Politicaria é um termo pejorativo que define a prática da política voltada para interesses particulares, mesquinhos ou clientelistas. É o famoso “toma lá, dá cá” ou a troca de favores em benefício próprio.

As consequências do 

seu voto

Vorcaro bancou modelos com jatinhos e hotéis de luxo para cortejar elite política (VIDEO)

Vorcaro bancou modelos com jatinhos e hotéis de luxo para cortejar elite política

Vorcaro bancou modelos com jatinhos e hotéis de luxo para cortejar elite política (VIDEO) Especialistas afirmam que oferta de companhia feminina equivale a propina Defesa do ex-banqueiro não quis se manifestar; locais que receberam convidadas dizem que não falam sobre clientes Por Alexa Salomão, Joana Cunha e Dani Braga | Folha de S.Paulo 08/04/2026 Montagem mostra Daniel Vorcaro durante festa em Trancoso, na Bahia, em outubro de 2022; modelos estrangeiras passaram por São Paulo e Rio de Janeiro, onde se hospedaram em endereços luxuosos e usaram jatinhos São Paulo – Não é lenda urbana. Uma parte importante do negócio de Daniel Vorcaro, quando dono do Banco Master, foi investir em eventos para autoridades da República com muitas mulheres — e é fato que havia moças de Rússia, Ucrânia, Lituânia, Holanda, México e Venezuela, para citar exemplos de nacionalidades. Cruzando entrevistas, postagens em redes sociais e documentos da PF (Polícia Federal), a Folha identificou 20 dessas mulheres que participaram de festas, 14 com perfis públicos no Instagram. Procuradas pela reportagem, elas não comentaram sobre os eventos nem sobre Vorcaro. Havia também brasileiras. Entre elas, algumas deixaram estados como o Rio Grande do Sul e Santa Catarina em busca de oportunidades e contatos para ascender profissionalmente e acabaram aceitando a oferta de apoio financeiro da equipe de Vorcaro para ficar à disposição dos eventos. A importância desses encontros para Vorcaro e a razão da presença dessas mulheres foram definidas por ele à então noiva, Martha Graeff, durante uma discussão. Graeff estava indignada porque ele mantinha contato na rede social com mulheres que ela considerava “putas”. “Fazia parte do meu ‘business’. Nunca te escondi o que fiz, e por que fiz. Fiz festa com 300 desse tipo”, escreveu Vorcaro, em uma troca de mensagens datada de 18 de agosto de 2025, levantada pelas investigações em um dos celulares do ex-banqueiro.Segundo entrevistas feitas pela reportagem com 17 executivos que foram a algum desses eventos ou ouviram relatos de quem frequentou, o mencionado “business” foi bem estruturado. Como a Folha mostrou, Vorcaro organizou infraestrutura, equipe e logística para que seus encontros pudessem ocorrer em dias úteis à margem de eventos oficiais no Brasil e no exterior, já que seu público-alvo eram políticos e outras autoridades que precisavam retornar às suas bases e famílias nos finais de semana. Procurada, a defesa de Vorcaro informou que não se manifestaria sobre o tema. Muitas das modelos mantêm contato com o promotor de eventos Diogo Batista e a influencer Karolina Trainotti. Batista era visto com frequência nos hotéis de luxo Unique e Rosewood, em São Paulo. Reportagem da Folha mostrou que Batista fazia a ponte com as modelos e participava da organização dos eventos até 2024, quando teve um desentendimento com Vorcaro. Parte do trabalho, então, foi transferida para Trainotti — a mesma que recebeu um apartamento de quase R$ 4,4 milhões, em São Paulo, da Super Empreendimentos, empresa ligada a Vorcaro e investigada pela PF. Ambos foram procurados pela reportagem e não se manifestaram. NOITE INDÍGENA EM TRANCOSO As primeiras notícias sobre as festas de Vorcaro citavam eventos em Trancoso, na Bahia. Detalhes de um deles foram parar em um processo judicial sobre questões imobiliárias. Vorcaro queria discrição e alugou a casa em nome de um terceiro. A festa, porém, ficou famosa por causa do excesso de gente, barulho e avarias, que ele precisou pagar. Os convidados quebraram copos, taças, a luminária de uma das suítes e até uma cobra de madeira maciça, usada na decoração. A Folha localizou imagens dessa festa, que ocorreu em outubro de 2022, às vésperas do aniversário do ex-banqueiro. Modelos ficaram alguns dias na casa, mas a comemoração ocorreu na terça e na quarta-feira, dias 4 e 5. A reportagem apurou que estrangeiras vieram ao Brasil em voos de primeira classe, passaram aproximadamente um mês no país, hospedadas em endereços caros, como o hotel Rosewood, e uma casa em Joá, no Rio de Janeiro —tudo pago pelo ex-banqueiro, como mostram os orçamentos coletados pelas investigações da PF. Depois de chegar ao Brasil, elas usaram como transporte aeronaves de Vorcaro. Em Trancoso, foi utilizado o aeródromo privado Terravista. Os aviões foram fotografados e filmados por essas convidadas. Houve dança e performance com tochas, DJ e banda de MPB e pagode com apresentação da cantora e atriz Emanuelle Araújo, que agora está no ar na novela “A Nobreza do Amor”, na Globo. Procurada, a assessoria de imprensa da cantora diz que faz muito tempo, e ela não se recorda da festa. A decoração foi inspirada na Amazônia. Os convidados receberam cocares de índio para entrarem no clima. Há uma cena em que Vorcaro aparece dançando com um desses adereços. O promotor de eventos Diogo Batista foi vestido de índio dos Estados Unidos e passou o mês acompanhando as convidadas. BELDADES NO HALLOWEEN E NA F1 O número de mulheres foi especialmente elevado na semana que antecedeu o GP de Fórmula 1 no Brasil, em 2023, segundo relatos feitos à Folha. O Master foi um dos patrocinadores da equipe Aston Martin Aramco, por isso, tinha acesso a áreas VIP e à estrutura da equipe para receber convidados durante as corridas. Recentemente, uma das mulheres que participaram dos eventos ganhou projeção nas redes sociais do Brasil: a russa que aparece nos contatos da agenda de Vorcaro como “My Future Wife”. Diante da repercussão na internet, ela fez uma postagem que viralizou, agradecendo o carinho do Brasil. A Folha fez contato com ela pelo Instagram, mas não obteve resposta. A corrida ocorreu no domingo, 5 de novembro, e foi antecedida por uma festa de Halloween, na virada de terça, 31 de outubro, para quarta, 1º de novembro, que também serviu como comemoração tardia de aniversário de Vorcaro. O detalhado orçamento do evento foi de US$ 4,5 milhões, ou R$ 22,5 milhões na cotação da época, apontam os documentos da PF. A complexa logística para trazer ao Brasil modelos e DJs famosos incluiu transfers em Verona, na Itália, Barcelona, na Espanha, e Santa Bárbara, nos EUA. Além dos voos, havia registro de uma passagem de ônibus de Kiev, capital da Ucrânia, para Varsóvia, na Polônia, indicando que entre os participantes estava alguém que atravessou a guerra na

Flávio Bolsonaro é denunciado à PGR por entrega de relatório a Trump: “Espião dos EUA”

Flávio Bolsonaro é denunciado à PGR por entrega de relatório a Trump: “Espião dos EUA”

