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Polícia e MP investigam possível vazamento de informações de operação que mirou integrantes do PCC e Milton Leite em SP

Dos 16 alvos de prisão temporária da Operação Vectura Corrupta, cinnco continuam foragidos. Entre eles o presidente da A2 Transportes e do time do Água Santa, Paulo Sirqueira Korek Farias - o 'Camarão'.

Por Rodrigo Rodrigues e Bruno Tavares | g1 SP e TV Globo

18/09/2026

Polícia e MP investigam possível vazamento de informações de operação que mirou integrantes do PCC e Milton Leite em SP
O empresário Paulo Sirqueira Korek Farias, presidente da viação A2 Transportes e do Time Água Santa, e o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil). — Foto: Reprodução/TV Globo

São Paulo – A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) vão apurar as suspeitas de um possível vazamento de informações sobre a Operação Vectura Corrupta, que investiga a ligação de membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) com o sistema de transportes da cidade de São Paulo.

A apuração foi aberta depois que investigadores estiveram em pelo menos dois endereços ligados ao ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil), e encontraram apenas empregados nesses locais. Ele é suspeito de envolvimento no esquema criminoso.

Outro procurado em vários endereços é o empresário Paulo Sirqueira Korek Farias, presidente da viação A2 Transportes e do time de futebol Água Santa, que também não foi encontrado nos endereços visitados pelos investigadores.

Em coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira (17), o delegado Fabrício Intelizano – de Mogi das Cruzes – afirmou que vai apurar se houve vazamento no decorrer da investigação.

“A gente vai apurar isso [vazamentos] no curso da investigação. Mas a gente não pode afirmar de maneira categórica. Tanto que a maioria dos alvos foi encontrado. Se tivesse ocorrido de fato qualquer tipo de situação assim, o resultado da operação teria sido outro. Mas isso a gente vai apurar ao longo da investigação e verificar se houve esse tipo de situação”, afirmou.

O delegado lembrou que 11 dos 16 alvos de prisão temporária da Operação Vectura Corrupta foram presos. Cinco seguem foragidos. Entre os presos estão o ex-vereador Milton Leite (União), Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande e atual candidato a deputado estadual. A equipe de reportagem não localizou as defesas.

Milton havia negado qualquer envolvimento com o PCC e se apresentou à delegacia de Mogi nesta sexta-feira (18). Ele havia afirmado na quinta que estava em viagem de compromissos políticos e que a esposa estava viajando para o exterior; por isso, não havia sido encontrado em casa (veja mais aqui).

Buscas em Sorocaba e 'passagem secreta'

Na manhã desta sexta-feira (18), a Polícia Civil e o Ministério Público (MP) encontraram uma espécie de “passagem secreta” entre dois imóveis ligados a Milton durante buscas em Sorocaba, no interior paulista, para tentar prender o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo.

De acordo com as autoridades, uma casa pertence a um assessor do ex-parlamentar e a outra residência seria do próprio Milton. O segundo imóvel estaria vazio.

Diante do que os investigadores encontraram, eles suspeitam que o político possa ter estado em alguma das demais residências. Para saber disso, a investigação vai analisar imagens de câmeras de monitoramento.

No local das buscas havia dinheiro e documentos. A pessoa que estava no imóvel não soube explicar a origem deles. Foram encontrados e apreendidos R$ 280 mil e US$ 89 mil (cerca de R$ 457 mil) dentro de malas. A polícia não sabe a origem dos valores e investiga se eles são de Milton.

Segundo o Ministério Público, ao menos 12 das 22 empresas de transporte coletivo da capital seriam controladas direta ou indiretamente pela facção criminosa PCC. Essa é uma alegação da investigação, ainda sujeita à apuração judicial.

O nome de Milton aparece em diálogos e outros elementos reunidos pela investigação. A decisão também menciona depoimentos de policiais militares que o apontaram como “dono de fato” da Transwolff, empresa que já havia sido investigada na Operação Fim da Linha, em 2024. A Transwolff nega que o político tenha participação societária ou atuação na gestão da empresa. Milton também nega ser proprietário da Transwolff.

 
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