Com traficantes e amantes, política no Rio é um cabaré em chamas

Deputado Binho Galinha é condenado a mais de 30 anos de prisão na Bahia Em sete meses, três deputados da tropa bolsonarista foram presos Apesar das retaliações, governador interino não descansa na faxina Por Alvaro Costa e Silva | Folha de S.Paulo 11/05/2026 Rodrigo Bacellar e Flávio Bolsonaro em evento no Rio de Janeiro – Rafael Campos – 5.jul.25/Divulgação Governo do Rio de Janeiro Virou rotina. Em sete meses, três parlamentares do Rio foram presos, entre eles o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, acusado pela Polícia Federal de vazar uma operação contra o Comando Vermelho em que o alvo era o deputado TH Joias. A bola da vez é Thiago Rangel, que desviou verbas da Secretaria de Educação e concedeu cargos na pasta a pessoas indicadas por um traficante, de acordo com as investigações. Os três integravam a tropa bolsonarista que, desde 2019, se especializou em aparelhar as instituições e depenar os cofres públicos, aliando-se a organizações criminosas. Estas, livres para atuar, se agigantaram. Rangel, do Avante, é considerado um peixe pequeno no esquema de corrupção. Mas um peixinho que tinha um Porsche último tipo guardado na garagem e cujo patrimônio saltou de R$ 224 mil em 2020, quando se candidatou a vereador, para R$ 3 milhões em 2023, ano em que já era deputado. Segundo a Polícia Federal, sua função era lavar dinheiro de propina por meio de uma rede de postos da gasolina, além de liderar uma quadrilha que fazia ameaças a adversários na região de Campos de Goytacazes. Há pânico nos bastidores da política fluminense. Depois da Secretaria de Educação, a operação Unha e Carne irá se concentrar no setor da saúde, controlado há oito anos pelo deputado federal Doutor Luizinho, cupincha do encrencadíssimo senador Ciro Nogueira. Por diversas vezes Nogueira quis emplacar Luizinho como ministro da Saúde no governo Lula. Não conseguiu. O governador em exercício do Rio, desembargador Ricardo Couto, continua limpando a máquina administrativa, sem se incomodar com chantagens e retaliações. Na Segurança, quer dar autonomia à perícia criminal, desvinculando-a da Polícia Civil, o que garante investigações independentes em casos de letalidade policial. Inconformados com a exoneração de mais de mil funcionários fantasmas, deputados estaduais ameaçam divulgar uma lista de amantes de desembargadores que também recebem sem trabalhar na Alerj. O cabaré está pegando fogo. Notícia anteriorPróxima notícia ALBAAvanteDeputado EstadualFeira de Santana BA Bloqueio de R$ 6 milhões: Eduardo Cunha já foi preso, cassado e pretende disputar eleição este ano 12/07/2026 ‘Não aguento mais esses mineiros enrolados’, escreveu Cunha, pré-candidato a deputado por Minas, em diálogo citado por Dino 12/07/2026 Dino cita indicação de emendas por Eduardo Cunha mesmo sem mandato e manda bloquear R$ 6 milhões 12/07/2026 Deixe seu comentário Nome E-mail Comentário Enviar Whatsapp X-twitter Facebook More than 2 results are available in the PRO version (This notice is only visible to admin users) Mais lidas na semana Bloqueio de R$ 6 milhões: Eduardo Cunha já foi preso, cassado e pretende disputar eleição este ano ‘Não aguento mais esses mineiros enrolados’, escreveu Cunha, pré-candidato a deputado por Minas, em diálogo citado por Dino Dino cita indicação de emendas por Eduardo Cunha mesmo sem mandato e manda bloquear R$ 6 milhões Master: PF vê troca de celular e fim da empresa em risco de fuga de Miranda E agora, Valdemar? Boletim Fique bem informado Receba notícias em seu e-mail Assine gratuitamente Enviado com sucesso Por favor, tente novamente.
Bolsonarismo: a celebração da imbecilidade

Bolsonarismo: a celebração da imbecilidade Entre delírios conspiratórios, negacionismo científico e fanatismo político, o bolsonarismo transformou o absurdo em identidade coletiva e a ignorância em símbolo de pertencimento Por Zé Barbosa Junior | Fórum 11/05/2026 Lula Marques Ag Br / Reprodução de vídeo O episódio envolvendo a marca Ypê talvez seja um dos retratos mais acabados do estágio de degradação intelectual a que chegou parte significativa do bolsonarismo. Diante de uma recomendação técnica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária sobre riscos relacionados a determinados lotes de produtos, milhares de pessoas decidiram reagir não com prudência, nem com racionalidade, mas com fanatismo político. A lógica foi simples, grotesca e reveladora: se a marca esteve associada a apoiadores de Jair Bolsonaro, então qualquer medida regulatória contra ela só poderia ser “perseguição”. E, portanto, consumir um produto potencialmente nocivo passou a ser, para alguns, um ato de militância ideológica. Há algo profundamente perturbador nisso. Não apenas pela irresponsabilidade sanitária, mas porque o caso escancara um fenômeno muito maior: o bolsonarismo transformou a imbecilidade em identidade política. O absurdo deixou de ser um desvio vergonhoso e virou demonstração pública de pertencimento. Quanto mais ridícula a tese, mais ela funciona como senha tribal. A irracionalidade passou a operar como prova de fidelidade. Foi assim na pandemia. Enquanto hospitais colapsavam e covas coletivas eram abertas em Manaus, milhões de brasileiros aderiram à negação científica como se fosse uma cruzada moral. A vacina, fruto de décadas de pesquisa científica acumulada, foi convertida em objeto de paranoia delirante. Espalhou-se que imunizantes alterariam DNA, implantariam chips, causariam magnetismo corporal ou transformariam pessoas em jacarés, alusão a uma frase grotesca dita pelo próprio Jair Bolsonaro e recebida por muitos não como vergonha nacional, mas como símbolo de autenticidade “antissistema”. A tragédia brasileira durante a Covid não foi apenas sanitária. Foi civilizatória. Médicos charlatães viraram celebridades digitais. Influenciadores sem qualquer formação passaram a desacreditar pesquisadores, universidades e instituições científicas. A ignorância foi romantizada como virtude popular, enquanto o conhecimento técnico passou a ser tratado como conspiração elitista. A estupidez ganhou estética, linguagem e militância organizada. O terraplanismo, que durante décadas parecia apenas uma excentricidade folclórica da internet, encontrou terreno fértil nesse ambiente de colapso cognitivo. Não porque todos os bolsonaristas acreditassem literalmente que a Terra é plana, mas porque o bolsonarismo consolidou uma cultura política baseada na rejeição sistemática da realidade verificável. O método é sempre o mesmo: desacredita-se qualquer fonte confiável (imprensa, universidades, ciência, dados oficiais) para substituí-la por correntes de WhatsApp, vídeos conspiratórios e “especialistas” de ocasião. A verdade deixa de ser aquilo que pode ser demonstrado; passa a ser aquilo que reforça ressentimentos ideológicos. Esse mecanismo produz uma inversão moral devastadora. O sujeito racional vira suspeito. O ignorante convicto vira “corajoso”. O pesquisador é tratado como inimigo. O fanático desinformado é celebrado como alguém “que pensa por si próprio”. Trata-se de um movimento político que sequestrou o sentimento legítimo de indignação popular e o converteu numa máquina de culto ao grotesco. Não é coincidência que figuras mais histriônicas, violentas e caricatas tenham prosperado nesse ambiente. O bolsonarismo premiou o escândalo permanente. Quanto mais vulgar, mais autêntico parecia. Quanto mais agressivo, mais “verdadeiro”. A política foi substituída por uma espécie de espetáculo da brutalidade intelectual. Não se exigia coerência, projeto nacional ou capacidade administrativa. Bastava odiar os inimigos corretos: jornalistas, professores, artistas, cientistas, defensores dos direitos humanos, universidades, ambientalistas, feministas, qualquer pessoa minimamente comprometida com reflexão crítica. O mais assustador é perceber que essa adesão ao absurdo não ocorre apesar do ridículo, mas justamente por causa dele. O comportamento irracional tornou-se performático. Defender cloroquina contra evidências científicas, atacar vacinas, relativizar golpes de Estado, repetir teorias conspiratórias ou consumir produtos sob suspeita sanitária apenas para desafiar autoridades virou demonstração pública de pertencimento político. O nonsense passou a funcionar como ritual coletivo. Há nisso uma dimensão quase religiosa, não no sentido