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Exclusivo: Mensagens indicam temor de Vorcaro com vazamento de jantar com Jair e Flávio Bolsonaro

‘Esse negócio acaba comigo’, afirmou o banqueiro em conversa com o empresário Flávio Carneiro obtida por CartaCapital

Por Rodrigo Martins e Sergio Lirio | Carta Capital

21/09/2026

Exclusivo: Mensagens indicam temor de Vorcaro com vazamento de jantar com Jair e Flávio Bolsonaro
O ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro em 26 de março de 2025, em Brasília. Foto: Evaristo Sá/AFP
Uma troca de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o empresário mineiro Flávio Carneiro indica que o dono do Banco Master temia o vazamento de um encontro com Jair e Flávio Bolsonaro no fim de 2024. As mensagens foram obtidas com exclusividade por CartaCapital.
 
Foi Carneiro quem puxou o assunto pelo WhatsApp, em 8 de dezembro de 2024. “Thiago está cobrando se você vai num jantar com meu xará e com o pai dele, pelo que entendi, você está ciente disso?”. Inicialmente, Vorcaro parece não entender do que se trata. “Não sei do que você está falando”, respondeu o banqueiro.
 
O empresário então insiste que o “Thiago do Léo” está cobrando uma resposta: “Você não está sabendo? Achei que eles tinham falado com você”. Nesse momento, parece cair a ficha de Vorcaro: “Temos que pensar nisso. Vamos nos falar primeiro.”
 
No dia seguinte, é Vorcaro quem toma a iniciativa de retomar o assunto. “Cara. Não fala dessa reunião bolso pra ninguém”. Carneiro só teve tempo de cumprimentar o “cumpadre” antes de o banqueiro prosseguir: “Esse negócio acaba comigo. Fábio já veio falar”. Não fica claro, pelas mensagens, se o jantar mencionado realmente ocorreu.

Para investigadores do Caso Master, o “xará” mencionado na conversa seria Flávio Bolsonaro e o “pai dele”, por óbvio, seria Jair Bolsonaro. À época, Bolsonaro não estava preso, mas cumpria medidas cautelares, como a obrigação de entregar seu passaporte, a proibição de deixar o País e a determinação de não falar com outros investigados no processo que apura a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
 
Ainda de acordo com fontes ligadas à investigação, o interlocutor “Thiago” seria o publicitário e lobista Thiago Miranda, dono da Agência MiThi e, à época, sócio do Grupo Léo Dias de Comunicação. A sociedade foi rompida em maio de 2026, após Miranda ser alvo da Operação Compliance Zero. Ele é suspeito de ter articulado o “Projeto DV”, destinado a contratar influenciadores para questionar a atuação do Banco Central na liquidação do Banco Master.
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