Flávio Bolsonaro é denunciado à PGR por entrega de relatório a Trump: “Espião dos EUA” Representação ocorre em meio a declarações no exterior e a outras iniciativas judiciais envolvendo a família Bolsonaro, elevando a pressão política sobre o debate de soberania e atuação internacional de agentes públicos Por Ivan Longo | Revista Fórum 08/04/2026 06:28 Flávio Bolsonaro no CPAC, nos EUA – Foto: LEANDRO LOZADA / AFP O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou, nesta terça-feira (7), uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após declarações em que o parlamentar admitiu ter enviado um relatório de inteligência brasileiro a autoridades dos Estados Unidos. Segundo Lindbergh, a conduta pode configurar violação da soberania nacional e uso indevido de informações sensíveis. O parlamentar classificou a atitude como gravíssima. “Ele age como traidor da pátria, como espião dos Estados Unidos”, afirmou Lindbergh. Relatório sigiloso enviado aos EUA A representação tem como base uma fala pública de Flávio Bolsonaro, na qual ele afirma ter recebido um documento classificado como “reservado” e o encaminhado diretamente à Embaixada dos EUA, à Casa Branca e ao senador norte-americano Marco Rubio. “Eles trouxeram pra mim um relatório de inteligência que é classificado. […] Eu mesmo enviei, oficialmente, para a Embaixada dos Estados Unidos e para a Casa Branca”, declarou Flávio. Para Lindbergh, o episódio não é isolado, mas parte de um padrão político: “Isso tem nome: traição à soberania. Eles se oferecem para entregar o Brasil como uma colônia aos Estados Unidos.” A PGR deverá avaliar se houve crime na conduta do senador, incluindo possível quebra de sigilo e atentado contra interesses nacionais. CPAC, Trump e promessa de “pressão” sobre o Brasil O caso ocorre em meio à repercussão da participação de Flávio Bolsonaro no CPAC, evento da direita conservadora realizado nos Estados Unidos e ligado ao ex-presidente Donald Trump. Na ocasião, o senador pediu que os EUA exercessem “pressão diplomática” sobre o Brasil e sugeriu que o país deveria ser monitorado internacionalmente no contexto eleitoral — o que gerou forte reação política. Além disso, Flávio declarou que o Brasil poderia ser estratégico para os interesses americanos na disputa global por minerais críticos, incluindo terras raras — recurso essencial para tecnologia e defesa. A fala foi interpretada por aliados do governo como sinal de alinhamento com interesses estrangeiros, levantando debate sobre soberania nacional e interferência internacional nas eleições brasileiras. Escalada: ação contra Eduardo Bolsonaro no STF A ofensiva de Lindbergh Farias não se limita a Flávio. Em movimento paralelo, o deputado também acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) contra Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Na ação, Lindbergh pede medidas como prisão preventiva, extradição e inclusão do ex-parlamentar na lista da Interpol, após declarações em que Eduardo afirmou buscar apoio de autoridades estrangeiras — inclusive ligadas ao governo Trump — para questionar o sistema eleitoral brasileiro. O pedido foi protocolado junto ao ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal em que Eduardo Bolsonaro já figura como réu por coação. Lindbergh Farias sustentou a gravidade da situação, afirmando que “a gravidade da declaração é manifesta, uma vez que o réu não formula mera crítica política, nem se limita a reproduzir opinião genérica sobre o processo eleitoral. O que anuncia é a continuidade de uma estratégia de pressão estrangeira sobre autoridades brasileiras, agora voltada explicitamente contra a Justiça Eleitoral em pleno ano de eleição presidencial”. Ele acrescentou que a permanência do acusado no exterior, somada à reafirmação pública de usar o estrangeiro como base de operação política contra tribunais brasileiros, “reforça o risco de continuidade da conduta e de comprometimento da plena efetividade da jurisdição penal”. Debate sobre soberania domina cenário político Os episódios envolvendo Flávio e Eduardo Bolsonaro colocaram no centro do debate político temas como soberania nacional, interferência externa e o papel do Brasil na geopolítica global. Há um padrão bolsonarista de internacionalização do conflito político interno, com aproximação de setores da extrema direita norte-americana e apelos por intervenção externa. Enquanto isso, a decisão da PGR sobre a representação contra Flávio Bolsonaro pode se tornar um novo capítulo de alta tensão institucional — com impacto direto no cenário político rumo às eleições de 2026. Notícia anteriorPróxima notícia Deputado FederalPL Partido LiberalProcuradoria Geral da República PGRPT Partido dos TrabalhadoresSenadorSTF PGR se manifesta a favor de eleições diretas para governador do Rio de Janeiro 08/04/2026 Flávio Bolsonaro é denunciado à PGR por entrega de relatório a Trump: “Espião dos EUA” 08/04/2026 Flávio Bolsonaro e Adriano da Nóbrega: O ‘parça’ do matador de aluguel quer ser presidente 07/04/2026 Nome E-mail Comentário Enviar Facebook X-twitter Youtube More than 2 results are available in the PRO version (This notice is only visible to admin users) PGR se manifesta a favor de eleições diretas para governador do Rio de Janeiro Flávio Bolsonaro é denunciado à PGR por entrega de relatório a Trump: “Espião dos EUA” Flávio Bolsonaro e Adriano da Nóbrega: O ‘parça’ do matador de aluguel quer ser presidente Flávio Bolsonaro e Adriano da Nóbrega: O ‘parça’ do matador de aluguel quer ser presidente Com eleição questionada na Justiça e boicote da oposição, Douglas Ruas é eleito presidente da Alerj e deve assumir o governo do RJ Notícia não encontrada

Flávio Bolsonaro e Adriano da Nóbrega: O ‘parça’ do matador de aluguel quer ser presidente

Flávio Bolsonaro e Adriano da Nóbrega: O ‘parça’ do matador de aluguel quer ser presidente

