Master e Digimais: como Paulo Guedes e Campos Neto, no ex-governo Bolsonaro, promoveram a farra financeira da Faria Lima

Master e Digimais: como Paulo Guedes e Campos Neto, no ex-governo Bolsonaro, promoveram a farra financeira da Faria Lima Investigações da PF sobre os bancos Master, de Daniel Vorcaro, e Digimais, de Edir Macedo, desnudam os efeitos de uma agenda neoliberal nos governos Temer e Bolsonaro que Flávio Bolsonaro quer reproduzir se vencer a eleição. Por Plínio Teodoro | Fórum 23/06/2026 Paulo Guedes, Jair Bolsonaro, Campos Neto e Ciro Nogueira no lançamento do novo Marco de Garantias, uma das medidas que permitiu a farra na Faria Lima (Marcelo Camargo / Agência Brasil) O escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro, revelados na Compliance Zero, e a Operação Miragem sobre o Digimais, de Edir Macedo, revelam os efeitos colaterais de um modelo de desregulamentação financeira iniciada no governo golpista de Miche Temer (MDB) e levada às últimas consequências pelo “super” ministro da Economia Paulo Guedes e o presidente do “autônomo” Banco Central Roberto Campos Neto no ex-governo Jair Bolsonaro (PL). Vendida como “modernização” do sistema financeiro – mesma alcunha agora propalada por Flávio Bolsonaro para seduzir a Faria Lima -, as resoluções e medidas de Guedes e Campos Neto abriram caminho para um ecossistema de fintechs, bancos digitais e operações financeiras que Sob o governo Lula estão no centro de investigações da Polícia Federal. Durante anos, Paulo Guedes e Roberto Campos Neto venderam ao mercado a ideia de que o Brasil precisava romper o suposto oligopólio bancário para estimular a concorrência, democratizar o crédito e acelerar a inovação financeira. Sob esse discurso, foram criadas condições para a explosão de fintechs, bancos digitais, plataformas de crédito e estruturas financeiras que passaram a disputar espaço com as instituições tradicionais. O problema é que, enquanto a Faria Lima festejava a abertura, a fiscalização parecia perder capacidade de acompanhar a velocidade das transformações. Diante das investigações que alcançam Master e Digimais, emerge uma questão inevitável: os potenciais crimes identificados pela Polícia Federal são resultado de casos isolados ou revelam fragilidades de um modelo regulatório concebido justamente para flexibilizar barreiras e acelerar a expansão do setor financeiro? A resposta começa antes mesmo da chegada de Bolsonaro ao Palácio do Planalto. Governo Temer: a origem A origem da atual arquitetura financeira remonta ao governo Michel Temer (MDB). Em abril de 2018, o Conselho Monetário Nacional aprovou a Resolução 4.656, criando as Sociedades de Crédito Direto (SCDs) e as Sociedades de Empréstimo entre Pessoas (SEPs). À primeira vista, tratava-se de uma medida técnica destinada a estimular a inovação. Na prática, inaugurava uma ruptura histórica. Pela primeira vez, empresas não bancárias poderiam conceder crédito diretamente ao público sem a necessidade de se transformarem em bancos convencionais. A medida foi recebida com entusiasmo pela Faria Lima. O argumento era simples: mais concorrência reduziria juros e ampliaria o acesso ao crédito. Mas, a resolução também marcou o início de um processo de fragmentação do sistema financeiro. Novos agentes passaram a operar em um ambiente regulatório significativamente mais leve do que aquele imposto aos grandes bancos, enquanto o Estado apostava que a supervisão baseada em risco seria suficiente para acompanhar a expansão do setor. Bolsonaro: o financismo como política de Estado Quando Roberto Campos Neto assumiu um “autônomo” Banco Central, em 2019, esse processo foi acelerado e transformou o financismo em política de Estado. Diferentemente de seus antecessores, que viam a estabilidade financeira como prioridade absoluta, Campos Neto passou a tratar inovação e concorrência como objetivos centrais da autoridade monetária. A partir daquele momento, o BC deixou de atuar apenas como fiscalizador para assumir também o papel de indutor da expansão do mercado financeiro. Em 2020 veio o Sandbox Regulatório, mecanismo que permitiu a empresas selecionadas testar produtos e modelos de negócios sob regras diferenciadas de supervisão. A iniciativa era inspirada em experiências internacionais e apresentada como ferramenta de modernização. Mas também representava uma mudança de paradigma: o foco deixava de ser a prevenção de riscos para privilegiar a