A movimentação da oposição ocorre justamente quando a PEC ganhou um caminho mais claro no Senado. O texto reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, estabelece dois dias de repouso semanal remunerado e mantém a garantia de salário. A proposta também elimina a lógica da escala de seis dias de trabalho por um de descanso.
A estratégia de Flávio tem um componente claramente eleitoral. O próprio entorno do candidato reconhece que simplesmente se posicionar contra o fim da 6×1 é uma posição difícil de sustentar diante da popularidade da mudança. Pesquisa Quaest, divulgada em 15 de julho, aponta que 69% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala, enquanto 22% são contrários. Para a campanha, deixar Lula ocupar sozinho esse espaço permitiria ao presidente apresentar a direita como adversária de uma medida com forte apelo entre trabalhadores.
Por isso, Flávio passou a defender uma proposta apresentada por Rogério Marinho (PL-RN), seu coordenador de campanha. Em vez de estabelecer constitucionalmente uma nova jornada, a PEC alternativa cria um modelo baseado na remuneração por hora trabalhada e na possibilidade de o trabalhador definir a quantidade de horas e os horários de trabalho. O texto também prevê a prevalência do que for acordado entre patrão e empregado sobre convenções e acordos coletivos.
Flávio tenta apresentar a ideia como uma defesa da “liberdade de escolha”. Em entrevista à Record, no domingo 30, afirmou que o trabalhador poderia definir quanto quer trabalhar e receber proporcionalmente às horas trabalhadas. Como exemplo, citou mulheres que precisam reduzir a jornada por não terem com quem deixar os filhos.
A articulação também se soma à estratégia de Rogério Marinho para dificultar a votação. O líder da oposição no Senado pretende recorrer a instrumentos regimentais, como pedidos de vista e discussão de emendas, além de resistir a acordos que reduzam os prazos para a análise da PEC em dois turnos.