Flávio Bolsonaro e Adriano da Nóbrega: O ‘parça’ do matador de aluguel quer ser presidente Entenda em profundidade a relação do senador que hoje almeja o Palácio do Planalto com seu amigo íntimo, um dos milicianos e assassinos mais violentos do Brasil, que executava por encomenda Por Henrique Rodrigues | Revista Fórum 07/04/2026 15:45 O miliciano matador Adriano da Nóbrega e o senador Flávio Bolsonaro – Fotos: Reprodução e Wilson Dias/Agência Brasil O submundo do Rio de Janeiro é um labirinto onde a política institucional e o crime organizado frequentemente dividem o mesmo café, a mesma viatura e, em casos mais sombrios, a mesma folha de pagamento. No centro desse labirinto, surge uma conexão que desafia a lógica da “moral e dos bons costumes” pregada pela família Bolsonaro: a amizade de décadas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega. Enquanto Adriano ascendia como o “capo dos capos” no chamado Escritório do Crime, uma multinacional da pistolagem que cobrava cifras milionárias para fuzilar rostos à luz do dia, Flávio o tratava como herói. A face de “pessoa de bem” do senador, que agora pavimenta seu caminho rumo a uma pretensa candidatura presidencial, esconde uma biografia entrelaçada com a maior escória criminosa que o país já viu. O “bate-pronto” que virou segurança: Como tudo começou A história entre os dois não teve início em gabinetes acarpetados do universo político, mas sim nas ruas da Tijuca, em 2002. Foi após o roubo de um carro de Flávio Bolsonaro que Adriano da Nóbrega entrou em cena de forma definitiva. O então oficial da PM não apenas recuperou o veículo, como passou a atuar como uma espécie de segurança informal do jovem que iniciava sua carreira política na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Os detalhes dessa amizade colorida são esmiuçados no livro-reportagem “Decaído“, do jornalista Sérgio Ramalho, lançado em 2023. Dali em diante, a relação floresceu sob a sombra da pólvora. Adriano, um homem de porte atlético e exímio atirador, tornou-se inclusive instrutor de tiro de Flávio, conforme o próprio senador admitiu em depoimento ao Ministério Público anos atrás. O que se desenhava naquela relação era uma simbiose perigosa. Na mesma época em que estreitava laços com o clã, o militar que se tornaria o sanguinário e temido “Capitão Adriano” já mergulhava em águas turvas, envolvendo-se no sequestro do filho de um dos chefes do Comando Vermelho, Isaías do Borel. Era o prelúdio de uma carreira que misturaria o distintivo com o capuz de executor, sempre sob o olhar complacente, quando não entusiasta, de seus padrinhos políticos. Medalha no cárcere: Cinismo elevado à categoria de honraria Se a proximidade já era um escândalo ético, o biênio 2004/2005 elevou o cinismo à categoria de método político. Adriano estava preso no Batalhão Especial Prisional (BEP), acusado de matar Leandro dos Santos Silva, um guardador de carros que tivera a audácia de denunciar tortura e extorsão praticadas por policiais. Mesmo atrás das grades e respondendo por um homicídio covarde e eivado de perversidade, o miliciano não foi esquecido. Flávio Bolsonaro, então deputado estadual, e seu pai, Jair Bolsonaro, à época deputado federal, visitaram o ex-capitão na prisão pelo menos duas vezes. Uma dessas visitas ocorreu durante um motim no BEP, onde os Bolsonaro alegaram estar “resolvendo uma crise”. Sim, eles iam à cadeia de ex-PMs bandidos rebelados para “negociar”. A outra foi ainda mais emblemática: uma cerimônia para a entrega da Medalha Tiradentes, a maior honraria do estado do Rio, proposta por Flávio. O então deputado não viu qualquer impedimento em condecorar um homem preso por assassinatos covardes. Pelo contrário, apresentou moções de louvor e discursos inflamados. O patriarca, da tribuna da Câmara Federal, reforçou o coro, chamando Adriano de “brilhante oficial” e “herói”. Pois é, um miliciano perverso, que matava por encomenda, sendo elogiado em duas casas parlamentares por pai e filho. O que os Bolsonaro chamavam de heroísmo, a Justiça e os moradores das favelas viam como barbárie sistêmica. “Rachadinha” e o elo financeiro do Escritório do Crime A amizade não era apenas ideológica ou de “instrução técnica”; ela era, sobretudo, financeira. As investigações do Ministério Público do Rio sobre o esquema de “rachadinha” no gabinete de Flávio Bolsonaro revelaram que os tentáculos de Adriano chegavam diretamente ao orçamento público. O operador Fabrício Queiroz, amigo comum de ambos desde os tempos do 18º Batalhão em Jacarepaguá, foi a ponte necessária. Foi por meio de Queiroz que a mãe de Adriano, Raimunda Veras Magalhães, e sua ex-mulher, Danielle Mendonça da Costa, foram lotadas no gabinete de Flávio por anos como funcionárias fantasmas. O MP apontou que elas jamais trabalharam efetivamente e que o próprio Adriano se beneficiava do confisco dos salários. Em mensagens interceptadas, o miliciano deixava claro que contava com o dinheiro repassado por Danielle a Queiroz. O fluxo financeiro não parava por aí: contas ligadas a Adriano foram usadas para transferir valores ao operador do esquema, evidenciando que o crime organizado e o mandato parlamentar operavam em conta conjunta. Enquanto Flávio desfilava como defensor da lei, o dinheiro que mantinha seu ecossistema político vinha, em parte, de um homem que transformava a morte em negócio. Escritório do Crime: Gestão empresarial da barbárie Enquanto Flávio crescia politicamente, Adriano profissionalizava o assassinato de aluguel. O Escritório do Crime, grupo criado em 2009 e liderado por ele, era uma estrutura de gestão praticamente empresarial. Com cerca de 70 “funcionários” divididos em núcleos de inteligência, finanças e logística, a quadrilha diversificou seus lucros. Eles dominavam o setor imobiliário ilegal, erguendo prédios irregulares na Muzema e em Rio das Pedras que muitas vezes desabavam sobre os moradores. Além disso, controlavam a venda de gás, internet clandestina e praticavam agiotagem, faturando até R$ 1,6 milhão por mês apenas com empréstimos a juros extorsivos. A especialidade, contudo, permanecia sendo a pistolagem de elite. Utilizando táticas aprendidas no Bope, os matadores de Adriano monitoravam a rotina de suas vítimas por meses, usavam veículos clonados e roupas camufladas. Cada encomenda de morte custava entre R$ 100 mil e R$ 1,5 milhão. O método preferido, o tiro de fuzil no rosto, servia como um recado de impunidade. O “Capitão” exercia tal fascínio e temor que, mesmo expulso da PM em 2014, continuava sendo reverenciado

Nikolas Ferreira: saiba tudo sobre a ligação entre o deputado e o Banco Master

Nikolas Ferreira: saiba tudo sobre a ligação entre o deputado e o Banco Master

Nikolas Ferreira: saiba tudo sobre a ligação entre o deputado e o Banco Master Uso de jatinho do empresário e número encontrado em celular aumentaram suspeitas sobre deputado no caso Por Redação | Revista Fórum 07/04/2026 11:43 Nikolas Ferreira com a influenciadora Jey Reis, o pastor Guilherme Batista e a esposa dele, Mariel Batista, em frente ao jato de Vorcaro (Reprodução / Instagram) O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) é alvo de várias representações na Justiça por ter usado diversas vezes o avião de Daniel Vorcaro, hoje investigado pelo maior escândalo financeiro do país, para fazer campanha para Jair Bolsonaro em 2022. Além disso, o número do parlamentar junto de outros deputados da extrema direita, foi encontrado no WhatsApp do banqueiro. Diante dos desdobramentos, a Fórum reuniu o que se sabe até agora sobre as ligações do deputado bolsonarista com o empresário. Uso de jatinho de Vorcaro em 2022 O jato, modelo Embraer Phenom 300, foi utilizado por Nikolas em deslocamentos da caravana bolsonarista “Juventude pelo Brasil”, que fazia parte da campanha para o então presidente, segundo o jornal O Globo. Os voos ocorreram ao longo de cerca de dez dias, com viagens a pelo menos nove estados e ao Distrito Federal, especialmente em regiões onde Bolsonaro havia sido derrotado no primeiro turno. Além de agendas políticas, há registros de que o deputado também utilizou a aeronave para ir a Brasília e participar de reuniões com Bolsonaro durante o período eleitoral. A ação buscava ampliar a votação em regiões onde o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia liderado no primeiro turno, numa tentativa de reverter o cenário na reta final da disputa. Nikolas aparece em frente a aeronave com a influenciadora religiosa Jey Reis, o pastor Guilherme Batista e a esposa dele, Mariel Batista, em publicação no dia 25 de outubro de 2022. “Em 5 dias rodamos todas as capitais do Nordeste com lotação máxima em todos os lugares! A oportunidade de viver isso com esse mega time, pregar e mostrar amor pelo nosso país foi inesquecível”, escreve a influenciadora. No carrossel de fotos aparecem ainda outros bolsonaristas, como os deputados Filipe Barros (PL-PR) e André Fernandes (PL-CE). Em sua defesa, o deputado mineiro afirma que não sabia quem era o dono do jatinho e que ele foi alugado pelo evento “Juventude pelo Brasil”. Suspeitas de caixa 2 e lavagem de dinheiro Nas representações protocoladas contra Nikolas, parlamentares apontam que o uso do avião de Vorcaro por Nikolas levanta suspeitas de caixa 2 na campanha, já que os custos do transporte não teriam sido declarados, além de indicarem um esquema ainda mais amplo de lavagem de dinheiro envolvendo o caso do Banco Master e o escândalo do INSS. A deputada federal Sâmia Bonfim (PSOL-SP) foi uma das que acionou Nikolas na Justiça. A parlamentar protocolou uma representação junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o bolsonarista, no âmbito do Inquérito nº 5.026, que trata do caso do Banco Master. No ofício encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso, Sâmia argumenta que os fatos noticiados podem ter relevância jurídica no contexto das investigações que apuram possíveis irregularidades envolvendo o banco e seu principal dirigente à época. Para a deputada, é necessário esclarecer se houve vínculo material relevante entre o parlamentar e o grupo empresarial sob investigação, especialmente por se tratar de período eleitoral. “O exercício do mandato parlamentar não pode ser escudo para práticas que transbordem a atividade político-representativa legítima”, afirma trecho do documento enviado ao Supremo, citando entendimento da Corte sobre responsabilização de agentes públicos quando há indícios de condutas ilícitas. Além de solicitar a oitiva de Nikolas Ferreira, Sâmia pede que o ofício seja anexado aos autos do inquérito e que a autoridade policial responsável pela Operação Compliance Zero seja comunicada para avaliar eventual abertura de diligências sobre o caso. TSE e PGR oficiados para investigar Nikolas O documento também solicita que a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sejam oficiados para analisar possíveis desdobramentos nas esferas penal e eleitoral. Segundo a parlamentar, a eventual utilização de estrutura vinculada a Daniel Vorcaro pode indicar a necessidade de ampliar o escopo das investigações para apurar possíveis contrapartidas, favorecimentos ou influência indevida perante quaisquer dos Poderes da República. Já os deputados Rogério Correia (PT-MG) e Lindbergh Farias (PT-RJ) acionaram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra Nikolas por suspeita de caixa 2 na campanha de 2022. A ação pode levar à cassação do deputado. “Para fazer campanha em um jatinho como esse, você precisa de todos os valores discriminados. Se não é caixa 2. É crime eleitoral”, disse Lindbergh em vídeo divulgado nas redes sociais. “Nikolas Ferreira precisa explicar ao Brasil quem pagou a conta. Eu e o deputado Rogério Correia entramos com representação na Procuradoria-Geral Eleitoral para investigar o uso de um jato ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro durante a campanha de 2022. Se confirmadas as informações, não estamos falando só de luxo em campanha. Estamos falando de possível crime eleitoral e de política financiada por interesses privados, justamente por quem vive posando de ‘paladino da moral’ nas redes. E a pergunta é simples: Quem bancou? Por quê? E o que esperava em troca?”, escreveu ainda Lindbergh na publicação. O deputado federal Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) também afirmou que é preciso investigar a relação do deputado com Vorcaro. Como justificativa do pedido de investigação contra Nikolas Ferreira, o pastor cita a foto publicada nas redes do pastor mineiro em que aparece ao lado do pastor André Valadão, da Igreja da Lagoinha, dentro de um jatinho de Daniel Vorcaro, utilizado por Ferreira durante o segundo turno da eleição presidencial de 2022. “Pastor André Valadão junto com Nikolas Ferreira no jatinho de Daniel Vorcaro viajando pelo Brasil na campanha de [Jair] Bolsonaro em 2022. Essa foto é muito simbólica. Nós estamos há um ano com várias ações. Já oficiamos a Polícia Federal, a Receita Federal e o Banco Central pedindo investigação […] da relação entre o pastor André Valadão e Daniel Vorcaro.” Nikolas também é alvo de uma representação protocolada na Procuradoria-Geral

