A derrubada do sigilo de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) detalha transações milionárias realizadas em Minas Gerais pelo empresário Fabiano Zettel. O documento, que agora serve de base para uma investigação da Polícia Federal, aponta movimentações financeiras atípicas, incluindo repasses de R$ 19,2 milhões para a Igreja Lagoinha Belvedere em Belo Horizonte e a compra de carros de luxo.
As informações revelam um complexo esquema de operações que chamou a atenção dos órgãos de controle. O Coaf identificou uma movimentação total de R$ 99,2 milhões em sete meses nas contas de Zettel, valor incompatível com sua renda declarada de R$ 66 mil mensais. O relatório é considerado uma peça-chave para os investigadores entenderem a origem e o destino dos valores.
Fabiano Zettel é um empresário, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que se tornou alvo de uma investigação da Polícia Federal após o Coaf identificar movimentações financeiras atípicas em suas contas. Ele é apontado como a figura central em um esquema que apura possíveis crimes financeiros e lavagem de dinheiro.
Sua atuação ganhou projeção nacional com a divulgação do documento, que o coloca no centro de uma apuração sobre operações financeiras de grande vulto, com epicentro em Minas Gerais.
O documento do Coaf fornece um panorama detalhado das operações financeiras ligadas a Zettel. A análise aponta um fluxo de recursos incompatível com o perfil econômico declarado pelo empresário, levantando suspeitas de irregularidades. Os principais pontos destacados são:
Repasse milionário: O relatório detalha 26 lançamentos que totalizam R$ 19,2 milhões para a Igreja Lagoinha Belvedere, com sede em Belo Horizonte. A instituição, que encerrou suas atividades em março de 2026, é suspeita de ser usada como “conta de passagem” para ocultar a origem dos recursos.
Compra de veículos de luxo: Foram registradas aquisições de carros de alto padrão, com pagamentos que, segundo o órgão de controle, não são consistentes com as fontes de renda conhecidas de Zettel.
Operações fracionadas: O documento ressalta o uso de depósitos e saques em valores fracionados, uma estratégia frequentemente utilizada para evitar o monitoramento automático dos bancos.
Discrepância de valores: O Coaf apontou que a igreja movimentou R$ 57,1 milhões, valor muito superior ao seu faturamento presumido de R$ 950 mil anuais, reforçando as suspeitas de lavagem de dinheiro.
Com a quebra do sigilo, o relatório do Coaf se tornou uma das principais provas da investigação da Polícia Federal, que resultou na prisão preventiva de Zettel e de seu cunhado, Daniel Vorcaro. Os agentes federais se concentram em apurar a suspeita de crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e gestão fraudulenta.
O foco principal da PF é rastrear todo o caminho do dinheiro, identificando a origem dos recursos e quem foram os beneficiários finais das transações. A investigação também busca determinar se há outros participantes envolvidos no esquema financeiro.
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