. Se Moraes tem problemas e é alvo de críticas, isso é uma questão estritamente interna, que só diz respeito às instituições do Brasil e aos brasileiros. Não é admissível, sob qualquer hipótese, que um país estrangeiro venha se meter na Justiça, na política ou em qualquer outra frente nacional. Já não bastam os tarifaços sob falsos dados e argumentos? Por sinal, o governo Trump quer usar a quebra do sigilo da fonte contra Moraes. Como, se o próprio Trump faz o mesmo? E é esse Trump, que já acusou e volta a acusar o Brasil de censura e de não ser democrático, o mesmo que acaba de puxar o tapete da democrática Coréia do Sul para se pendurar em Kim Jong-Un, o ditador alucinado da Coréia do Norte. Trump não está nem aí para democracia, só pensa em poder, dominação e dinheiro e se alia aos que possam lhe garantir isso. À custa do quê? Da soberania dos seus países. Os bolsonaristas engolem qualquer versão, mas os independentes, não, e eles tendem a ser decisivos em eleições apertadas, como a de 2026. Além de correr o risco de ficar refém de Trump, se vencer, Flávio está brincando com fogo na eleição. 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PF encontra mensagem em que Lulinha e lobista investigada por fraudes no INSS tratam de negócios: ‘Nosso futuro é Suíça’

PF encontra mensagem em que Lulinha e lobista investigada por fraudes no INSS tratam de negócios: ‘Nosso futuro é Suíça’ Defesa de filho do presidente afirma que vai pedir apuração sobre ‘instrumentalização de parte das nossas instituições por interesses políticos e eleitorais’ Por Patrik Camporez e Sarah Teófilo | O Globo 17/08/2026 Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha — Foto: NELSON ALMEIDA / AFP Brasília – A lobista Roberta Luchsinger, investigada por suspeita de participação no esquema de fraudes do INSS, disse em mensagens a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que os dois trabalham em “outro” nível e que o futuro deles é a Suíça. Os diálogos estão sendo analisados pela Polícia Federal. A defesa de Lulinha disse que vai pedir uma investigação sobre a “instrumentalização de parte das nossas instituições por interesses políticos e eleitorais”. O conteúdo foi revelado pelo Metrópoles e confirmado pelo GLOBO. Um dos diálogos em poder dos investigadores ocorreu em 22 de março de 2024. A lobista diz a Lulinha: “Nosso nível tá outro. Nosso futuro é Suíça. Poucos negócio é bom (sic). Esse povo aqui tá em outra vibe”. O filho do presidente responde em seguida: “Isso. Deixa eles. Trabalho para caralho e nunca dá em nada”. Lulinha está sendo investigado em três inquéritos em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de tráfico de influência no governo federal. Uma das linhas seguidas pelos investigadores é a relação com a lobista, que tentou fechar contratos com a União. Os dois são amigos, e a relação já foi questionada por Lula em conversa com o filho. Na mensagem, Lulinha disse ainda ter participado de reuniões com Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, e com o ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Swedenberger Barbosa. Quando a conversa ocorreu, Marcola despachava no gabinete presidencial e cuidava da agenda do presidente com parlamentares, ministros e empresários. Procurada, a defesa do filho do presidente disse que “reafirma sua confiança nas instâncias formais e adequadas de apuração dos fatos e se manifestará nos autos em momento adequado, somente após o acesso integral aos dados obtidos pelas quebras de sigilo”. A defesa disse ainda que solicitará, “uma vez mais, rígidas apurações da nefasta instrumentalização de parte das nossas instituições por interesses políticos e eleitorais”. “Caso estejamos diante de mais um lamentável episódio de violação do dever de sigilo funcional — crime previsto no art. 325 do Código Penal —, o recorte seletivo e a divulgação parcial das referidas supostas mensagens revelam um abandono de qualquer pretensão de imparcialidade e de obediência às leis, deixando de lado a verdade ou o interesse público para buscar, por meio da exposição midiática, efeitos que a via processual legítima e adequada não permitiria”, acrescentou. A defesa de Roberta Luchsinger não se manifestou. Repasses ao “Careca do INSS” Segundo as investigações, Roberta Luchsinger recebeu repasses do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, que somam R$ 1,5 milhão e seriam referentes a serviços de consultoria, segundo ela. Em uma das transferências, o empresário informou a um interlocutor que o dinheiro era destinado ao “filho do rapaz”, possivelmente em referência a Lulinha, segundo a PF. Conforme mostrou o colunista Lauro Jardim, do GLOBO, a PF desconfia que Luchsinger buscava diferentes formas de agradar o entorno de Lula. As investigações descobriram que ela comprou duas joias que Marcola pediu para presentear familiares no Dia das Mães de 2024. A investigação da PF aponta que Marcola enviou por WhatsApp a foto do modelo, e Roberta pagou a fatura de R$ 9,2 mil. Segundo o colunista Lauro Jardim, ao longo de 2024, a lobista repassou a ele um total de R$ 217 mil, entre transferências bancárias, pagamento de boletos e presentes. Em abril deste ano, depois de a PF já ter apreendido o celular de Roberta, Marcola devolveu R$ 249 mil. A diferença corresponderia ao total desembolsado pela lobista, acrescido de juros e correção monetária. O ex-chefe de gabinete classificou os repasses como um “empréstimo” e disse já ter quitado o valor. Ele deixou a equipe da coordenação da campanha de Lula à reeleição após o episódio vir à tona, há duas semanas. 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