BRB comprou R$ 1,5 bilhão em fundos da Reag após Carbono Oculto

BRB comprou R$ 1,5 bilhão em fundos da Reag após Carbono Oculto

BRB comprou R$ 1,5 bilhão em fundos da Reag após Carbono Oculto Documentos exclusivos obtidos pelo Metrópoles revelam que ativos têm mesma característica da fraude investigada pela PF na Carbono Oculto Por Demétrio Vecchioli e Isadora Teixeira | Metrópoles 07/04/2026 07:07 Arte/Metrópoles O Banco de Brasília (BRB) comprou R$ 1,5 bilhão em ativos que pertenciam ao Master e estavam investidos em fundos administrados pela Reag. As transações aconteceram depois que esta instituição financeira já havia sido alvo da Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, que investigava a utilização de fundos da Reag pelo PCC para lavar dinheiro. Boa parte dos ativos comprados pelo BRB – na verdade, admitidos em troca de devolução de carteiras fraudadas do Credcesta – tem as mesmas características de “fundo sobre fundo” apontadas pela PF como parte da fraude investigada na Carbono Oculto e que viria a causar a liquidação da Reag, e do próprio Master, em novembro de 2025. Documentos obtidos com exclusividade pelo Metrópoles, a partir da Lei de Acesso à Informação (LAI), mostram que as compras foram aprovadas pelas instâncias decisórias do BRB e pagas pelo Banco de Brasília antes da produção dos pareceres de risco que apontavam a semelhança com o que era investigado na Carbono Oculto. Quatro operações foram realizadas a toque de caixa, todas elas concluídas no dia 30 de setembro de 2025, a tempo de aparecerem nos balanços de terceiro trimestre tanto do BRB quanto do Master. O Banco de Brasília se livrava de carteiras sabidamente podres do Credcesta e as trocava por ativos que tinham aparência de serem saudáveis. Parecer assinado em 24 de setembro pela Diretoria de Finanças e Controladoria (Dific) e pela Superintendência de Operações Financeiras (Suope) do BRB aponta que a situação “impunha ao BRB postura ainda mais diligente na condução da proposta“. Havia “risco elevado e prazo exíguo” para avaliar os ativos que o Master oferecia para resolver o problema. Ainda assim, tudo foi aprovado. Sociedade do BRB com Roberto Justus explicada Em um dos negócios, o BRB comprou, por R$ 350 milhões, 100% das cotas do fundo FIP SH, que era dono de 30% das ações da Stellcorp, empresa de casas modulares. Isso explica como o BRB tornou-se sócio de Roberto Justus, que descobriu isso em janeiro de 2026, como ele próprio afirmou. Para fechar negócio rapidamente, foi combinado desconto de 33,25% no valor das ações, com cláusula que beneficiava o Master: se o BRB vendesse as ações no futuro por um valor mais alto, os dois dividiriam os lucros. Já o risco de desvalorização ficava todo com o BRB. O parecer conjunto de cinco superintendências do BRB apresenta diversas ponderações. Entre os alertas, estava o fato de que o fundo era administrado pela Reag e o Banco de Brasília ficaria a mercê dos interesses de uma entidade investigada na Carbono Oculto. O documento da área técnica do BRB também advertiu que o Master estava envolvido em “múltiplas investigações e com risco elevado de solvência”. Isso sem contar que o fundo investia em um único ativo, de baixa liquidez e rentabilidade incerta. As superintendências do BRB destacaram que o fundo era do tipo exclusivo com um único cotista: “Uma situação indesejável para fins de PLD/FTP (Prevenção à Lavagem de Dinheiro e Combate ao Financiamento do Terrorismo)“, já que omitia o beneficiário final do fundo, que passaria a ser o BRB. Tanto é que o próprio “dono” da Stellcorp, Roberto Justus, não sabia quem era seu sócio. Fundo inflado artificialmente Também em 30 de setembro de 2025, o Master pagou R$ 300 milhões pela compra de 83% das cotas do fundo FIP Trevi, que, por sua vez, era dono de 30% do patrimônio do FIP Novo Bairro. A aquisição aconteceu apesar de o BRB não ter ideia de onde o dinheiro chegava, já que documento mais recente do FIP Novo Bairro, também administrado pela Reag, havia sido enviado à Comissão de Valores Mobiliários um ano antes, citando carteira de R$ 300 milhões. Reportagem do Estadão mostrou que o FIP Novo Bairro investia na Novo Bairro S/A, empresa constituída para construir um condomínio em São Paulo a partir de empréstimos do Master. Em agosto – logo, na véspera do negócio citado nesta matéria –, a Reag alterou artificialmente a avaliação do patrimônio líquido do Novo Bairro S/A, de R$ 400 mil para R$ 1,7 bilhão. Assim, se o negócio tivesse sido feito em agosto, o BRB teria recebido 25% de um fundo que valia R$ 400 mil – logo, R$ 100 mil. Em 30 de setembro, com o valor do empreendimento corrigido artificialmente, os mesmos ativos valiam R$ 423 milhões, tendo sido comprados com “desconto” por R$ 300 milhões. Fundo sobre fundo sobre fundo… Outros R$ 315 milhões foram destinados à compra de 70% das cotas do Fundo de Investimento Imobiliário (FII) Brazil Realty, administrado pela Reag. Um dos relatórios da área técnica alertava que o fundo tinha estrutura “altamente concentrada e composta por ativos com baixa visibilidade pública”. Tratava-se de uma ampla cadeia de fundos sobre fundos, explicada no gráfico abaixo, que desencadeava em diversos projetos imobiliários na região de Belo Horizonte (MG), reduto da família Vorcaro. Na prática, o Master oferecia um terreno onde a família Vorcaro pretendia lançar, este ano, um projeto do Minha Casa Minha Vida, denominado Mountain View; o projeto de um hospital em Nova Lima, um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) da própria Reag; e 100% de um terreno urbano de 76 mil m² em Contagem, avaliado em R$ 300 milhões. Chama a atenção o laudo de precificação desse terreno, que calculou cada metro quadrado a R$ 3,9 mil a partir de pesquisa que mostrava como exemplo outro imóvel na mesma cidade com o metro quadrado cotado a R$ 984 – quatro vezes menos. Isso apesar de o terreno que agora pertence ao BRB ser menos atrativo: tem uma das laterais em curva, faz divisa com a linha do trem e só uma pequena frente que dá para a avenida. A quarta operação envolvendo a Reag foi a compra, por R$ 350 milhões, das ações do fundo Strelitzia FIP, dono de 39%