experimentação e o crescimento. O passo seguinte foi ainda mais ambicioso. Em 2021 entrou em operação o Open Banking, posteriormente ampliado para Open Finance. O sistema obrigou instituições financeiras a compartilhar dados de clientes, permitindo a integração de bancos, fintechs, plataformas de crédito e empresas de tecnologia em uma mesma rede. A Faria Lima, mais uma vez, comemorou. Campos Neto celebrou com Guedes a “modernização” no mercado brasileiro. No entanto, pouco se discutiu sobre os desafios de supervisão que surgiam a partir da criação de um ecossistema financeiro cada vez mais complexo, pulverizado e interconectado. “Terceirização” e Farra no mercado financeiro Foi nesse ambiente que prosperou o modelo conhecido como Banking as a Service (BaaS). Empresas sem tradição bancária passaram a oferecer contas, cartões, empréstimos e serviços financeiros utilizando a estrutura de instituições parceiras, em uma espécie de “terceirização”, a reboque do que acontece em outros setores, como o do trabalho, com o avanço do ultraliberalismo. A fronteira entre banco, fintech, empresa de tecnologia e plataforma financeira tornou-se cada vez mais difusa. O sistema cresceu. A fiscalização, não necessariamente. Paralelamente, a aprovação da Lei Complementar 182, o chamado Marco Legal das Startups, e da autonomia formal do Banco Central consolidou a visão de que a expansão do mercado financeiro deveria ocorrer com o mínimo de interferência estatal possível. As propostas estão no cerne do “pensamento” de Paulo Guedes, um entusiasta do neoliberalismo, alçado em 2018 pela mídia liberal e Faria Liberal como “o posto Ipiranga” de Jair Bolsonaro, uma espécie de oráculo que colocaria uma mordaço no confesso ignorante em Economia que seria colocado no Planalto após a prisão de Lula por outro “super” ministro, Sergio Moro, hoje candidato do clã ao governo do Paraná. O resultado foi a criação de um ambiente altamente favorável à entrada de forasteiros no mercado financeiro, à circulação de grandes volumes de recursos e ao surgimento de estruturas cada vez mais sofisticadas, que dificultavam a fiscalização. A brecha permitiu que o “empresário” Daniel Vorcaro e o “bispo” Edir Macedo se tornassem banqueiros, conseguindo do BC de Campos Neto o aval para operacionalizar o Master, em 2019,
O que é o Digimais, banco controlado por Edir Macedo e investigado pela PF

O que é o Digimais, banco controlado por Edir Macedo e investigado pela PF Instituição financeira está no centro da Operação Miragem e enfrenta desafios regulatórios e financeiros Por O Estado de S.Paulo 23/06/2026 Antigo Banco Renner, o Digimais passou ao controle de Edir Macedo e mudou de nome em 2020 Foto: Reprodução/bancodigimais.com.br O Banco Digimais, instituição financeira controlada pelo líder religioso Edir Macedo, está no centro da Operação Miragem, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira, 23, para investigar suspeitas de fraudes financeiras e irregularidades em operações de crédito. Fundado em 1981 em Porto Alegre, o banco tem origem no antigo Banco Renner, criado pela família de mesmo nome. Na época, a instituição concentrava suas atividades na concessão de empréstimos consignados e no financiamento de veículos, com foco no varejo. A aproximação de Edir Macedo começou em 2009, quando o Grupo Record adquiriu 40% das ações do Banco Renner. A operação só foi formalmente aprovada pelo Banco Central em 2013, quando Macedo e sua mulher, Ester Bezerra, passaram a deter 49% da instituição. O controle integral foi assumido em 2020, quando o casal adquiriu a participação remanescente do banco. Após a operação, a instituição passou por um processo de reformulação e adotou o nome Digimais. Segundo a Polícia Federal, os problemas que culminaram na investigação têm relação com operações realizadas nos últimos anos. Os investigadores apontam que, em março de 2025, o banco realizou uma cessão de créditos estimada em R$ 660 milhões para o fundo FIDC EXP 1. A transação deu origem a uma disputa judicial após questionamentos sobre a qualidade dos ativos negociados e a existência da documentação necessária para comprovar os créditos. As apurações também mencionam uma exposição de aproximadamente R$ 600 milhões do Digimais a carteiras de crédito ligadas ao Banco Master. Após a liquidação da instituição, esses ativos passaram a ser alvo de questionamentos sobre qualidade, lastro e regularidade documental. Ainda