A condução do caso Master por André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), suscita uma questão dentro da própria cronologia da investigação: por que as suspeitas que envolvem Alexandre de Moraes avançaram sob sua relatoria, enquanto os questionamentos sobre a atuação de Dias Toffoli não tiveram, até agora, o mesmo desdobramento?
No caso de Moraes, Mendonça adotou medidas para que as suspeitas levantadas no curso da investigação fossem apuradas. Já em relação a Toffoli, episódios anteriores que provocaram questionamentos sobre a condução do inquérito do Master não resultaram, até o momento, em iniciativa semelhante. Inclusive o relatório entregue por Andrei Rodrigues a Edson Fachin, que suscitou o afastamento de Toffoli como relator, segue em sigilo.
Toffoli assumiu o controle jurisdicional do caso em dezembro de 2025 e determinou que diligências e medidas da investigação fossem previamente submetidas a seu gabinete. Pouco depois, em 24 de dezembro, ordenou de ofício uma acareação entre Daniel Vorcaro, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino.
A medida chamou atenção porque não havia sido solicitada pela Polícia Federal e foi determinada antes mesmo da tomada dos depoimentos individuais. A Procuradoria-Geral da República pediu a suspensão da acareação por considerá-la prematura, mas Toffoli inicialmente manteve a decisão.
Há ainda um componente que torna a diferença de tratamento relevante: Mendonça e Toffoli mantêm relação próxima. Mendonça é grato ao colega pela atuação em favor de seu nome durante o processo que levou Jair Bolsonaro a indicá-lo ao Supremo.
A proximidade, por si só, não demonstra qualquer irregularidade nem permite concluir que tenha influenciado decisões de Mendonça. Mas, diante do avanço da apuração envolvendo Moraes, deixa uma pergunta objetiva sobre a condução do caso: quais critérios levaram Mendonça a considerar que as suspeitas contra um colega mereciam investigação e as relacionadas à atuação de Toffoli, até agora, não?
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