O onipresente

O onipresente

PF cita falta de servidores e pede a Mendonça mais prazo para concluir análise de material apreendido em investigação que menciona Lulinha Como Davi Alcolumbre opera – na luz e nas sombras Por Allan de Abreu e Camille Lichotti | Piauí 31/03/2026 Como Davi Alcolumbre opera – na luz e nas sombras O senador Davi Alcolumbre é um bonachão. Gosta de boa comida, boa bebida, música alegre. Na juventude, depois de encerrar o expediente na loja dos seus pais, a Shalom Autopeças, ligava as caixas de som automotivo e convocava os amigos para uma festa com música alta e bebida farta ali mesmo, na calçada da loja. Na Câmara, onde exerceu três mandatos de deputado de 2003 a 2015, costumava escapar das sessões plenárias para tomar vinho e confraternizar em restaurantes de Brasília, em especial no Dom Francisco, local tradicional da capital. Quando voltava de suas andanças pelo interior do seu estado, o Amapá, divertia os colegas mostrando vídeos das viagens, nos quais aparecia dançando brega e tecnobrega, dois ritmos populares na região. Quando foi eleito para a presidência do Senado pela primeira vez, Alcolumbre agradeceu o apoio abraçando e beijando testas e mãos dos aliados. “Ele visita meu gabinete e se deita no sofá”, descreve o senador Plínio Valério (PSDB-AM), que já teve entreveros com o colega. “Você vai ficar com raiva do cara que te abraça e beija sua mão?” Um dia, Alcolumbre se desentendeu com uma senadora e, semanas depois, apareceu num evento organizado pelo filho dela – e se esbaldou. Em que pese a desvantagem de seus quilos generosos, vestiu calção, chuteira, meião e entrou em campo. “Ele corria de um lado para o outro. É uma coisa que alegra, que gera simpatia pela pessoa”, diz o ex-senador Antonio Anastasia, hoje no Tribunal de Contas da União. Como a política pune a arrogância e premia a simpatia, Alcolumbre tem sido um sucesso em Brasília. Depois de exercer apenas metade do mandato de vereador em Macapá, mudou-se para a capital federal ao ser eleito deputado. Em 2015, após três mandatos, trocou a Câmara pelo Senado quando venceu a eleição com 36% dos votos. Em 2019, aos 41 anos, tornou-se o mais jovem presidente do Senado, derrotando o veterano Renan Calheiros (MDB-AL). Encerrou o mandato em 2021 e, no ano passado, voltou à presidência da Casa. Com sua figura de aparência despreocupada, conta piadas, atende pequenos e grandes pleitos e leva sorvete de açaí e cupuaçu para sobremesa nos almoços com colegas. Comerciante de origem, ele tem prazer em satisfazer o cliente. Um dia, uma assessora parlamentar do Ministério da Educação enfrentava dificuldades com o trâmite burocrático de sua licença-maternidade e recorreu à ajuda do senador, então vice-líder do governo de Michel Temer. Alcolumbre marcou uma reunião com um alto funcionário do MEC e intercedeu em favor da servidora. Deu certo. Em outra ocasião, mais recente, distribuiu canetas de Mounjaro aos colegas que duelavam com os quilos extras quando o medicamento nem circulava livremente no Brasil e custava mil reais a unidade. Esse é um Davi Alcolumbre, o bonachão. Há outro. Ao alto funcionário do MEC com quem tratou da licença-maternidade, pediu o favor embalado numa ameaça: “Vai ser ruim para você negar um pedido do vice-líder do governo, em pleno mês das mulheres”, disse, segundo uma testemunha, relacionando o pedido ao mês de março, época em que a conversa ocorreu.* Era uma modesta mostra de como Alcolumbre explora o peso do seu poder. Segundo o portal uol, as canetas Mounjaro de que dispunha eram um presente de um personagem radioativo, o empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, hoje foragido da Justiça por falcatruas no mercado de combustíveis e suspeitas de ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior organização criminosa do país. Era, outra vez, uma modesta mostra de sua rede explosiva de relações pessoais. Alcolumbre começou sua carreira no PDT, mas logo aderiu à direita, filiando-se ao PFL, que deu origem ao DEM, que, por sua vez, virou União Brasil, essa legenda que aparece em onze de cada dez escândalos nacionais. Na transição entre o DEM e o União Brasil, quando a direita e a extrema direita varreram as urnas do país, sua vida política tomou um impulso decisivo. De início, como deputado federal, Alcolumbre restringia-se à política miúda. Integrava o chamado baixo clero, formado pela massa de parlamentares que atuam com a precisão das águias na defesa de seus interesses, mas não têm voz nas grandes questões nacionais. Logo na estreia em Brasília, seu nome apareceu em gravações interceptadas pela Polícia Federal, nas quais o então prefeito de Macapá e um empresário atribuíam ao jovem deputado a definição de valores de emendas parlamentares destinadas a obras públicas com licitações fraudulentas. A investigação não avançou. Em 2013, reapareceu em interceptações telefônicas, desta vez em conversa com o doleiro Fayed Traboulsi, participando de um esquema de lavagem de dinheiro e desvios de fundos de pensão. As provas acabaram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal. Ainda na sua época de deputado, uma reportagem publicada no jornal O Estado de S. Paulo mostrou que Alcolumbre usava toda a verba de combustível do seu gabinete (9,3 mil reais mensais, em valores atualizados) em postos de propriedade do seu tio Salomão, uma prática proibida por lei. Seu gabinete respondeu que a família era dona de cerca de 70% dos postos do Amapá, “sendo inviável não abastecer na empresa de parentes”. (Ainda hoje, em plena era do Pix, alguns postos da família só aceitam pagamento em dinheiro vivo.) Na Câmara, um de seus primeiros projetos foi batizar o Aeroporto Internacional de Macapá com o nome de outro tio, Alberto Alcolumbre, já falecido. Mas sua principal ocupação era servir de mensageiro do ex-presidente José Sarney, seu mentor e aliado no Amapá. Alcolumbre frequentava ministérios e gabinetes, resolvendo demandas do ex-presidente. Era convidado para as reuniões, festas e jantares na casa de Sarney, nos quais não dava palpite, mas observava a atuação dos cardeais da política. (Seu maior ídolo já

Flávio Bolsonaro chefiava esquema de corrupção em hospitais do Rio, denuncia deputado (VIDEO)

Flávio Bolsonaro chefiava esquema de corrupção em hospitais do Rio, denuncia deputado (VIDEO)