de acordo com a investigação, houve uma tentativa de venda do Digimais em janeiro de 2025 para Maurício Quadrado, executivo com passagem pelo Banco Master, por meio do Bluebank. A operação acabou vetada pelo Banco Central. Meses depois, em abril de 2026, o BTG Pactual anunciou a assinatura de documentos para uma possível aquisição do controle do Digimais. Segundo a Polícia Federal, a negociação ocorreu em um contexto de dificuldades de liquidez enfrentadas pela instituição para honrar compromissos financeiros. A conclusão do negócio depende de aprovações regulatórias, incluindo aval do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Além da investigação da PF, o banco também sofreu nesta semana um rebaixamento de classificação pela agência Fitch Ratings, que citou incertezas sobre sua situação financeira e retirou as avaliações de crédito da instituição por falta de informações suficientes para acompanhamento adequado. Notícia anteriorPróxima notícia Banco Central BCBanco MasterCADE Conselho Administrativo de Defesa EconômicaPolícia Federal PFPorto Alegre RS Facebook Twitter WhatsApp Linkedin Pinterest Blogger Telegram A esposa de Jair Bolsonaro acusa enteado de ‘apunhalar pelas costas’ em disputa eleitoral 26/06/2026 Professores protestam durante votação do piso do magistério na Câmara de Campos 26/06/2026 Rubio responde a Flávio Bolsonaro e diz que manterá tarifaço pedido por Eduardo 26/06/2026 Deixe seu comentário Nome E-mail Comentário Enviar Whatsapp X-twitter Facebook More than 2 results are available in the PRO version (This notice is only visible to admin users) Mais lidas na semana skip render: ucaddon_post_list
Prefeito de Nova Friburgo veta auxílio-alimentação para vereadores e aponta irregularidade fiscal

Prefeito de Nova Friburgo veta auxílio-alimentação para vereadores e aponta irregularidade fiscal Benefício de R$ 50 por dia útil havia sido aprovado pela Câmara e teria impacto anual estimado em R$ 277 mil. Por Nathalia Rebello | g1 23/06/2026 Câmara Municipal de Nova Friburgo — Foto: Divulgação Nova Friburgo – O prefeito de Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio, Johnny Maycon (PL), vetou integralmente a lei que criava auxílio-alimentação para os vereadores do município. A decisão foi formalizada nesta segunda-feira (22), por meio do Ofício de Gabinete nº 057/2026, enviado à Câmara Municipal. Nas justificativas, o chefe do Executivo afirma que a medida é inconstitucional, representa aumento de despesas em um momento de restrição fiscal e contraria princípios da administração pública. A proposta, aprovada pela Câmara em 26 de maio por 11 votos favoráveis e oito contrários, alterava a Lei Municipal nº 4.996/2023 para incluir os parlamentares entre os beneficiários do auxílio-alimentação já concedido aos servidores da Casa. O benefício seria de R$ 50 por dia útil para cada vereador, com impacto anual estimado em R$ 277,2 mil, segundo estudo elaborado pelo próprio Legislativo. Nas razões do veto, Johnny Maycon afirma que Nova Friburgo ultrapassou o chamado limite prudencial de despesas com pessoal previsto pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o que impede a criação de novas vantagens ou despesas continuadas. “Ocorre em momento de extrema restrição fiscal, no qual o Município de Nova Friburgo encontra-se acima do limite prudencial de despesas com pessoal”, diz o texto encaminhado à Câmara. O prefeito argumenta ainda que, embora o auxílio tenha sido classificado pelos autores como verba indenizatória, o pagamento representaria aumento de despesa corrente e seria incompatível com a necessidade de contenção de gastos. Segundo o documento, a Lei de Responsabilidade Fiscal proíbe a concessão de vantagens quando as despesas com pessoal ultrapassam 95% do limite legal estabelecido. O Executivo também cita decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) para sustentar a tese de ilegalidade da medida. Além da questão fiscal, a prefeitura afirma que a criação do benefício afronta princípios constitucionais como moralidade, impessoalidade e razoabilidade. No texto do veto, Johnny Maycon argumenta que a concessão de uma nova vantagem a agentes políticos, em um cenário de restrições financeiras, “pode caracterizar privilégio corporativo que destoa da realidade social e das reais necessidades da população de Nova Friburgo”. A proposta foi apresentada pela Mesa Diretora da Câmara, presidida pelo vereador Dirceu