Abandonado pelo Centrão e enrolado até o pescoço em esquemas com Daniel Vorcaro, o senador e pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, publicou um vídeo em suas redes sociais, em completo desespero, no qual suplica pelo apoio de Michelle Bolsonaro.
Completamente desconfortável, Flávio Bolsonaro diz que é preciso unir a direita “em prol do Brasil” e, então, dirige-se a Michelle Bolsonaro:
“Eu quero, mais uma vez, me dirigir à Michelle. Todos nós reconhecemos o grande trabalho que ela fez no PL Mulher […] Ninguém é perfeito, eu não sou perfeito e, mais uma vez, peço desculpas por alguns momentos que causaram desconforto […] Nunca foi a minha intenção desrespeitar ninguém, ainda mais a esposa do meu pai […] As portas estão abertas.”
André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) para investigar os milhões gastos na produção de Dark Horse, filme sobre a vida do ex-presidente condenado Jair Bolsonaro (PL).
A decisão, tomada após parecer favorável do procurador-geral da República, Paulo Gonet, atende solicitação da própria PF e abre caminho para apurar se recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, pedidos pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foram de fato usados na produção ou desviados para outras finalidades, incluindo despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e ações de lobby político junto ao governo Donald Trump.
Gonet concluiu que há elementos suficientes para a abertura formal do inquérito que apure os repasses relacionados ao filme Dark Horse.
A relatoria do caso chegou a Mendonça por definição do presidente do STF, Edson Fachin, no fim de junho. O percurso institucional, portanto, passou pela PF, pela PGR e pelo próprio Supremo antes de resultar na autorização.
O fato de a investigação ter sido impulsionada pela própria cúpula da Polícia Federal, com o aval do Ministério Público e a chancela do Supremo, confere ao inquérito um peso que vai além de uma disputa político-partidária: é o aparato de persecução penal do Estado pedindo para investigar a família do ex-presidente.
No centro da investigação está o destino dos milhões enviados por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, ao exterior.
Segundo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, em entrevista à GloboNews em junho, “há necessidade de instaurar um inquérito para apurar todas essas circunstâncias que permeiam esses episódios”.
O ponto de partida é a solicitação feita por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência da República, ao ex-banqueiro, sob a justificativa de financiar o longa-metragem sobre o pai.
Uma das principais suspeitas da PF é que parte dos valores tenha bancado despesas de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, onde ele reside.
A PF também quer apurar se os recursos foram usados para ações de aliados de Jair Bolsonaro junto ao governo Trump.
O caminho financeiro investigado envolve a empresa Entre Investimentos e Participações, ligada a Vorcaro, que teria transferido os valores a um fundo controlado por aliados de Eduardo e sediado no Texas.
Flávio Bolsonaro não se manifestou sobre a decisão de Mendonça até o momento. Anteriormente, o senador já havia negado qualquer irregularidade, afirmando que a solicitação a Vorcaro foi feita exclusivamente para o filme e que os aportes foram direcionados a um fundo com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos.
Eduardo Bolsonaro, por sua vez, classificou as suspeitas da PF de “toscas” em maio, argumentando que seu status de migração nos EUA à época vedaria o recebimento de valores. “Não exerci qualquer posição de gestão ou emprego no fundo, apenas cedi meus direitos de imagem”, afirmou, acrescentando ter explicado às autoridades americanas “toda a origem” de seus recursos.
O caso ganhou tração institucional depois da divulgação de um áudio em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro a Vorcaro para o longa-metragem.
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) acionou o STF com base nessa revelação, pedindo investigação. A PGR, no entanto, se manifestou pelo arquivamento do pedido de Lindbergh, e foi a solicitação da própria PF que prevaleceu como gatilho para o inquérito agora autorizado por Mendonça.
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