Flávio Bolsonaro chefiava esquema de corrupção em hospitais do Rio, denuncia deputado (VIDEO) Otoni de Paula (MDB) diz que desde nomeações até empresas que venciam licitações tinham que passar pelo crivo do senador, e afirmou ainda que “latrina de imoralidades virá à tona” assim que a campanha começar Por Henrique Rodrigues | Revista Fórum 30/03/2026 17:28 O deputado federal Otoni de Paulo e o senador Flávio Bolsonaro: Fotos: YouTube e Lula Marques/Reprodução O deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ), figura influente na poderosa bancada evangélica e nome sempre presente nas decisões políticas do bolsonarismo durante a presidência do líder extremista hoje condenado por golpe de Estado, resolveu não fazer rodeios e explicar porque a todo tempo se manteve contrário à indicação do nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato da extrema direita nas eleições deste ano: ele seria um criminoso corrupto que chefiaria um esquema na saúde pública federal de seu estado natal, afirma. As declarações foram dadas no programa Amado Mundo, apresentado pelos jornalistas Guilherme Amado e Beatriz Bulla, disponível no YouTube e em outras plataformas. Sem papas na língua, Otoni começou dizendo que não demorará muito para “uma lama, uma latrina de imoralidades vir à tona” e destruir a reputação de Flávio. Para o parlamentar, o que se passava na saúde pública federal do Rio nos anos do governo de Jair Bolsonaro é de conhecimento público e muita gente já está a par de tudo, esperando apenas o momento certo para trazer os fatos ao conhecimento público. “O que eu sei é o que corre nas calçadas do Rio de Janeiro, então não me peça provas, não me peça elementos até porque eu não sou investigador da Justiça… O que se comenta nos corredores da política do estado do Rio de Janeiro e é uma realidade é que, enquanto os hospitais federais estiveram na gestão do governo Bolsonaro, quem cuidou dessa gestão e quem inclusive indicava nomeados na estrutura dos hospitais federais do Rio de Janeiro, tudo passava pelo senador Flávio Bolsonaro… Toda a estrutura de poder e de indicação política, e as empresas que participariam de licitações, ou que ganhariam, ou que perderiam, enfim, tudo isso estava dentro do grupo cujo cabeça era o senador Flávio Bolsonaro, tá certo? E é isso que a política do Rio de Janeiro sabe, é isso que os deputados do Rio de Janeiro sabem… Agora, o que eu tenho recebido de notícias também é que todo esse possível esquema armado durante o governo Bolsonaro já está nas mãos do PT, do atual governo, e que vai explorar isso como um teatro de horrores a céu aberto mostrando a verdadeira face corrupta, e também criminosa, porque corrupção é crime, do senador Flávio Bolsonaro”, disse Otoni de Paula. Para ele, o que ocorrerá com Flávio Bolsonaro em pouco tempo é inevitável, já que as supostas falcatruas estão nas mãos dos adversários políticos e autoridades. “Por mais que o senador Flávio Bolsonaro desponte nas pesquisas hoje, já em algumas à frente do atual presidente da República, e repito, a quem nunca dei meu voto ou votei em seu partido, mas a despeito hoje do senador Flávio Bolsonaro estar em algumas pesquisas despontando à frente do atual presidente, eu não tenho dúvida nenhuma que a fragilidade, sua fragilidade moral, fará com que ele não se sustente por muito tempo à frente de nenhuma pesquisa… E por isso eu fui contra essa indicação do senador Flávio Bolsonaro por seu pai, o ex-presidente Bolsonaro”, completou o parlamentar da bancada evangélica.  Veja a declaração de Otoni de Paula a partir de 29”38: https://www.youtube.com/watch?v=49EO8-dSLsg Notícia anteriorPróxima notícia Deputado FederalFlávio BolsonaroMDB Movimento Democrático BrasileiroPL Partido LiberalRio de Janeiro RJSenadorVIDEO AUDIO Delegados da PF pedem que Gonet se declare impedido em atos no caso Master 05/09/2026 Relatório usado por Moraes não poderia circular fora da PF, diz chefe de entidade dos delegados 05/09/2026 Moradora denuncia condições de área de espera em pronto-socorro de Macaé: ‘Ficamos no sol’ 04/09/2026 Nome E-mail Comentário Enviar Facebook X-twitter Youtube More than 2 results are available in the PRO version (This notice is only visible to admin users)

Ualid Rabah classifica Tabata Amaral como “capanga do sionismo”

Ualid Rabah classifica Tabata Amaral como “capanga do sionismo”

Ualid Rabah classifica Tabata Amaral como “capanga do sionismo” Presidente da Fepal critica projeto de deputada sobre antissemitismo e diz que proposta favorece interesses de Israel e pode limitar o debate político Por 247 30/03/2026 Ualid Rabah classifica Tabata Amaral como “capanga do sionismo” (Foto: Divulgação | Pablo Valadares/Agência Câmara) O presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), Ualid Rabah, fez duras críticas à deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) após a apresentação do Projeto de Lei 1424/2026, que propõe a adoção de uma definição internacional de antissemitismo. Em publicação nas redes sociais, Rabah classificou a parlamentar como “capanga do sionismo” ao comentar a iniciativa. A manifestação foi divulgada pela própria Fepal e ocorre em meio à repercussão do projeto apresentado na Câmara dos Deputados do Brasil, que estabelece parâmetros para políticas públicas com base na definição da Aliança Internacional para Memória do Holocausto (IHRA). A proposta tem gerado controvérsia por, segundo críticos, abrir margem para restringir críticas ao Estado de Israel. Na publicação, Rabah afirma que a deputada “requenta projeto da Mordaça Sionista no Brasil” e a descreve como “uma espécie de ‘office boy VIP’ do sionismo no Brasil”. Segundo ele, “Tabata Amaral (PSB-SP) protocolou o projeto de lei 1424/26, uma versão recauchutada da PL da Mordaça Sionista, a mando de ‘israel’”. O dirigente também critica diretamente a adoção dos critérios da IHRA, organização que, segundo ele, é um “lobby sionista”. Na mesma declaração, sustenta que a definição proposta “é criticada no mundo inteiro por alargar o conceito de antijudaísmo para blindar ‘israel’ e suas políticas genocidas de críticas”. Rabah menciona ainda que, no Brasil, o Conselho Nacional de Direitos Humanos já se posicionou contra a definição. De acordo com ele, o órgão classificou o conceito como “inconstitucional” e afirmou que a formulação “introduz conceitos distorcidos de antissemitismo para perseguir e condenar quem se manifesta contrário às políticas do Estado de Israel”. A Fepal também lamentou o apoio de parlamentares que, segundo a entidade, já denunciaram ações militares na Faixa de Gaza. Na nota, Rabah declarou: “A FEPAL lamenta que entre os signatários do Projeto de Lei estejam parlamentares progressistas, que já denunciaram o genocídio em Gaza, e esperamos que retirem suas assinaturas, sob pena de manchar as mãos com o sangue das crianças palestinas exterminadas por ‘israel’”. Projeto gera controvérsia no Congresso O Projeto de Lei 1424/2026, apresentado por Tabata Amaral e outros parlamentares, propõe definir o antissemitismo no Brasil com base em critérios internacionais da IHRA. O texto prevê que manifestações antissemitas podem ter como alvo o Estado de Israel, “encarado como uma coletividade judaica”. Ao mesmo tempo, a proposta ressalva que críticas ao país, quando semelhantes às dirigidas a outras nações, não devem ser consideradas antissemitas. Na justificativa, os autores afirmam que o objetivo é orientar políticas públicas e combater o racismo, sem restringir o debate político ou a liberdade de expressão. Apesar disso, a iniciativa tem sido alvo de críticas de diferentes setores, que veem risco de equiparação entre antissionismo — oposição política ao Estado de Israel — e antissemitismo. Entre os críticos está o jornalista Breno Altman, que fez ataques diretos aos parlamentares envolvidos. “Tabata Amaral (PSB-SP), Heloísa Helena (REDE-RJ) e Vander Loubet (PT-MS) são subscritores do PL 1424/2026, que equipara antissionismo e antissemitismo, adotando regras da IHRA, da qual Lula retirou o Brasil. Não se envergonham de serem cúmplices do Estado genocida de Israel?”, afirmou. Altman também destacou a adesão de deputados do PT ao projeto: “Seis deputados do PT assinam o Projeto de Lei 1424/2026, que equipara antissionismo e antissemitismo: Alexandre Lindenmeyer (PT/RS), Ana Paula Lima (PT/SC), Luiz Couto (PT/PB), Reginaldo Lopes (PT/MG), Vander Loubet (PT/MS) e Welter (PT/PR). Esse comportamento é um vil insulto”. Notícia anteriorPróxima notícia Deputada FederalDeputado FederalPL Projeto de LeiPresidente da RepúblicaPSB Partido Socialista BrasileiroPT Partido dos TrabalhadoresREDE Rede Sustentabilidade Empresário é morto a tiros durante abordagem da PM na Pavuna: ’23 tiros não é ordem de parada’, diz irmã 22/04/2026 Após médica baleada, motoristas relatam medo na Transolímpica: ‘A gente não vê policiamento’ 22/04/2026 Dez PMs do Bope viram réus por invasão de casas e uso irregular de câmeras em operação na Maré 21/04/2026 Deixe seu comentário Nome E-mail Comentário Enviar Facebook X-twitter Youtube More than 2 results are available in the PRO version (This notice is only visible to admin users) Boletim Fique bem informado Receba notícias em seu e-mail Assine gratuitamente Enviado com sucesso Por favor, tente novamente.