espiritual, mas sectário. Toda seita precisa romper seus membros da realidade compartilhada. Precisa criar um universo paralelo onde apenas o grupo possui acesso à “verdade”. O bolsonarismo operou exatamente assim. Criou uma bolha emocional onde fatos objetivos têm menos importância do que narrativas afetivas de perseguição. Qualquer crítica vira prova da conspiração. Qualquer investigação é “censura”. Qualquer responsabilização é “ditadura”. A vítima permanente tornou-se uma figura central dessa identidade política. Evidentemente, o anti-intelectualismo não nasceu com Bolsonaro. O obscurantismo sempre existiu. Mas o bolsonarismo lhe deu legitimidade institucional, escala de massas e linguagem pop. Pela primeira vez desde a redemocratização, o negacionismo deixou de ser marginal para ocupar o centro do poder político nacional. A presidência da República tornou-se palco diário de desinformação organizada. As consequências disso são profundas e duradouras. Uma sociedade que perde a capacidade de distinguir fato de delírio torna-se vulnerável a toda espécie de autoritarismo. Quando a verdade objetiva morre, sobra apenas o grito, a manipulação emocional e a força bruta. Não existe democracia saudável sem algum compromisso coletivo com a realidade. O caso da Ypê, por mais aparentemente banal que seja, sintetiza perfeitamente essa decadência. Pessoas dispostas a colocar a própria saúde em risco para defender uma identidade política revelam um grau alarmante de submissão ideológica. Não importa mais o conteúdo da informação. Importa apenas quem é percebido como aliado ou inimigo. Talvez esse seja o traço mais perverso do bolsonarismo: ter transformado a humilhação intelectual em orgulho coletivo. Fazer papel de ridículo deixou de causar constrangimento. Pelo contrário: virou demonstração de fidelidade política. O grotesco foi naturalizado. O patético foi convertido em linguagem pública. A ignorância passou a ser celebrada como autenticidade popular. E uma nação que começa a aplaudir a própria degradação intelectual entra num território perigosíssimo, porque quando a imbecilidade vira projeto político, a barbárie nunca demora a chegar. * Zé Barbosa Jr é teólogo, pastor, licenciado em história e pós-graduado em Ciências Políticas Notícia anteriorPróxima notícia ANVISA Agência Nacional de Vigilância SanitáriaManaus AMPL Partido LiberalPresidente da República Kassio convida Bolsonaro e Collor para posse na presidência do TSE 11/05/2026 Oposição começa a coletar assinaturas de PEC para anistiar presos do
Empresa de preso por elo com PCC tem contrato de R$ 141 milhões no governo de GO

Empresa de preso por elo com PCC tem contrato de R$ 141 milhões no governo de GO Preso na semana passada em Goiânia pelas polícias civis de São Paulo e Goiás, sob suspeita de atuar em um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC, o empresário Adair Meira, 63, preside uma fundação cujos contratos com o governo de Goiás somam atualmente R$ R$ 141.509.831,63. Eles foram assinados entre 2021 e 2025. Por Fabíola Perez e Mateus Araújo | UOL 11/05/2026 Preso por elo com o PCC tem R$ 141 milhões em contratos com ex-governo Caiado em Goiás – Foto SECOM/GO São Paulo – Investigação da Polícia Civil de São Paulo liga Meira a supostos membros do PCC. Conversas de celulares apreendidos indicam que Adair Meira atuava como um dos principais interlocutores de João Gabriel de Mello Yamawaki, preso em 2024 e apontado como operador do banco 4TBank, que pertenceria à facção. Relatório da polícia aponta que Meira usaria entidades e empresas ligadas a ele para lavar dinheiro para a facção. O documento ao qual o UOL teve acesso mostra supostas negociações entre Meira e João Gabriel para misturar recursos lícitos e ilícitos. A defesa do empresário nega irregularidades e ligação com o PCC. Advogados afirmam que Meira não tem vínculo com organizações criminosas. Das três instituições citadas na investigação, Meira se mantém na presidência de apenas uma, a Fundação Pró-Cerrado. O foco da entidade é educação, “preservação do Cerrado” e “oferecimento de formação técnico-profissional a jovens em situação de vulnerabilidade”. Outras duas empresas mencionadas, Fundação Sagres e Renapsi, foram criadas por Meira mas não são presididas por ele, segundo as assessorias e a própria Receita Federal — as assessorias não disseram quando ele saiu da administração de ambas. Atas obtidas pelo UOL mostram que Adair seguia vinculado à Renapsi em 2025. Em fevereiro daquele ano, o empresário foi citado como “membro associado” da entidade. Em outra ata, de junho de 2023, ele chegou a assinar o documento com email ligado à Fundação Sagres. Pró-Cerrado presta serviço à Secretaria de Economia de Goiás. A ONG fornece terceirizados à pasta, incluindo auxiliares administrativos, motoristas e atendimento de call center. Levantamento do UOL com base em dados dos últimos 25 anos identificou 12 contratos entre a Pró-Cerrado e o Governo de Goiás. Informações disponíveis no Portal da Transparência estadual mostram que o primeiro entrou em vigência em fevereiro de 2010. Os contratos incluem serviços para as secretarias de Economia e de Desenvolvimento Social. Quatro contratos da Pró-Cerrado com o governo estão vigentes e foram firmados na gestão de Ronaldo Caiado (PSD) (2019-2026). Dois acordos de 2021 e um 2022 tiveram prazo estendido até o segundo semestre deste ano. Outro contrato foi assinado em novembro de 2025, com prazo de um ano. Juntos, somam atualmente R$ 141,5 milhões. Os quatros contratos dizem respeito à prestação de serviços terceirizados de auxiliares, motoristas e operadores de call center. Outros lados Defesa de Meira afirma que os contratos com o governo seguiram a lei. Os advogados também contestam as acusações de lavagem de dinheiro. Por meio de nota, a Fundação Pró-Cerrado informou que “não é alvo de qualquer investigação” e acompanha o caso com atenção. Em relação à investigação que menciona Meira, a entidade disse que, “por medida de precaução e governança, ele foi temporariamente afastado de suas funções”. Governo de Goiás informou que abriu verificação sobre contratos. Em nota, o estado afirmou que a prisão de Adair Meira não envolve a gestão estadual nem os contratos firmados. Apesar disso, informou que a Controladoria vai checar os contratos, sem especificar a data de abertura do processo. A medida, diz a nota, foi adotada por “zelo com o interesse público”. Estado também diz que não controla atividades privadas de contratadas. O governo afirma que sua atribuição é contratar conforme a lei e fiscalizar a execução dos serviços, o que, segundo a gestão, vem sendo cumprido. A Polícia de São Paulo afirmou que durante a nova etapa da investigação vai verificar os contratos entre o governo goiano e a empresa de Meira — o objetivo é apurar se há indícios de lavagem de dinheiro. Ex-governador diz não ter responsabilidade direta e nega irregularidades. Ronaldo Caiado afirma, por meio de nota, que a fiscalização de contratos cabe a órgãos de controle, que o vínculo com a empresa existe desde 2004 e que não houve denúncias durante sua gestão para justificar investigação (leia nota na íntegra aqui). UOL entrou em contato com estados que, segundo a assessoria de imprensa de Caiado, também teriam contratos com entidades ligadas a Meira. Tocantins, Minas Gerais e Rio Grande do Sul informaram não ter acordos com a Pró-Cerrado. Bahia e Distrito Federal não responderam à reportagem. O espaço segue aberto para manifestação. Governador de Goiás entre 2011 e 2018, Marconi Perillo (PSDB) disse que soube da operação que prendeu Meira e conhecia empresas ligadas a ele. Contudo, disse que “jamais ouviu” quaisquer ilações ou rumores a respeito” de eventuais irregularidades e que não pediu abertura de processo de verificação porque “não havia suspeita”. O UOL também procurou os ex-governadores Alcides Rodrigues Filho e José Eliton de Figuerêdo Júnior, mas não obteve resposta. O espaço segue aberto para manifestação. Como funcionaria o esquema Investigação chegou ao nome de Adair Meira em 2024. Ele foi citado em mensagens de celulares apreendidos durante a operação Decurio e apontado pela Polícia de São Paulo como possível lavador de recursos públicos para a facção criminosa e principal articulador para infiltrar o PCC nas gestões paulistas. Esquema envolveria emissão de boletos para serem pagos por empresas ligadas a Meira, diz polícia. Segundo a investigação, os boletos seriam pagos, os valores entrariam no caixa da 4TPag (razão social do 4TBank), João Gabriel sacaria os valores e devolveria em espécie para Meira. Dinheiro seria transportado entre estados, dizem investigadores. A polícia aponta uso de aeronaves fretadas e helicópteros para levar recursos entre São Paulo, Brasília e Palmas. O relatório cita como “indício da consumação desse fato” diálogos que mencionam taxa de operação e fretamentos aéreos, incluindo valores superiores a R$ 18 mil. Relatório indica que Meira exerceria controle sobre as operações. A polícia afirma que ele tinha “grande poder de mando” sobre as
