Para o Fórum Brasileiro de Segurança, as rodovias funcionam como corredores logísticos para o transporte de drogas pelo interior do país, enquanto os portos são utilizados como rotas de saída da cocaína para o mercado internacional.
Em fevereiro de 2025, por exemplo, a Polícia Federal apreendeu cerca de 450 quilos de cocaína nos portos de Pecém e Mucuripe, escondidos em contêineres para exportação de cera de carnaúba e polpa de manga congelada.
Oitavo estado brasileiro em população, o Ceará registrou no ano passado uma redução de 7,5% no número de assassinatos, mas segue entre as unidades da federação mais violentas do país, cenário que faz da segurança o principal desafio do governador Elmano de Freitas (PT).
Proporcionalmente, o Ceará é o terceiro estado do país com maior taxa de mortes violentas. Em números absolutos, fica em quatro lugar, com 3.220 mortes, atrás de Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo.
Nos últimos anos, o Comando Vermelho, facção com origem no Rio de Janeiro, avançou sobre áreas dominadas pelo cearense GDE (Guardiões do Estado) nos últimos anos. Para fazer frente ao inimigo externo, a facção local se aliou ao TCP (Terceiro Comando Puro), outra facção originária do Rio.
A presença mais ostensiva dos grupos criminosos com atuação nacional veio acompanhada de práticas como a exploração ilegal dos serviços de internet, a extorsão de moradores e comerciantes.
“Há um movimento de disputa entre as facções muito violento, que aumenta a letalidade porque eles têm métodos de dominação na base da violência. Isso está acontecendo no Brasil todo. Não é uma peculiaridade do Ceará”, disse à Folha em novembro de 2025 o secretário estadual de Segurança Pública, Roberto Sá.
Outro fenômeno associado à presença das facções que preocupa é a expulsão de famílias de suas casas por determinação de criminosos, prática registrada em municípios como Caucaia, Maracanaú, Maranguape e Fortaleza, segundo o Fórum.
A Secretaria de Segurança Pública do Estado identificou ao menos 219 casos de deslocamentos forçados de famílias no Ceará no período janeiro de 2024 e setembro de 2025, o que equivale a dez casos por mês no período. O levantamento cruzou dados dos registros policiais e informações de inteligência.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará informou que os municípios cearenses mencionados no Anuário apresentaram redução nos índices de mortes violentas no primeiro semestre de 2026.
Também destacou o trabalho dos agentes de Segurança Pública do Ceará, que resultou na apreensão de 725 armas de fogo em 2025 apenas nas cidades de Maranguape, Maracanaú e Caucaia. As prisões em flagrante e por cumprimento de mandados de prisão também cresceu no ano passado nesses municípios, com 261 pessoas detidas.
A secretaria também apontou a nomeação de 5.000 novos profissionais de segurança desde 2023 e destacou a criação do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa da Região Metropolitana de Fortaleza, com com quatro delegacias para investigar as mortes violentas em Caucaia, Maranguape, Maracanaú e Pacatuba.