Escândalo do Master assombra Brasília, expõe autoridades e pode contaminar eleição

Escândalo do Master assombra Brasília, expõe autoridades e pode contaminar eleição

Escândalo do Master assombra Brasília, expõe autoridades e pode contaminar eleição Expectativa por delação premiada de Daniel Vorcaro deixa em suspense mundo político; apenas uma fração do material apreendido pela PF foi periciada Por Andrea Jubé e Tiago Angelo | Valor 29/03/2026 20:09 Foto: Victor Moriyama/Bloomberg Um ano após o anúncio da tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), a expectativa de uma delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro deixa em suspense o mundo político, impacta as sessões do Congresso, expõe o Supremo Tribunal Federal (STF) a uma grave crise e tem potencial para contaminar a eleição presidencial. O caso desencadeou o maior escândalo político e financeiro da República, atingindo políticos influentes, autoridades dos três Poderes e altos funcionários do Banco Central (BC). A investigação da Polícia Federal (PF) revelou a existência de uma “organização criminosa” liderada por Vorcaro, nas palavras do ministro André Mendonça, atual relator do caso no STF. Preso desde 4 de março, o ex-banqueiro é investigado pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, obstrução da Justiça e contra o sistema financeiro. Ele mudou de advogado recentemente para articular uma colaboração premiada. Fabiano Zettel, pastor, empresário e cunhado de Vorcaro, também está detido e demonstrou disposição de delatar. Vorcaro assumiu o controle do Master em 2019, ainda no governo de Jair Bolsonaro, quando o empresário recebeu autorização do Banco Central (BC), depois de três negativas, para comprar o então banco Máxima, depois rebatizado como Master. À época, Roberto Campos Neto estava no primeiro ano da presidência no BC. Nos anos seguintes, o Master teve rápido crescimento e os negócios e relações de Vorcaro no meio empresarial e na política se expandiram, incluindo ex-ministros de Bolsonaro como Ciro Nogueira (PP). No fim de 2023, já no atual governo e ainda na gestão de Campos Neto, o BC começou a fechar o cerco sobre o Master, mas a decisão final sobre a liquidação extrajudicial da instituição só ocorreria quase dois anos depois, em novembro de 2025. Há quem entenda no mercado que o BC demorou a agir. Procurado, Campos Neto não se manifestou. A quebra do sigilo dos celulares de Vorcaro, analisados pela PF e pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), revelou diálogos mantidos com sua ex-noiva Martha Graeff, nos quais ele menciona contatos com políticos e autoridades. Em uma das mensagens, o ex-banqueiro diz que esteve em reunião na residência oficial do Senado em 3 de agosto de 2025. Sem citar nominalmente o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), relata que o encontro “foi até meia-noite” e que “terça teremos outra [reunião]”. Um dia antes, ele disse à então namorada que havia se encontrado no aeroporto com “Hugo” — possível referência ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). “Como presidente da Câmara, eu sempre mantive agenda aberta para ouvir diferentes pessoas, grupos empresariais de diversas atividades econômicas, pois essa é uma das funções do cargo”, disse Motta em nota, acrescentando que seu dever é trabalhar na Casa pela aprovação de propostas de interesse do país. “Sem dúvida estamos em um momento que exige responsabilidade e atenção de todas as instituições, e eu confio plenamente na condução das investigações pelas diferentes instâncias —Supremo Tribunal Federal, Polícia Federal, Ministério Público —, que estão trabalhando com autonomia e diligência.” Em outro diálogo, surge o nome do presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), citado por Vorcaro como “um dos meus grandes amigos de vida”. Nogueira foi autor da chamada “emenda Master”, que sugeria elevar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A proposta foi rejeitada, mas Vorcaro celebrou com Martha a apresentação do texto: “Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica no mercado financeiro! Ajuda os bancos médios e diminui o poder dos grandes!”. Procurado, Nogueira disse em nota que “mantém diálogos por mensagens com centenas de pessoas, o que não o torna próximo apenas por, eventualmente, interagir com elas”. Afirmou que está tranquilo quanto às investigações relativas a Vorcaro porque não manteve “qualquer conduta inadequada”. Sobre a emenda, alegou que a cobertura do FGC está congelada no mesmo valor há dez anos, e que precisa ser corrigida para proteger os correntistas. Outra liderança é o presidente do União Brasil, Antonio Rueda. Em um diálogo, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, diz a Vorcaro que falou com o político sobre a transação e que ele queria se encontrar com o então banqueiro. A revista Piauí mostrou que o escritório de Rueda advogou para o Master, o que foi confirmado pelo líder do União. Um e-mail recebido pelo ex-banqueiro também mostrou que um helicóptero contratado por ele transportou Nogueira e Rueda para o autódromo de São Paulo para assistirem ao Grande Prêmio de Fórmula 1. Na esfera do Executivo, veio à tona reunião, fora da agenda oficial, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com Vorcaro, da qual participaram outras autoridades, como o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e ministros. Em entrevista ao UOL, Lula disse que recebeu o então banqueiro atendendo a pedido do ex-ministro Guido Mantega. “O que eu disse para ele: ‘Não haverá posição política pró ou contra o Banco Master. O que haverá será uma investigação técnica, feita pelo Banco Central’”, disse Lula. Do círculo próximo do presidente, Vorcaro também contratou serviços de advocacia do escritório do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski. Em nota, Lewandowski informou que, após deixar o STF, em abril de 2023, voltou a advogar. “Além de vários outros clientes, prestou serviços de consultoria jurídica ao Banco Master”, confirmou. Ao ser convidado para assumir o ministério, em janeiro de 2024, afastou-se do escritório e suspendeu seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O Supremo foi igualmente dragado para a crise do Master. Em fevereiro, Dias Toffoli, então relator das investigações sobre o banco, teve que se afastar do caso e, posteriormente, se declarar suspeito. O ministro, junto com familiares, é dono da Maridt, empresa

Com eleição questionada na Justiça e boicote da oposição, Douglas Ruas é eleito presidente da Alerj e deve assumir o governo do RJ

Com eleição questionada na Justiça e boicote da oposição, Douglas Ruas é eleito presidente da Alerj e deve assumir o governo do RJ

