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Quem é “Mineiro”, delator que pode complicar Flávio Bolsonaro no caso Dark Horse

Empresário afirma ter feito sete transferências de US$ 12,3 milhões a pedido de Daniel Vorcaro

Por Fórum

09/09/2026

Quem é “Mineiro”, delator que pode complicar Flávio Bolsonaro no caso Dark Horse
Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”. Foto: Entrepay

Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, é o empresário que firmou nesta quarta-feira (9) colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República e relatou operações financeiras ligadas ao financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro.

Dono da Entre Investimentos, ele é apontado nas investigações como operador financeiro de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

Segundo o depoimento de Mineiro, sete transferências foram feitas ao fundo Havengate, nos Estados Unidos, ao longo de 2025.

Os pagamentos somaram US$ 12,3 milhões, aproximadamente R$ 69 milhões pela cotação da época, e teriam sido realizados a pedido de Vorcaro.

O Havengate foi utilizado no financiamento de Dark Horse. O fundo é administrado pelo advogado Paulo Calixto, apontado como próximo de Eduardo Bolsonaro. Informações anteriores já indicavam que o Grupo Entre havia repassado pelo menos R$ 10 milhões ao fundo.

A movimentação passou a ser investigada no contexto da negociação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro para o financiamento do filme.

A PF e a PGR agora buscam reconstruir a trajetória do dinheiro. Entre os pontos investigados está a possibilidade de parte dos recursos ter sido destinada a despesas relacionadas a Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, além dos custos da produção. A destinação final dos valores ainda é objeto de apuração.

Quem é Mineiro

Freixo Júnior construiu carreira no mercado financeiro. Formado em Administração de Empresas pela Faap, ele contou que começou a trabalhar aos 14 anos como office-boy no Banco Nacional, em Santa Rita do Sapucaí (MG). Segundo seu perfil no Linkedin, em 1983 Freixo Júnior foi operador de crédito rural no mesmo banco.

Mais tarde, foi vice-presidente do Banco Garantia e ocupou cargos de liderança no Credit Suisse.

Em 2016, fundou o Grupo Entre. Em 2022, criou a Entrepay, voltada ao setor de meios de pagamento. Também possui participação além da IstoÉ Publicações, em empresas como Leads Securitizadora,  Linked Gourmet, Pmovil e Wealth Money.

A relação do empresário com o caso Master já havia aparecido antes da delação. Mineiro foi alvo de busca e apreensão em janeiro, durante a segunda fase da Operação Compliance Zero, que também atingiu endereços ligados a Vorcaro e outros empresários.

Em março, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Entrepay por irregularidades e risco aos credores. O comunicado oficial também determinou a indisponibilidade dos bens de controladores e ex-administradores, entre eles Freixo Júnior.

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