A derrocada do Banco Master e o levantamento do sigilo dos autos da controversa investigação conduzida pelo ministro André Mendonça, no Supremo Tribunal Federal, lançaram luz sobre o intrincado ecossistema financeiro construído pelo ex-controlador da instituição, Daniel Vorcaro. Desta vez, a revelação atinge em cheio o coração do jornalismo da capital federal: o portal de notícias Metrópoles, pertencente ao grupo empresarial do ex-senador Luiz Estevão, emergiu nos registros da Polícia Federal como destinatário direto de repasses milionários efetuados pela tesouraria do banco.
O escândalo ganhou contornos dramáticos com a divulgação de capturas de tela extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro. As mensagens escancaram a dinâmica operacional e a simbiose de pagamentos executados no ápice da crise do Banco Master. O portal, que vem promovendo uma cobertura massiva e de forte apelo do caso, editorialmente engajado no alinhamento das decisões de Mendonça e na amplificação dos fatos contra Alexandre de Moraes, figura no centro de um contrato de R$ 27 milhões arrolado no inquérito.
A peça central que embasa a investigação da Polícia Federal e os laudos periciais anexados ao processo é uma troca de mensagens diretas e em tempo real. A interlocução envolve Daniel Vorcaro e Alberto Felix de Oliveira Neto, então superintendente-executivo de Tesouraria do Banco Master e apontado pelos investigadores como o operador incumbido de efetivar repasses sigilosos e liquidações estratégicas a mando do banqueiro.
Assim que os recursos financeiros aportaram nos cofres da instituição, Alberto Felix enviou uma notificação a Vorcaro que resume a simultaneidade dos desembolsos do grupo:
“Chegou btg. Pagamsos metropoles e barci” (sic)
A mensagem, grafada com o deslize de digitação do executivo, possui um peso estarrecedor para as apurações. A menção a “BTG” refere-se à liquidação e entrada de liquidez via operação financeira; “barci” alude ao escritório de advocacia Barci de Moraes, de propriedade da esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes; e “metropoles” indica a transferência imediata de recursos para as contas do veículo de comunicação sediado em Brasília.
Na justificativa de legalidade para os repasses que somam cerca de R$ 27,2 milhões para o império de mídia de Luiz Estevão, o Banco Master e o portal Metrópoles sustentam a existência de um contrato comercial focado no universo esportivo. O grupo de comunicação adquiriu junto à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) os direitos de transmissão e exploração publicitária da Série D do Campeonato Brasileiro de Futebol.
Posteriormente, o portal renegociou esses direitos e vendeu cotas de patrocínio e os naming rights da competição ao Will Bank, banco digital pertencente ao grupo de Daniel Vorcaro. O torneio, inclusive, chegou a ser rebatizado mercadologicamente como “Brasileirão Série D Will Bank”, sob a promessa de exibição das partidas pelo canal do Metrópoles no YouTube e veiculação da logomarca nas placas publicitárias dos estádios.
Procurado para esclarecer os repasses revelados nos prints, o portal Metrópoles e o empresário Luiz Estevão ainda não retornaram o contato da redação da Fórum. O espaço segue aberto para a manifestação dos entes e pessoas citadas na reportagem.
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