Quarenta e seis deputados de 70 estiveram presentes na Alerj. Por André Coelho Costa, Henrique Coelho e Rafael Nascimento | TV Globo e g1 Rio Em uma eleição extraordinária boicotada e questionada judicialmente pela oposição, o deputado Douglas Ruas (PL) foi eleito o novo presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) nesta quinta-feira (26). Com a vitória, de acordo com a linha sucessória, Douglas deve assumir também o cargo de governador em exercício do Rio, cargo ocupado nesta quinta por Ricardo Couto, presidente do TJRJ. Douglas tinha sido anunciado pré-candidato ao governo do estado pelo PL em fevereiro. Quarenta e sete deputados, em um total de 70, estavam presentes na votação, que foi convocada no fim da manhã pelo então presidente em exercício da Alerj, Guilherme Delaroli (PL). Douglas foi eleito com 45 votos. A votação foi aberta, com definição por maioria absoluta. Com a renúncia de Cláudio Castro e a cassação de Rodrigo Bacellar, o presidente da Alerj também será o governador. Após o resultado, alguns deputados aplaudiram Ruas e outros gritaram “golpista”. No fim da tarde, a Alerj publicou um Diário Oficial Extra com a ata da sessão, oficializando a eleição de Douglas Ruas como presidente da Casa. A oposição tenta barrar judicialmente a eleição. Cotado para disputar a presidência da Alerj, o deputado Chico Machado (PSD) anunciou que desistiu da candidatura ao comando da Casa. Entre os argumentos da ação que tenta barrar a eleição desta quinta na Alerj, estão críticas ao fato da marcação da eleição antes da retotalização dos votos determinada pelo TSE depois da cassação de Bacelar. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) marcou para terça-feira (31) a retotalização dos votos que vai alterar a composição da Alerj, após a cassação de Rodrigo Bacellar e a anulação dos 97 mil votos obtidos por ele. Com a retirada dos votos de Bacellar, a Justiça Eleitoral precisa refazer o cálculo do quociente eleitoral, número que define quantas cadeiras cada partido ou federação tem direito na Alerj. Esse cálculo considera o total de votos válidos dividido pelo número de vagas disponíveis. A partir daí, é feita uma nova distribuição das cadeiras entre os partidos. Na prática, isso significa que a mudança pode ir além da vaga de Bacellar e alterar a composição da Assembleia, levando em conta deputados suplentes dos partidos. Quem é Douglas Ruas Ruas é bacharel em Direito, pós-graduado em Gestão Pública e servidor concursado da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. Entre 2017 e 2018, Douglas Ruas foi subsecretário de Trabalho de São Gonçalo (RJ), cidade onde seu pai, Capitão Nelson (PL), é prefeito. Nos dois anos seguintes, foi superintendente regional do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), entre 2019 e 2020. Em 2021, assumiu a Secretaria de Gestão Integrada e Projetos Especiais em São Gonçalo. Em 2022, foi eleito deputado estadual no Rio de Janeiro, com a segunda maior votação, com 175.977 votos. Douglas Ruas declarou à justiça eleitoral um patrimônio de R$ 1,2 milhão em 2022. Na sua atuação como deputado, Ruas tem apenas oito projetos de lei apresentados na Alerj, nenhum deles relacionados a polêmicas. Sua participação na Alerj está relacionada à atuação como Secretário de Estado das Cidades, cargo que ocupou de setembro de 2023 a março de 2026. A pasta das Cidades é responsável por investir em obras em parceria com prefeituras de todo o Estado. Por que houve esta eleição A Alerj estava sem um presidente titular desde 8 de dezembro, quando Rodrigo Bacellar (União Brasil) foi preso pela Polícia Federal (PF), a mando do Supremo Tribunal Federal (STF), suspeito de vazar informações para o então deputado TH Joias. Na semana seguinte à prisão, o plenário da Alerj votou para soltar Bacellar, mas o ministro Alexandre de Moraes determinou o afastamento do deputado da presidência da Casa. Bacellar, então, pediu sucessivas licenças do mandato, e a Alerj foi presidida por Guilherme Delaroli, o vice. Na última terça-feira (24), Bacellar foi cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas por outro motivo — a condenação por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, dentro do “escândalo do Ceperj”. Por maioria de votos, os ministros do TSE entenderam que houve uso indevido da máquina pública por Cláudio Castro, Thiago Pampolha e Rodrigo Bacellar. As suspeitas envolvem a Fundação Ceperj e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), com a contratação de milhares de pessoas sem concurso e salário em espécie, pago na boca do caixa. No Legislativo, o vice não assume de vez a vaga do titular e só pode ocupar o cargo interinamente. Uma vez cassado o mandato de Bacellar, é necessário realizar uma nova eleição para a Mesa Diretora. Por que essa eleição interfere no Palácio Guanabara A eleição desta quinta-feira vai interferir no governo do RJ. Desde segunda-feira (23), o estado é governado pelo desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o 1º numa linha sucessória repleta de desistências. Cláudio Castro renunciou ao mandato numa tentativa de reverter o julgamento no TSE. O então governador acreditava que, uma vez abrindo mão do cargo, não haveria o que cassar, e a ação seria extinta. Mas o TSE manteve o julgamento e o condenou, impondo uma inelegibilidade de 8 anos. A medida abrangeria a chapa inteira, mas o vice de Castro, Thiago Pampolha, renunciou muito antes, em maio do ano passado, para virar conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). Sem governador (Castro renunciou), vice (Pampolha renunciou) e presidente da Alerj (Bacellar cassado), o próximo da lista era Couto. Recontagem levantou dúvidas Assim que Delaroli confirmou a data e o horário da votação, o deputado Luiz Paulo (PSD) questionou se o pleito teria validade. Luiz Paulo lembrou que a cassação de Bacellar pode mexer na composição da Alerj. Como os votos que Bacellar recebeu na eleição de 2022 tornaram-se inválidos, uma recontagem terá de ser feita, com possibilidade de alterar o cociente eleitoral e o tamanho das bancadas. Além disso, segundo Luiz Paulo, o suplente que herdará a vaga de Bacellar não teria tempo hábil para tomar posse e participar da eleição desta quinta. “Ainda não chegou aqui na Alerj a retotalização dos votos. A Casa está com 69 deputados.

Famílias de sepultados em cemitério de Petrópolis são convocadas para definir destino dos restos mortais

Famílias de sepultados em cemitério de Petrópolis são convocadas para definir destino dos restos mortais

Famílias de sepultados em cemitério de Petrópolis são convocadas para definir destino dos restos mortais Convocação ocorre após deslizamento danificar gavetas sepulcrais; familiares podem optar por ossário, cremação ou jazigo particular até 6 de abril. Por Priscila Torquato | g1 12/04/2026 Famílias de sepultados em cemitério de Petrópolis devem definir destino de restos mortais — Foto: Reprodução Redes Sociais Petrópolis – A Prefeitura de Petrópolis, na Região Serrana do Rio, convocou familiares de 100 pessoas sepultadas na quadra 9 do Cemitério Municipal para definir a destinação dos restos mortais. A medida atende a uma determinação da 4ª Vara Cível da Comarca de Petrópolis. Em março de 2024, um deslizamento atingiu a área e danificou as gavetas sepulcrais. Parte dos restos mortais foi removida na época, mas outros permaneceram no local devido ao risco de novos deslizamentos. A retirada definitiva só será feita após a conclusão das obras de contenção. A lista com os nomes dos falecidos está disponível no site da Prefeitura e também no edital publicado no Diário Oficial em 6 de março. Apenas os casos em que os restos mortais puderam ser retirados com segurança estão incluídos nesta convocação. Os familiares devem comparecer ao Cemitério Municipal até 6 de abril, de terça a quinta-feira, das 9h às 14h, para confirmar a identificação e indicar a destinação dos restos mortais. As opções disponíveis são: ossário público, ossário particular, cremação ou sepultamento em jazigo da família, em Petrópolis ou em outro município. Após a escolha, será agendado o momento da entrega dos restos mortais, seguindo critérios técnicos do cemitério, e a retirada será formalizada com a assinatura de um termo de responsabilidade. Se os familiares não se manifestarem dentro do prazo, os restos mortais serão encaminhados ao ossário municipal, conforme a legislação e a decisão judicial. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones (24) 2246-8479 e 2246-8480 ou pelo e-mail sopcemiterio@petropolis.rj.gov.br. Notícia anteriorPróxima notícia Petrópolis RJRegião Serrana e Centro Sul Fluminense Vídeo gravado por moradora mostra ratos, barata e sujeira dentro de UPA em Cabo Frio: ‘aqui tá sujo de sangue’ 19/05/2026 Turp demite rodoviários durante greve que afeta 93 linhas em Petrópolis 19/05/2026 ‘Deus te abençoe meu brother’ (AUDIO) 19/05/2026 Deixe seu comentário Nome E-mail Comentário Enviar Whatsapp X-twitter Facebook More than 2 results are available in the PRO version (This notice is only visible to admin users) Mais lidas na semana Vídeo gravado por moradora mostra ratos, barata e sujeira dentro de UPA em Cabo Frio: ‘aqui tá sujo de sangue’ Turp demite rodoviários durante greve que afeta 93 linhas em Petrópolis ‘Deus te abençoe meu brother’ (AUDIO) Eduardo Bolsonaro esconde viagem ao Bahrein e só aparece em vídeo de Mário Frias Marqueteiro de Flávio, que recebeu R$ 650 mil de Vorcaro, assinou contratos milionários com o governo Bolsonaro Boletim Fique bem informado Receba notícias em seu e-mail Assine gratuitamente Enviado com sucesso Por favor, tente novamente.

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