Como nasce o medo: CV instala célula do tráfico em área da milícia em Jacarepaguá e aterroriza moradores

Como nasce o medo: CV instala célula do tráfico em área da milícia em Jacarepaguá e aterroriza moradores Moradores relatam ao GLOBO como em pouco mais de um mês para o Comando Vermelho consolidou presença num trecho de aproximadamente 55 mil metros quadrados naquela área, região historicamente dominada pela milícia Por Anna Bustamante | O Globo 11/05/2026 Região de Jacarepaguá — Foto: Imagens do Google Earth Rio de Janeiro – O grito veio pouco antes da meia-noite. Em disparada pela Estrada Virgolândia, em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio, jovens armados anunciavam a mudança de poder como quem marca território: “Agora é o Comando!”. Os tiros para o alto ultrapassavam os muros das casas enquanto famílias se preparavam para o réveillon de 2026. Desde então, relatos de moradores obtidos pelo GLOBO revelam que bastou pouco mais de um mês para o Comando Vermelho (CV) consolidar sua presença num trecho de aproximadamente 55 mil metros quadrados naquela área, entre a Estrada Santa Maura e a Rua Abadiana, região historicamente dominada pela milícia, próxima à comunidade Asa Branca, controlada há mais tempo pelos traficantes. Mais do que uma simples troca de domínio, o que se viu ali, em tempo real, foi o surgimento de uma célula da segunda maior facção do país, que nos últimos anos trava guerras para expandir territórios não só no Rio, mas também em outros estados. Sem barricadas e sem uma estrutura ostensivamente estabelecida, a ocupação avançou de forma improvisada, mas suficiente para alterar a rotina, espalhar uma nova lógica de medo, sufocar o comércio local e levar trabalhadores a abandonar negócios construídos ao longo de décadas. — Eu fechei tudo porque fiquei com muito medo. Eles deram muitos tiros para o alto, gritavam. Nunca tinha visto nada parecido com isso aqui. Foi assustador — relata uma moradora. ‘Meninos’ da vizinhança Os homens que percorriam as ruas naquela noite não eram desconhecidos. Segundo relatos de moradores (que pediram para não serem identificados por medo de represálias) e informações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), muitos cresceram na região. São filhos de vizinhos, jovens que conviveram durante anos com a população do lugar antes de assumirem funções ligadas ao CV. Os nomes de infância foram substituídos por apelidos, e a intimidade virou instrumento de poder. — Ficou pior a partir do fim do ano de 2025. A maioria é adolescente. Eles começaram a andar armados pelas ruas e, depois, a cobrar da gente muito dinheiro para mantermos nossos negócios abertos — disse um comerciante. Os números do próprio 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes) ajudam a dimensionar a pressão do crime na região. Só em janeiro deste ano, o quartel apreendeu 22 armas de fogo — o maior volume para o mês desde 2003. Já as apreensões de menores infratores chegaram a 75 no primeiro trimestre, sendo 36 apenas na região do Recreio, aumento superior a 20 ocorrências em relação ao mesmo período de 2025. Em uma das aparições recentes, os criminosos chegaram num Volkswagen Gol vermelho, de onde desembarcaram ao menos sete homens armados. Logo atrás, motocicletas faziam a escolta do grupo. Relatos apontam que o bando já extorquiu dinheiro de ao menos oito estabelecimentos somente nas ruas Pintibu e Abadiana e nas estradas Virgolândia e Santa Maura. Segundo comerciantes, a prática não ocorria da mesma maneira sob o domínio anterior da milícia. No primeiro dia de cobrança, homens armados conhecidos da vizinhança apareceram exigindo dinheiro sem sequer estipular um valor fixo. — Ele falou que tinha que ter o dinheiro e que, se não tivesse, iria fechar a loja. Ficamos com muito medo, nos mostraram a arma. Foi de um dia para o outro, de repente — conta uma comerciante. Uma vendedora decidiu abandonar o ponto onde trabalhava há anos após concluir que seria impossível sustentar o negócio e pagar aos criminosos. Outro comerciante, há décadas na região, também desistiu após sofrer ameaças diárias. Segundo ele, os homens exigiam R$ 200 por dia e chegaram a ameaçar diretamente sua família. Em mais um caso, uma cobrança ultrapassou mil reais de uma única vez. — Eles conhecem todos ali. Sabem onde os comerciantes moram, quem são seus parentes. Cresceram observando a gente — disse uma moradora. A transformação da região atingiu até uma pequena banca improvisada onde uma idosa vendia ervas e miudezas para sobreviver. O ponto, localizado na Estrada Santa Maura com a Rua Pintibu, num logradouro de chão batido diante de um matagal, passou a interessar ao grupo para a instalação de um ponto de venda de drogas. A mulher acabou expulsa do local e perdeu as mercadorias. Fuga pela mata Em 11 de fevereiro deste ano, equipes do 18° BPM (Jacarepaguá) prenderam um homem de 25 anos e apreenderam dois adolescentes. Com eles, foram encontrados um revólver calibre 38, R$ 100, dois celulares e drogas. A ocorrência foi apresentada na 32ª DP (Taquara). Um dos integrantes, que seria conhecido por moradores como Mais Alto, apontado como chefe do grupo, conseguiu fugir pela mata. A DRE também reconhece a atuação de jovens recrutados localmente, e diz que eles atuam sob a proteção do CV: — Esses criminosos que praticam crimes na região são também locais, mas reforçados por traficantes de outras regiões e até de outros estados. A liderança fica homiziada no Complexo da Penha. Eles são atraídos pela narcocultura e pela promessa de dinheiro fácil — afirma o delegado Moysés Santana. Segundo moradores, a área de mata pela qual um dos envolvidos escapou virou rota de fuga e circulação dos criminosos. O trecho conecta a região à Avenida Salvador Allende, uma das principais da Zona Sudoeste do Rio, e passou a ser utilizado em assaltos a pedestres, motoristas e passageiros do BRT. Reforço no policiamento A percepção dos moradores encontra eco em documentos da PM. Uma ordem operacional do 31º BPM obtida pelo GLOBO reconhece aumento de roubos de veículos e assaltos a pedestres na área do batalhão e determina reforço do policiamento justamente em acessos estratégicos da Avenida Salvador Allende. Apesar disso, a
Citada na Carbono Oculto, Genial administra fundos do Governo de SP

Citada na Carbono Oculto, Genial administra fundos do Governo de SP Administradora dos fundos com participação da Desenvolve SP, Genial também administra fundo com R$ 176 milhões bloqueados a pedido da PGE-SP Por Artur Rodrigues | Metrópoles 11/05/2026 Divulgação/Genial Investimentos A agência de fomento paulista Desenvolve SP, ligada ao Governo de São Paulo, tem participação em dois fundos administrados pela Genial Investimentos, citada na Operação Carbono Oculto e alvo de bloqueio de R$ 176 milhões em ação proposta pela gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos). O governo usa seus recursos em fundos como parte de uma estratégia para atrair investimentos ao setor produtivo. Atualmente, são seis Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) e 12 Fundos de Investimento em Participações (FIPs). Os fundos com presença do governo são o Bandeirantes FIDC do Agronegócio, com R$ 49,8 milhões em participações, e o Lacan IV Feeder Private, com R$ 45,3 milhões em participações. A Genial participa como administradora, uma função operacional, e os fundos têm duas gestoras independentes, responsáveis pela alocação dos investimentos. Administradora O Banco Genial também foi alvo de bloqueio, que mira R$ 176 milhões em fundos. O pedido foi feito pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE), que representa o governo, no âmbito da Operação Carbono Oculto, que investiga o