Principal aliado do clã Bolsonaro dentro do governo Donald Trump, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio revelou em publicação na rede X na madrugada desta quinta-feira (16) que o novo tarifaço, com taxação de 25% sobre produtos brasileiros, é a primeira ação de interferência em prol de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa contra Lula nas eleições presidenciais de outubro.
No texto, divulgado pouco depois da meia noite, Rubio diz que “Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé” e credita o tarifaço ao “ego” do presidente brasileiro, ignorando as negociatas que ele próprio conduziu com o clã Bolsonaro.
“Hoje, o Presidente Trump determinou que o USTR imponha uma tarifa de 25% sobre a maioria das importações brasileiras. Não haja confusão sobre o motivo: o Presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé”, escreveu, ecoando a narrativa bolsonarista.
Em seguida, sem citar os ataques ao Pix – que vem causando prejuízos aos cartões de crédito de bandeira Visa e Mastercard -, Rubio diz que a política econômica brasileira “são ruins para os americanos” e ataca Lula.
“Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso”, diz o secretário de Trump, em claro sinal de interferência nas eleições brasileiras.
A publicação foi compartilhada por bolsonaristas como Mario Frias (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ), que se encontra foragido nos EUA, e até pelo presidente argentino Javier Milei, alinhado a Trump e ao clã Bolsonaro.
Marco Rubio deixou de ser apenas um aliado ideológico do bolsonarismo para se tornar um dos principais interlocutores da família Bolsonaro dentro do governo Donald Trump.
Desde que assumiu o Departamento de Estado, o republicano intensificou os contatos com Eduardo Bolsonaro — que passou a atuar em Washington em busca de apoio político e sanções contra autoridades brasileiras — e também abriu canais diretos com Flávio Bolsonaro.
A aproximação consolidou um eixo político entre a ala trumpista da Casa Branca e o clã, tendo como pano de fundo a pressão sobre o governo Lula e o discurso de suposta perseguição judicial contra Jair Bolsonaro.
A relação ganhou contornos ainda mais sensíveis quando Flávio Bolsonaro se reuniu com integrantes da administração Trump, incluindo o próprio Rubio, poucos dias antes de o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) divulgar a proposta de um novo tarifaço sobre produtos brasileiros.
A cronologia chamou atenção porque o endurecimento comercial veio logo após a ofensiva diplomática do senador nos Estados Unidos, enquanto Eduardo Bolsonaro mantinha uma intensa articulação junto a parlamentares republicanos e integrantes do governo americano.
A sucessão dos fatos alimentou questionamentos políticos sobre a sintonia entre a estratégia internacional do clã Bolsonaro e a escalada das pressões de Washington contra o Brasil.
O histórico de Rubio ajuda a explicar essa convergência. Um dos principais expoentes da direita conservadora americana, o secretário de Estado compartilha com os Bolsonaro pautas como o combate ao que chama de “ameaça socialista” na América Latina, a defesa de governos alinhados ao trumpismo e críticas ao Judiciário brasileiro.
Ao responder publicamente a Flávio Bolsonaro e manter diálogo frequente com Eduardo, Rubio reforçou a percepção de que o clã encontrou em Washington um canal privilegiado para internacionalizar sua disputa política doméstica, justamente no momento em que as tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos voltaram ao centro do tabuleiro geopolítico.
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