Apontada pelo Ministério Público do Rio como a “Mulher da Mala”, a ex-fiscal do Instituto Rio Metrópole (IRM) Caroline Soares Barros é suspeita de ter participado de um esquema que desviou mais de R$ 86 milhões em contratos fraudulentos dentro da autarquia estadual.
Segundo as investigações, de maio de 2025 a janeiro deste ano, ela realizou 13 saques em dinheiro vivo que somam R$ 3 milhões e chegou a usar escolta armada para retirar parte dos valores em uma agência bancária de Teresópolis, na Região Serrana.
A atuação de Caroline foi um dos pontos centrais da Operação Ouroboros, deflagrada nesta quinta-feira (9) pelo Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (Gaesf), do Ministério Público (MPRJ).
O g1 tenta contato com a defesa de Caroline.
Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão e nove de busca e apreensão. Onze pessoas foram denunciadas pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, fraude à licitação e lavagem de dinheiro.
Segundo o MP, a investigação começou em janeiro deste ano, após uma denúncia informar que Caroline havia sacado R$ 500 mil em espécie em uma agência bancária de Teresópolis.
A apuração revelou que esse não foi um caso isolado: a ex-fiscal teria feito outras 12 retiradas em dinheiro.
De acordo com os promotores, os saques eram feitos sob forte esquema de segurança. Um dos presos na operação é o delegado da Polícia Civil Franquis Dias Nepomuceno, apontado como um dos donos da empresa que fazia a escolta armada do grupo durante as retiradas de dinheiro.
As investigações apontam que o Instituto Rio Metrópole, criado em 2018 para planejar o desenvolvimento da Região Metropolitana, principalmente nas áreas de transporte e saneamento, foi transformado em um instrumento para o desvio de recursos públicos.
Segundo o Ministério Público, licitações eram direcionadas para empresas previamente escolhidas, que firmavam contratos fictícios com o instituto. O prejuízo estimado é de mais de R$ 86 milhões entre 2022 e 2025.
Alvos da operação:
A Justiça determinou o afastamento dos servidores públicos envolvidos e o sequestro de bens dos acusados.
Na decisão que autorizou as prisões, o juiz responsável pelo caso fez uma crítica contundente ao esquema investigado.
“O Estado do Rio chegou ao fundo do poço e descobriu que ainda havia uma caixa de gordura.”
Durante coletiva, o procurador-geral de Justiça, Antônio José Campos Moreira, afirmou que a investigação revela como estruturas do Estado teriam sido capturadas por organizações criminosas.
Segundo ele, órgãos públicos passaram a ser utilizados para o desvio sistemático de verbas em benefício de seus integrantes, e não da população.
O Governo do Estado informou que a atual direção do Instituto Rio Metrópole foi nomeada já na gestão do governador em exercício, Ricardo Couto, após a saída de Cláudio Castro, e afirmou que as investigações são resultado de auditorias determinadas pela nova administração desde março.
A TV Globo tentou contato com o ex-governador Cláudio Castro e com as defesas dos presos, mas não havia obtido resposta até a última atualização desta reportagem.
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