uso de estruturas da Faria Lima para esconder dinheiro do crime organizado, incluindo a facção Primeiro Comando da Capital (PCC). O objetivo do pedido foi impedir o esvaziamento patrimonial dos alvos e alcança bens das distribuidoras de combustíveis Aster e Copape, dos empresários Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo. Ambos estão foragidos e fizeram proposta de delação premiada, que já foi rejeitada pelo Ministério Público paulista. A medida faz parte de ação cautelar que busca recuperar R$ 7,6 bilhões dos empresários. O valor é referente a impostos, como ICMS, além de multas e juros, devidos pelo grupo ao estado de São Paulo. A Genial Investimentos é citada sete vezes no documento que deu suporte à primeira fase da Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025. O banco afirma não ser investigado na operação. “Sua participação no caso decorre da atuação como administradora fiduciária de fundo de investimento específico, tendo prestado os esclarecimentos solicitados às autoridades competentes, com as quais vem colaborando desde que tomou conhecimento dos fatos”, afirma a instituição. O que diz o governo A Desenvolve SP afirma não possuir fundos na Genial como gestora. “Nos casos citados, a instituição atua exclusivamente como administradora fiduciária, função regulatória e operacional responsável pelo cumprimento das normas e do enquadramento legal, sem participação nas decisões de investimento. Os ativos são administrados por gestores independentes, conforme previsto na estrutura do mercado de capitais”, diz a nota da agência do governo. De acordo com a Desenvolve SP, os investimentos são monitorados e “não há impacto identificado sobre os fundos mencionados”. “Caso seja identificada qualquer desconformidade regulatória, a instituição irá solicitar a substituição do administrador fiduciário”, acrescentou a nota. Além disso, a agência afirmou que a seleção de fundos e gestores segue critérios técnicos. Sobre a ação da PGE, o governo informou que ela está em segredo de Justiça. Notícia anteriorPróxima notícia GovernadorMP-SPProcuradoria-Geral do Estado PGERepublicanos Como nasce o medo: CV instala célula do tráfico em área da milícia em Jacarepaguá e aterroriza moradores 11/05/2026 Citada na Carbono Oculto, Genial administra fundos do Governo de SP 11/05/2026 Hugo Motta também propôs lei para favorecer interesses de Vorcaro e do Banco Master 10/05/2026 Deixe seu comentário Nome E-mail Comentário Enviar Whatsapp X-twitter Facebook More than 2 results are available in the PRO version (This notice is only visible to admin users) Mais lidas na semana Como nasce o medo: CV instala célula do tráfico em área da milícia em Jacarepaguá e aterroriza moradores Citada na Carbono Oculto, Genial administra fundos do Governo de SP Hugo Motta também propôs lei para favorecer interesses de Vorcaro e do Banco Master Ciro Nogueira troca triplex por mansão projetada por arquiteto renomado Ciro Nogueira comprou triplex de R$ 22 milhões em SP 1 mês antes de “emenda Master” (VIDEO) Boletim Fique bem informado Receba notícias em seu e-mail Assine gratuitamente Enviado com sucesso Por favor, tente novamente.
41% dos brasileiros afirmam conviver com o crime organizado no bairro onde moram

41% dos brasileiros afirmam conviver com o crime organizado no bairro onde moram Presença de facções e milícias deixa de ser exceção das metrópoles para se capilarizar pelo interior, segundo relatório divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Por Bianca Muniz | g1 10/05/2026 CV domina confrontos entre facções atua em 10 estados — Foto: Divulgação São Paulo – A presença do crime organizado no Brasil deixou de ser um fenômeno restrito a áreas específicas para se tornar uma experiência disseminada. De acordo com o relatório “Medo do crime e eleições 2026: os gatilhos da insegurança” divulgado neste domingo (10) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 41,2% dos brasileiros com 16 anos ou mais reconhecem a presença de grupos criminosos organizados, como facções ou milícias, no bairro onde residem. O dado indica que cerca de 68,7 milhões de pessoas convivem diretamente com o poder territorial exercido por essas organizações. Embora a percepção da presença desses grupos seja mais acentuada nas capitais (55,9%), o fenômeno já se capilarizou pelo país. Nos municípios da região metropolitana, o índice é de 46,0%, e mesmo nas cidades do interior, mais de um terço da população (34,1%) identifica a atuação de facções em sua vizinhança. Essa expansão reflete, segundo o relatório, um processo de difusão territorial e nacionalização de grupos como o PCC e o Comando Vermelho, que transformaram o interior em entrepostos logísticos e espaços de disputa armada. Para a maioria dos que reconhecem a presença desses grupos, a atuação do crime não é invisível: 61,4% dos entrevistados (42,2 milhões de pessoas) afirmam que o crime organizado influencia muito ou moderadamente as decisões e as regras de convivência local. Segundo Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro da Segurança Pública, essa regulação do cotidiano por essas organizações é chamada de governança criminal. “Você tem o poder do Estado, mas também tem o poder do crime, que se coloca como um regulador da vida das pessoas que vivem nesses territórios e que, enfim, impõe uma série de regras e normas sobre o que pode e o que não pode ser feito nesses lugares”, explica Samira. Esse cenário cria o que a literatura acadêmica chama de “duopólio de violência”, onde o Estado e o crime coexistem na ordenação da vida diária. A consequência imediata é a imposição de uma disciplina social baseada no medo, como observado nos resultados: 81,0% temem ficar no meio de um confronto armado; 74,9% evitam frequentar certos locais; 71,1% têm medo de ter um familiar envolvido com o tráfico; 65,2% evitam circular em determinados horários; 64,4% têm medo de sofrer represálias caso denunciem crimes; 59,5% evitam falar sobre política no bairro; 12,5% sentem-se obrigados a contratar serviços (como internet ou TV a cabo) indicados pelo crime organizado; 9,4% se sentiram obrigados a comprar determinados produtos ou marcas, impostos pelo crime organizado aos comércios locais. O salto na vitimização O relatório mostra, ainda, que residir em um território com presença do crime organizado impacta a probabilidade de ser vítima de violência. Enquanto a média nacional de vitimização é de 40,1%, nos bairros dominados por facções esse índice sobe para 51,1% — um salto de 11 pontos percentuais. Nesses locais, há um aumento sistemático em diversas modalidades criminosas: o índice de pessoas que tiveram um familiar ou conhecido assassinado sobe de 13,1% para 17,6%, e as vítimas de golpes financeiros digitais saltam de 15,8% para 21,4%. Crimes de rua também são mais frequentes: o roubo de celular cresce de 8,3% para 12,1% e o roubo à mão armada passa de 3,8% para 6,5%. 🔎 A pesquisa “Medo do crime e eleições 2026: os gatilhos da insegurança” foi realizada pelo Instituto Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, entre os dias 9 e 10 de março de 2026. A margem de erro geral para o total da amostra é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%. O estudo teve abrangência nacional e contou com uma amostra total de 2.004 entrevistas realizadas em 137 municípios. Notícia anteriorPróxima notícia Como nasce o medo: CV instala célula do tráfico em área da milícia em Jacarepaguá e aterroriza moradores 11/05/2026 Citada na Carbono Oculto, Genial administra fundos do Governo de SP 11/05/2026 41% dos brasileiros afirmam conviver com o crime organizado no bairro onde moram 10/05/2026 Deixe seu comentário Nome E-mail Comentário Enviar Whatsapp X-twitter Facebook More than 2 results are available in the PRO version (This notice is only visible to admin users) Mais lidas na semana Como nasce o medo: CV instala célula do tráfico em área da milícia em Jacarepaguá e aterroriza moradores Citada na Carbono Oculto, Genial administra fundos do Governo de SP 41% dos brasileiros afirmam conviver com o crime organizado no bairro onde moram Hugo Motta também propôs lei para favorecer interesses de Vorcaro e do Banco Master Ciro Nogueira troca triplex por mansão projetada por arquiteto renomado Boletim Fique bem informado Receba notícias em seu e-mail Assine gratuitamente Enviado com sucesso Por favor, tente novamente.
