Segundo a determinação, as duas organizações brasileiras representam uma “ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo”. Washington acrescenta que o governo brasileiro “precisa urgentemente tomar medidas agressivas para confrontá-las e derrotá-las antes que se espalhem e cresçam”.
O documento, porém, não detalha quais ações específicas os EUA esperam das autoridades brasileiras nem apresenta dados sobre o volume de drogas atribuído às facções.
As críticas ao Brasil aparecem em uma seção na qual a Casa Branca avalia os esforços de diferentes governos do Hemisfério Ocidental contra o narcotráfico e grupos classificados pelos EUA como “narcoterroristas”. O texto afirma que vários países da região vêm adotando medidas para reduzir fluxos de drogas e enfrentar cartéis e cita Argentina, Equador e El Salvador entre aliados elogiados por sua atuação nessa área.
Apesar da cobrança relacionada ao PCC e ao CV, o Brasil não integra a relação de países que Washington identificou formalmente como grandes territórios de trânsito ou de produção ilícita de drogas. A lista inclui, entre outros, Colômbia, México, Venezuela, Peru, Equador e Bolívia.
O próprio documento ressalta que a inclusão nessa relação não representa necessariamente uma avaliação negativa dos esforços antidrogas de cada governo, já que também considera fatores geográficos, comerciais e econômicos que facilitam a circulação ou a produção de entorpecentes e seus precursores.
O documento é divulgado enquanto os EUA voltam a atacar embarcações no Oceano Pacífico. O Comando Sul americano informou hoje o afundamento de outro barco do Equador que supostamente apoiava operações ilícitas de tráfico de drogas em alto-mar.
A Casa Branca citou ainda a captura do ditador Nicolás Maduro como um exemplo de cooperação entre os Estados Unidos e o governo venezuelano.
“Consideradas as medidas positivas adotadas sob a presidência interina de Delcy Rodríguez, decidi que a Venezuela não deve mais ser considerada como tendo falhado comprovadamente no cumprimento de seus compromissos em matéria de controle de drogas”, afirma o documento.
Em junho, os EUA classificaram o PCC e CV como organizações terroristas. A decisão autoriza, sem aviso prévio, o bloqueio de bens e de fundos pertencentes a essas organizações nos EUA.