Hugo Motta também propôs lei para favorecer interesses de Vorcaro e do Banco Master

Hugo Motta também propôs lei para favorecer interesses de Vorcaro e do Banco Master Presidente da Câmara, assim como Ciro Nogueira, alvo da PF por supostamente receber propina de Vorcaro, apresentou emenda que beneficiaria o banco pivô de fraude financeira Por Ivan Longo | Fórum 10/05/2026 O presidente da Câmara Hugo Motta – Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados A investigação da Polícia Federal (PF) sobre o Banco Master e a influência de Daniel Vorcaro no Congresso Nacional revelou que, além da chamada “Emenda Master” apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também apresentou uma proposta legislativa que beneficiou setores ligados aos negócios do ex-banqueiro. Ciro Nogueira virou alvo da Operação Compliance Zero por suspeita de atuar em favor dos interesses de Vorcaro no Senado e a PF menciona na investigação, também, uma emenda apresentada por Hugo Motta, em dezembro de 2023, ao projeto que regulamentou o mercado de carbono no Brasil. O dispositivo, incorporado à versão final da lei, obrigou entidades de previdência privada, sociedades de capitalização e resseguradoras a investirem parte de suas reservas em créditos de carbono ou fundos ligados a esses ativos. Na prática, a medida criou um mercado cativo para empresas do setor. Segundo a investigação, uma das companhias potencialmente beneficiadas era a Golden Green Participações, empresa do mercado de carbono conectada à rede de fundos abastecida com recursos ligados ao Banco Master. Outra empresa citada pela PF é a Global Carbon, que também possuía investimentos de fundos vinculados à estrutura financeira de Vorcaro. Emenda de Motta virou alvo de questionamento no STF A alteração apresentada por Hugo Motta foi contestada no Supremo Tribunal Federal (STF) pela Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg). A entidade afirma que a obrigação criada pela emenda poderá injetar até R$ 9 bilhões anuais em um mercado que não teria capacidade de absorver esse volume. Especialistas do setor ambiental também criticaram a medida. O pesquisador Shigueo Watanabe Jr., do Climainfo, afirmou que o texto criou um “mercado cativo” para empresas de crédito de carbono. Hugo Motta negou irregularidades e afirmou que a proposta foi resultado de um “acordo partidário”. O presidente da Câmara declarou ainda que “o ato de legislar não é crime”. A “Emenda Master” de Ciro Nogueira As investigações indicam que Daniel Vorcaro acompanhava diretamente projetos de interesse do Banco Master no Congresso, incluindo propostas relacionadas ao mercado de carbono, à transição energética e ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Segundo a PF, o empresário chegou a determinar a retirada de envelopes com minutas de projetos de lei na residência de Ciro Nogueira para revisão posterior. No centro da investigação está a chamada “Emenda Master”, apresentada pelo senador do PP para ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do FGC por investidor. De acordo com decisão do ministro André Mendonça, a PF afirma que o texto da proposta foi elaborado pela assessoria do Banco Master e reproduzido integralmente por Ciro Nogueira no Senado. Mensagens obtidas pela investigação mostram Vorcaro comemorando a apresentação da proposta. “Saiu exatamente como mandei”, escreveu o empresário, segundo os autos. Propina a Ciro Nogueira Na decisão que autorizou buscas e apreensões contra Ciro Nogueira, André Mendonça afirma que o senador, segundo as investigações, seria o “destinatário central” de supostas vantagens indevidas relacionadas ao esquema investigado. A PF aponta que Ciro Nogueira teria recebido propina de Vorcaro em pagamentos mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, além de viagens internacionais, voos privados, hospedagens, restaurantes, uso de imóvel de alto padrão e possível recebimento de dinheiro em espécie. O objetivo seria que o senador defendesse os interesses do Banco Master no Congresso. A quinta fase da Operação Compliance Zero teve mandados cumpridos em São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal e Piauí. A PF investiga crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos contra o Sistema Financeiro Nacional ligados ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro. 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Ciro Nogueira troca triplex por mansão projetada por arquiteto renomado

Ciro Nogueira troca triplex por mansão projetada por arquiteto renomado Senador usou triplex comprado por R$ 22 milhões em São Paulo 1 mês antes de apresentar a “emenda Master” para trocar por mansão nos Jardins Por Renan Porto | Metrópoles 10/05/2026 Fábio Vieira/Especial para o Metrópoles Alvo da Polícia Federal (PF) por suspeita de corrupção no escândalo do Banco Master, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) será dono de uma mansão de 878 metros quadrados no Jardim Europa, um dos bairros mais luxuosos de São Paulo. Segundo o próprio parlamentar, quando o imóvel ficar pronto, ainda neste ano, deverá valer cerca de R$ 30 milhões. O valor é impulsionado pelo projeto do renomado arquiteto Arthur Casas Mattos, premiado internacionalmente por construções em países como França, Japão e Estados Unidos, e no Brasil por projetos como o do Hotel Emiliano, do Rio de Janeiro. Como revelou o Metrópoles neste domingo (10/5), a mansão foi trocada por uma cobertura triplex que Ciro Nogueira comprou por R$ 22 milhões em julho de 2024, 26 dias após apresentar a chamada “emenda Master” no Senado, que beneficiaria o banco de Daniel Vorcaro. O imóvel está sendo adquirido por Ciro em negociação com o amigo Antônio Rocha Neto, empresário dos ramos de educação e transportes. O acordo estabelece que, em troca da mansão, o senador deve entregar o triplex, que fica na Rua Oscar Freire. O apartamento também está em fase final de construção e, segundo Ciro, também valerá em torno de R$ 30 milhões quando ficar pronto. A mansão terá design modernista, com linhas retas e concreto aparente em tom bege, marcas registradas de Arthur Casas. Além de um estacionamento no subsolo, são quatro andares recheados de cômodos espaçosos, uma academia e até um SPA no último pavimento. A casa tem quatro quartos, sendo um deles a suíte master, com closet e vista para a piscina e um jardim de inverno. O senador e sua companheira, Lorena Furtado, pediram uma série de alterações no projeto original, com o objetivo de adequá-lo às necessidades do casal. Uma das mudanças atendidas pela equipe de Arthur Casas foi a transformação do home theater, que estava previsto para o terceiro andar, em um luxuoso espaço para festas, com bar e mesa de DJ. A ideia seria usar o imóvel como uma “casa de negócios”. No início de abril, o Metrópoles esteve no imóvel e apurou que a mansão deve ficar pronta no início do segundo semestre deste ano. Triplex por mansão A futura mansão de Ciro Nogueira foi construída pelo empresário Antônio Rocha Neto, de quem o senador diz ser amigo há mais de 20 anos. Rochinha, como é conhecido, comprou o terreno no Jardim Europa em julho de 2023 por R$ 6 milhões, contratou o Studio Arthur Casas para realizar o projeto e uma construtora para colocá-lo de pé. Procurado pela reportagem, ele disse que pretendia morar no imóvel, mas mudou de ideia após sua família ser vítima de um assalto. “Decidi fazer a permuta com Ciro por esse motivo. A casa era para eu morar com a família. Mas depois desse assalto mudamos de ideia”, disse o empresário, sem revelar quanto gastou na construção. Desde o início do ano, os arquitetos da mansão passaram a lidar com Ciro e Lorena, que propuseram mudanças na estrutura do imóvel. O casal foi informado que, como a maior parte da construção é de concreto maciço, isso não seria possível. Eles tiveram que se contentar com alterações no interior dos cômodos, como a substituição do home theater pelo espaço para festas. Nos últimos meses, Lorena participou de uma série de reuniões no Studio Arthur Casas e fez visitas à obra para acompanhar o andamento da construção. A companheira de Ciro também tem ido a lojas de móveis para escolher os itens que vão preencher a futura propriedade. Sociedade com Vorcaro O triplex oferecido por Ciro Nogueira na troca pela mansão no Jardim Europa foi adquirido em julho de 2024, por R$ 22 milhões, três meses após o senador se tornar sócio do banqueiro Daniel Vorcaro e 26 dias antes de apresentar a chamada “emenda Master”, apontada pela Polícia Federal (PF) como um dos elos entre o parlamentar e o banco envolvido na fraude bilionária contra o sistema financeiro. Na última quinta-feira (7/5), Ciro foi alvo de mandados de busca e apreensão na quinta fase da Operação Compliance Zero, por suspeita de atuar “em favor do banqueiro, em troca do recebimento de vantagens econômicas indevidas”. Ao Metrópoles, o parlamentar disse que a compra do triplex por R$ 22 milhões ocorreu mediante a entrega de um apartamento no mesmo prédio, avaliado em R$ 8 milhões, e o restante em dinheiro, de forma parcelada. Segundo o senador, faltam ainda seis parcelas de R$ 336 mil e R$ 6,7 milhões na entrega das chaves. “Todo o imóvel foi negociado com a construtora e pago 100% por minha empresa”, afirmou Ciro, referindo-se à CNLF Empreendimentos Imobiliários, empresa suspeita de ter sido usada por ele para receber pagamentos ilícitos do Master. O imóvel entregue pelo senador na negociação, localizado no 1º andar, teria sido adquirido em 18 de janeiro de 2023, pouco após o início das obras do empreendimento. Ele afirma que, enquanto o imóvel era construído, chegou a discutir a possibilidade de trocá-lo por um outro apartamento do prédio, no 17º andar, mas acabou desistindo e depois fazendo a troca pelo triplex. Ciro Nogueira afirmou que a compra do primeiro imóvel no prédio ocorreu muito antes de ele conhecer Daniel Vorcaro. Mesada De acordo com as investigações da Polícia Federal, a emenda apresentada por Ciro Nogueira em 13 de agosto de 2024, 26 dias após comprar o triplex, tinha como objetivo proteger as operações fraudulentas do Master. O texto, que teria sido redigido pela assessoria do próprio banco, previa quadriplicar o valor de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Ao representar pelos mandados da quinta fase da Compliance Zero, a PF cita uma mensagem em que Daniel Vorcaro afirma que a emenda “saiu exatamente como mandei”. Em troca, segundo a investigação, o senador
Ciro Nogueira comprou triplex de R$ 22 milhões em SP 1 mês antes de “emenda Master” (VIDEO)

Ciro Nogueira comprou triplex de R$ 22 milhões em SP 1 mês antes de “emenda Master” (VIDEO) Alvo da PF por suspeita de corrupção no caso Master, senador Ciro Nogueira adquiriu triplex de 514 m² após virar sócio de Daniel Vorcaro Por Renan Porto | Metrópoles 10/05/2026 Arte/Metrópoles O senador Ciro Nogueira (PP-PI) comprou cobertura triplex de R$ 22 milhões em um dos prédios mais luxuosos de São Paulo três meses após se tornar sócio do banqueiro Daniel Vorcaro e 26 dias antes de apresentar a chamada “emenda Master”, apontada pela Polícia Federal (PF) como um dos elos entre o parlamentar e o banco envolvido na fraude bilionária contra o sistema financeiro. Na última quinta-feira (7/5), Ciro foi alvo de mandados de busca e apreensão na quinta fase da Operação Compliance Zero, por suspeita de atuar “em favor do banqueiro Daniel Vorcaro, em troca do recebimento de vantagens econômicas indevidas”. Segundo a PF, ele recebia mesada de R$ 300 mil a R$ 500 mil do banqueiro. O senador e presidente nacional do PP nega as acusações. Com 514 metros quadrados, o triplex comprado por Ciro está em fase final de construção e fica na badalada Rua Oscar Freire, na zona oeste de São Paulo, famosa pelas lojas de grife e por restaurantes da alta gastronomia. A aquisição do imóvel, que tem três suítes e três vagas de garagem, ocorreu em julho de 2024, diretamente com a incorporadora RFM, responsável pelo prédio. Em 13 de agosto daquele ano, Ciro apresentou emenda à PEC nº 65/2023 ampliando a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante, um pleito do Master, que já enfrentava grave crise de liquidez. A PF aponta que a emenda foi elaborada pela assessoria do banco e apresentada de “forma integral” por Ciro no Senado. Mensagem capturada pela PF mostra que, logo após a publicação da emenda, Vorcaro disse que o texto “saiu exatamente como mandei”. Ao Metrópoles, Ciro disse que o acordo de compra do triplex prevê o pagamento dos R$ 22 milhões mediante a entrega de um apartamento no mesmo prédio, avaliado em R$ 8 milhões, e o restante em dinheiro, de forma parcelada. Segundo o senador, faltam ainda seis parcelas de R$ 336 mil e R$ 6,7 milhões na entrega das chaves. “Todo o imóvel foi negociado com a construtora e pago 100% por minha empresa”, afirmou Ciro, referindo-se à CNLF Empreendimentos Imobiliários, empresa suspeita de ter sido usada por ele para receber pagamentos ilícitos do Master. O imóvel entregue pelo senador na negociação, localizado no 1º andar, teria sido adquirido em 18 de janeiro de 2023, pouco após o início das obras do empreendimento. Ele afirma que, enquanto o imóvel era construído, chegou a discutir a possibilidade de trocá-lo por um outro apartamento do prédio, no 17º andar, mas acabou desistindo e depois fazendo a troca pelo triplex. Segundo o próprio senador, o imóvel na cobertura valeria hoje em torno de R$ 30 milhões. Troca do triplex por mansão Em março deste ano, Ciro decidiu fazer nova troca, mesmo com parcelas do apartamento ainda pendentes. Desta vez, por uma casa de altíssimo padrão no Jardim Europa, bairro repleto de mansões na zona oeste paulistana. O imóvel, de 878 metros quadrados, que também está em fase final de construção, é assinado pelo renomado arquiteto Arthur Casas Mattos, premiado internacionalmente por projetos como o do Hotel Emiliano, no Rio de Janeiro, e da Villa Dubrovnik, na Croácia. A negociação foi feita com o empresário Antônio Rocha Neto, amigo de Ciro que atua no ramo de educação e transportes. Rochinha, como é conhecido, adquiriu o terreno que dará lugar à casa em julho de 2023 por R$ 6 milhões, contratou o escritório de arquitetura para fazer o projeto e uma construtora para colocá-lo de pé. Desde o início do ano, no entanto, a equipe de arquitetos passou a responder diretamente ao senador e à sua namorada, Lorena Furtado. De acordo com fontes envolvidas na obra, o casal pediu uma série de alterações no projeto, como a substituição de uma sala de home theater por um luxuoso espaço para festas, com bar e mesa de DJ. A ideia de Ciro seria utilizar o imóvel como uma “casa de negócios”. No início de abril, a reportagem esteve na mansão, que também contará com piscina aquecida, jardins de inverno, academia e até um SPA no último andar. Segundo o senador, quando a casa no Jardim Europa ficar pronta, terá valor de mercado equivalente ao do triplex, em torno de R$ 30 milhões. A expectativa é que Ciro possa desfrutar de sua mais nova propriedade a partir do início do segundo semestre deste ano. Procurado pela reportagem, Antônio Rocha Neto disse que pretendia morar no imóvel projetado por Arthur Casas, mas mudou de ideia após sua família ser vítima de um assalto. “Decidi fazer a permuta com Ciro por esse motivo. A casa era para eu morar com a família. Mas, depois desse assalto, mudamos de ideia”, disse o empresário, sem revelar quanto gastou na construção. Ciro e Master De acordo com as investigações da Polícia Federal, a emenda apresentada por Ciro Nogueira em agosto de 2024, 26 dias após comprar o triplex, tinha como objetivo proteger as operações fraudulentas do Banco Master. O texto, que teria sido redigido pela assessoria do próprio banco, previa quadriplicar o valor de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A emenda não avançou. O Master foi liquidado pelo Banco Central (BC) em novembro de 2025, com a primeira fase da Operação Compliance Zero, que prendeu Daniel Vorcaro pela primeira vez, por suspeita de fraude bilionária contra o sistema financeiro. Ao todo, o FGC pagará R$ 40 bilhões para 800 mil pessoas que tinham até R$ 250 mil investidos no Master. Ao representar pelos mandados contra Ciro Nogueira, deferidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a PF cita mensagens de Vorcaro dizendo que a emenda havia saído “exatamente como mandei” e diálogos do banqueiro com o primo Felipe Vorcaro que indicam pagamentos
Governo do RJ desistiu de comprar Black Hawk de R$ 70 milhões ao desconfiar que helicóptero de guerra era usado

Policial militar é baleado durante assalto na RJ-106 enquanto voltava do serviço Levantamento do g1 identificou ligações entre participantes da licitação, suspeitas sobre a procedência da aeronave e questionamentos técnicos sobre o uso do helicóptero militar em operações urbanas no Rio. Por Marco Antônio Martins | g1 Rio 10/05/2026 Black Hawk da Força Aérea Brasileira — Foto: Divulgação/Força Aérea Brasileira O governo em exercício do Rio de Janeiro suspendeu a compra de um helicóptero Black Hawk para a Polícia Militar após identificar uma série de problemas no processo de licitação e por desconfiar que a aeronave era usada. O Black Hawk é um helicóptero militar multifuncional fabricado nos Estados Unidos pela Sikorsky Aircraft e utilizado por forças armadas e órgãos de segurança de diversos países. Conhecida pela resistência e capacidade operacional em áreas de combate, a aeronave pode ser usada em missões de transporte de tropas, resgate, evacuação médica e ações táticas. Levantamento realizado pelo g1 nos últimos três meses aponta que ao menos duas empresas que participaram da concorrência eram ligadas a um mesmo empresário: Fernando Carlos da Silva Telles, de 55 anos. Tico-Tico, como é chamado, é conhecido no meio de prestação de serviços de helicópteros por já ter participado de concorrências e, em alguns casos, suas aeronaves apresentarem problemas para administrações públicas, seja na gestão estadual ou federal. Fernando Telles aparece no processo de licitação como representante da empresa Flyone. A concorrência para a cessão do Black Hawk foi ganha pela Blue Air. Documento da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostra que seu sobrinho, Daniel de Sousa Freitas da Silva Telles, é diretor de operações da empresa. O Ministério Público Federal apura acidentes ocorridos com aeronaves da Flyone no Acre, quando Tico-tico era responsável pela empresa. O contrato assinado com o governo federal prevê o transporte de alimentos e medicamentos para povos originários. Até a última atualização desta reportagem, o g1 não havia conseguido contato com Fernando Telles, o Tico-tico, ou com seu sobrinho, Daniel. R$ 70 milhões A aquisição do helicóptero blindado custaria US$ 12,6 milhões ou R$ 70,3 milhões aos cofres estaduais na conversão do dólar no dia que o negócio foi fechado. A justificativa para se adquirir a aeronave era que a polícia precisava de um equipamento com forte blindagem para atuar em áreas conflagradas no Rio de Janeiro. Após mais de um ano de tramitação da licitação, a empresa Blue Air Táxi Aéreo foi a escolhida para fornecer a aeronave de guerra à PM do Rio. A Blue Air mantém sedes em um hangar no Aeroporto de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, e em Alagoas. A empresa atua principalmente nos setores de táxi aéreo e serviços aeromédicos, com aeronaves equipadas para remoção de pacientes em emergências. É assim que ela está registrada na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Como foi o processo A concorrência começou em 2024, quando o governo do estado decidiu abrir licitação para a compra de um helicóptero blindado para a Polícia Militar. De acordo com o edital, antes os disparos contra o Caveirão do ar, que é como o helicóptero blindado da PM é chamado, eram “voltados para possibilitar a fuga de criminosos, agora (segundo a corporação) têm o objetivo de abater os helicópteros”, o que pode retirar de uma circulação um equipamento da polícia. Além disso, a PM considera que a aeronave “oferece grande poder de dissuasão e vantagem tática, aumentando a segurança da tropa e a probabilidade de êxito nas missões”. De acordo com a corporação, houve um aumento da ordem de 66,6% na quantidade de avarias causadas por disparos de armas de fogo em helicópteros do Grupamento Aeromóvel (GAM) no último ano. Entre 2022 e 2025, todas as avarias ocorreram no helicóptero de matrícula PR-COE, modelo Huey II, o único blindado da frota de 7 aeronaves. A equipe responsável pela licitação levantou no mercado 15 possíveis modelos de helicópteros blindados. Apenas um era o Black Hawk. Em 11 de agosto, já durante o andamento do processo, a Polícia Militar realizou uma audiência pública para discutir questionamentos apresentados por empresas interessadas na disputa. Parte das críticas feitas por outras empresas apontava que os requisitos do edital poderiam restringir a concorrência e indicar direcionamento. Quando a Aeronáutica adquiriu aeronaves Black Hawk, por exemplo, optou por não exigir a licitação, sob a justificativa de que se tratava de um equipamento específico, sem similar no mercado nacional e que apenas a empresa americana ACE Aeronautics seria a única capaz de fornecer esse tipo de helicóptero. Na audiência promovida pela PM estavam representantes das empresas participantes e integrantes da corporação. Entre os presentes estava Fernando Telles, que assinou a lista de presença como representante da Flyone. A Blue Air, segundo a ata da reunião obtida pelo g1, não enviou representantes ao encontro. No mês seguinte, a Flyone não apresentou proposta, enquanto a Blue Air surgiu pela primeira vez na concorrência e acabou no fim do ano de 2025 declarada vencedora. O valor apresentado — pouco mais de US$ 12,6 milhões — chamou atenção por ficar abaixo do preço pago pela Aeronáutica na compra de 11 helicópteros Black Hawk em 2025, quando cada unidade custou, em média, US$ 20,9 milhões. Ligações suspeitas A diferença de valores levantou uma suspeita do governo em exercício: a possibilidade de o helicóptero destinado ao Rio ter peças de segunda mão. Em meio a esse processo licitatório a Ambipar adquiriu a Flyone e, em novembro, demitiu Fernando Telles. Já em 2026, o representante da Blue Air, Renato Carriço dos Santos, apareceu em vídeo ao lado do ex-governador Cláudio Castro e do secretário da Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes, para anunciar a compra do helicóptero. Na ocasião, Castro comemorou a aquisição da aeronave. Carriço mora em Cabo Frio, na Região dos Lagos, e trabalhou como controlador técnico de manutenção da Aeronáutica. Entre janeiro de 2000 e agosto de 2025, foi funcionário da Ancoratek Manutenção de Aeronaves, empresa que teve Fernando Telles como proprietário. A Ancoratek foi investigada pela Marinha após um acidente com um helicóptero na Base Naval de São Pedro da Aldeia, em 2023. Documentos da Agência Nacional de
O excesso de esperteza que pode engolir Cláudio Castro

O excesso de esperteza que pode engolir Cláudio Castro Ao manipular sucessão, ex-governador do Rio abriu caminho para desembargador promover devassa em sua gestão Por Bernardo Mello Franco | O Globo 10/05/2026 O ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL) e o governador interino do estado, desembargador Ricardo Couto — Foto: Fotos de Brenno Carvalho e Alexandre Cassiano/O Globo A lição costumava ser repetida por políticos mineiros da velha guarda: a esperteza, quando é muita, vira bicho e engole o dono. Cláudio Castro se julgou esperto ao negociar a renúncia do vice-governador eleito em sua chapa em 2022. Queria abrir caminho ao presidente da Assembleia Legislativa, que disputaria a eleição de outubro na cadeira de governador. O vice saiu da fila, mas o presidente da Alerj acabou preso sob suspeita de favorecer o Comando Vermelho. Quando Castro renunciou para fugir da cassação, o estado caiu no colo do presidente do Tribunal de Justiça. Era o único na linha sucessória que não devia nada a ele. O desembargador Ricardo Couto assumiu em 23 de março. Avisou que não faria mudanças drásticas porque esperava sair de cena em poucos dias. Mantido no cargo por decisão do Supremo, abandonou o estilo discreto e deu início a uma devassa na administração estadual. Em sete semanas, já demitiu mais de 1.700 ocupantes de cargos comissionados e trocou 10 dos 35 secretários. Na sexta-feira, foi a vez do Detran. Couto exonerou o presidente, ligado ao ex-deputado Márcio Canella, e nomeou um ex-comandante do Bope. O órgão de trânsito era tido como um dos maiores focos de corrupção do Rio. O governo interino recebeu relatos de fraudes em contratos e serviços, além de cobrança de propina a motociclistas reprovados em exames de direção. O desembargador encontrou uma máquina partida ao meio. Metade do primeiro escalão pertencia ao ex-governador, que chegou a presentear um compadre com a Secretaria do Ambiente. Outra metade estava lotada entre aliados de Bacellar, que usava o governo para atender sua clientela na Alerj. Para multiplicar os cargos, Castro criou até uma Subsecretaria de Gastronomia, subordinada à Casa Civil. O órgão era controlado pelo deputado Eduardo Pazuello, o general da pandemia. O cabide contava com uma pitoresca Superintendência de Demandas Cotidianas. Tudo foi extinto pelo governador em exercício. A lógica da partilha política também dominava o Segurança Presente, que não estava sujeito ao comando das polícias. As equipes de patrulhamento eram indicadas por deputados, prefeitos, vereadores e apaniguados. Em Saquarema, quem mandava era Fabrício Queiroz, o notório operador da rachadinha de Flávio Bolsonaro na Alerj. Ao transferir o programa para a Secretaria da PM, Couto se virou alvo de protestos. Em vídeo nas redes sociais, o deputado Alexandre Knoploch ameaçou usar “instrumentos” legislativos para derrubar a medida do governador. O parlamentar não é o único insatisfeito com as mudanças no Rio. Em encontro recente, Castro reclamou das demissões e perguntou se o governador em exercício se considerava seu amigo. Couto respondeu que sim, mas não se fez de rogado. “Se um dia você for preso, vou à cadeia levar cigarros”, ironizou. A esperteza, como ensinavam os mineiros, ainda pode engolir o dono. Notícia anteriorPróxima notícia ALERJDeputado EstadualDeputado FederalDetranGovernadorPL Partido LiberalPolícia Militar PMRegião do Lagos Baixada LitorâneaSaquarema RJSenadorTJ-RJ Como nasce o medo: CV instala célula do tráfico em área da milícia em Jacarepaguá e aterroriza moradores 11/05/2026 Hugo Motta também propôs lei para favorecer interesses de Vorcaro e do Banco Master 10/05/2026 Ciro Nogueira troca triplex por mansão projetada por arquiteto renomado 10/05/2026 Deixe seu comentário Nome E-mail Comentário Enviar Whatsapp X-twitter Facebook More than 2 results are available in the PRO version (This notice is only visible to admin users) Mais lidas na semana Como nasce o medo: CV instala célula do tráfico em área da milícia em Jacarepaguá e aterroriza moradores Hugo Motta também propôs lei para favorecer interesses de Vorcaro e do Banco Master Ciro Nogueira troca triplex por mansão projetada por arquiteto renomado Ciro Nogueira comprou triplex de R$ 22 milhões em SP 1 mês antes de “emenda Master” (VIDEO) Governo do RJ desistiu de comprar Black Hawk de R$ 70 milhões ao desconfiar que helicóptero de guerra era usado Boletim Fique bem informado Receba notícias em seu e-mail Assine gratuitamente Enviado com sucesso Por favor, tente novamente.
Flávio Bolsonaro fala em governo de até 8 anos após ter acenado com fim de reeleição

Flávio Bolsonaro fala em governo de até 8 anos após ter acenado com fim de reeleição Discurso a empresários de SC contraria proposta para atrair aliados; presidenciável promete nova reforma tributária Flávio também cita esquerda insignificante por 40 anos e critica resultado de reunião de Lula com Trump Por Italo Nogueira e Leon Ferrari | Folha de S.Paulo 09/05/2026 O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Senado Federal durante a sabatina de Jorge Messias para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal) – Gabriela Bilo – 29.abr.26/Folhapress Rio de Janeiro e Florianópolis – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, mencionou em discurso nesta sexta-feira (8) a possibilidade de que, caso eleito, seu governo dure oito anos. A fala, feita de improviso a empresário em Santa Catarina, contraria o aceno feito por Flávio a aliados de que, se vencer em outubro, vai deixar o caminho livre para outros postulantes em 2030. O senador tem se posicionado contra a reeleição. “O meu sonho, e o que eu vou realizar, é acabar o governo, Jorginho [Mello, governador de SC], seja daqui a quatro, daqui a cinco, daqui a oito anos, aonde a gente vai poder bater o peito e falar: ‘Menos pessoas dependem de políticos para levar comida para dentro de casa e levar dignidade para as suas famílias’”, afirmou o senador. Flávio anunciou em fevereiro que protocolou uma PEC (proposta de emenda à Constituição) para acabar com a reeleição no país. A medida mira atrair o endosso de governadores, lideranças e partidos que estão na fila para disputar o Palácio do Planalto em um cenário sem Lula (PT) ou Bolsonaros nas urnas. Um dos principais destinatários do aceno de Flávio é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que em 2030 terá a corrida presidencial como opção natural, depois de tentar a reeleição neste ano. Interlocutores do senador negam, porém, que já exista algum acordo prévio com o governador para que ele seja o próximo presidenciável da direita bolsonarista. No discurso, Flávio também falou que a esquerda será insignificante por até 40 anos, caso ele vença a eleição. “A gente vai botar um fim no ciclo do PT nesse país. Vocês nunca mais vão ouvir falar de esquerda nos próximos 30, 40 anos, porque eles vão ser colocados no lugar de onde eles nunca deveriam ter saído, que é a insignificância. É uma mentalidade cancerígena”, afirmou. Flávio discursou ao lado do governador Jorginho Mello (PL), pré-candidato à reeleição, da deputada Caroline de Toni (PL) e do ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL), pré-candidatos ao Senado. Ele reafirmou o apoio à dupla do PL, decisão que provocou racha com aliados no estado. O senador também fez críticas à política externa e à condução econômica do governo Lula. Ao comentar a visita do presidente a seu homólogo norte-americano, Donald Trump, disse que o petista perdeu uma oportunidade de intensificar o combate ao crime organizado. “O Lula perdeu mais uma oportunidade de ir lá para os Estados Unidos e começar a combater de verdade as organizações criminosas aqui no Brasil. Mas não, ele vai para lá, não traz absolutamente nada de concreto, de notícia boa para o povo brasileiro. Parece que foi, mais uma vez, defender os interesses dos seus eleitores, do CV e do PCC, ao invés de fazer uma parceria com os Estados Unidos, Israel, Argentina”, afirmou. Flávio também disse que pretende propor uma nova reforma tributária, para alterar a aprovada no Congresso nesta Legislatura, após proposta do governo Lula. O senador afirmou que pretende reduzir impostos sem indicar compensação de receitas, como determina a Lei de Responsabilidade Fiscal. “Eu quero começar a minha transição ainda, se Deus quiser, após os resultados das eleições, já mandando para o próprio Congresso Nacional uma nova reforma tributária, que não tem que ser neutra. […] A lei diz que você não pode diminuir o imposto sem dizer como é que você compensa essa perda de arrecadação. Isso vai mudar porque o [ex-] presidente [Jair] Bolsonaro provou que, com um governo moderno, com um governo que não rouba, com um governo enxuto, com um governo digitalizado, você pode baixar o imposto, que a arrecadação vai aumentar. E as consequências são maravilhosas para todo mundo.” Notícia anteriorPróxima notícia Deputada FederalGovernadorPEC Proposta de Emenda à ConstituiçãoPL Partido LiberalPresidente da RepúblicaPT Partido dos TrabalhadoresRegião Metropolitana e Baixada FluminenseRepublicanosRio de Janeiro RJSenadorVereador Kassio convida Bolsonaro e Collor para posse na presidência do TSE 11/05/2026 Oposição começa a coletar assinaturas de PEC para anistiar presos do 8 de janeiro 11/05/2026 Bolsonarismo: a celebração da imbecilidade 11/05/2026 Deixe seu comentário Nome E-mail Comentário Enviar Whatsapp X-twitter Facebook More than 2 results are available in the PRO version (This notice is only visible to admin users) Mais lidas na semana Kassio convida Bolsonaro e Collor para posse na presidência do TSE Oposição começa a coletar assinaturas de PEC para anistiar presos do 8 de janeiro Bolsonarismo: a celebração da imbecilidade Empresa de preso por elo com PCC tem contrato de R$ 141 milhões no governo de GO Como nasce o medo: CV instala célula do tráfico em área da milícia em Jacarepaguá e aterroriza moradores Boletim Fique bem informado Receba notícias em seu e-mail Assine gratuitamente Enviado com sucesso Por favor, tente novamente.