Tardem (PL). Durante a tramitação, os defensores do projeto argumentaram que o objetivo era equiparar os vereadores aos servidores da Casa, que já recebem o auxílio. Já os parlamentares contrários sustentaram que a medida era inadequada diante da situação econômica do município. Votaram favoravelmente à proposta os vereadores Angelo Gaguinho, Bruno Silva, Carlinhos do Kiko, Cascão do Povo, Claudio Leandro, Dirceu Tardem, Evandro Miguel, Janio de Carvalho, Max Bill, Tia Karla e Walace Piran. Foram contrários Christiano Huguenin, Cláudio Damião, Ghabriel do Zezinho, José Carlos, Maiara Felício, Maicon Gonçalves, Marcos Marins e Rômulo Pimentel. Isaque Demani e Joelson do Pote não participaram da sessão. Com o veto total publicado, a matéria retorna à Câmara Municipal. Caberá aos vereadores decidir se mantêm a decisão do prefeito ou se derrubam o veto em plenário. Caso a maioria necessária vote pela rejeição do veto, a lei poderá ser promulgada pelo próprio Legislativo, independentemente da sanção do Executivo. Notícia anteriorPróxima notícia Lei de Responsabilidade Fiscal LRFNova Friburgo RJPL Partido LiberalPrefeitoRegião Serrana e Centro Sul FluminenseSTF Supremo Tribunal FederalTJ-RJVereador Facebook Twitter WhatsApp Linkedin Pinterest Blogger Telegram Professores protestam durante votação do piso do magistério na Câmara de Campos 26/06/2026 Moradora afirma esperar há 5 anos por obra contra alagamentos em Itaperuna 26/06/2026 Distribuidora investigada por ligação com PCC tem contrato de R$ 168,8 milhões para abastecer frota da PM do RJ 26/06/2026 Deixe seu comentário Nome E-mail Comentário Enviar Whatsapp X-twitter Facebook More than 2 results are available in the PRO version (This notice is only visible to admin users) Mais lidas na semana skip render: ucaddon_post_list
Novo caso Master: entenda a operação da PF de R$ 670 mi contra o banco Digimais, de Edir Macedo

Novo caso Master: entenda a operação da PF de R$ 670 mi contra o banco Digimais, de Edir Macedo Operação Miragem mira suspeitas de fraude contábil, bloqueia até R$ 670,3 milhões e retoma alertas já publicados pela Fórum sobre o banco Por Diego Feijó de Abreu | Fórum 23/06/2026 Edir Macedo dono do Banco Digimais – Reprodução O Banco Digimais, de Edir Macedo, virou alvo da Polícia Federal nesta terça-feira (23) em uma operação contra suspeitas de fraudes no Sistema Financeiro Nacional, com bloqueio autorizado de até R$ 670,3 milhões em bens e valores ligados aos investigados. A operação, chamada Miragem, cumpre nove mandados de busca e apreensão em São Paulo e foi baseada, segundo a investigação, em relatórios do Banco Central que apontaram irregularidades na condução da instituição financeira. Mais de 50 policiais federais participam da ação. A Justiça Federal também autorizou o afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados. Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e controlador do Digimais, aparece entre os alvos da apuração. Banco Digimais, de Edir Macedo, já estava na mira da Fórum A operação desta terça-feira (23) não surge do nada. A Fórum já vinha mostrando, desde fevereiro, a deterioração financeira do banco de Edir Macedo e as semelhanças entre o caso Digimais e o escândalo do Banco Master. Em 27 de fevereiro, a Fórum revelou que Edir Macedo havia injetado R$ 250 milhões no próprio banco para tentar conter a crise da instituição em meio ao escândalo do Master. Naquele momento, a crise do Digimais já era associada à compra de fundo com papéis ligados ao Banco Master e à Reag, de Fabiano Zettel. O aporte milionário do bispo funcionou como tentativa de recompor capital e evitar um colapso imediato da instituição. PF apura manipulação de balanços e receitas artificiais Segundo a Polícia Federal, a investigação aponta que administradores do Digimais teriam manipulado balanços e resultados contábeis para esconder a real situação econômico-financeira do banco e transmitir aos órgãos de controle uma aparência de solvência incompatível com a condição da instituição. A apuração também menciona suspeitas de supervalorização de ativos e geração artificial de receitas de centenas de milhões de reais. Outra frente investiga operações financeiras supostamente ilegais em benefício da empresa controladora do banco. Os investigadores ainda apuram possível falsificação e manipulação de informações inseridas em sistemas oficiais do órgão regulador. Os investigados podem responder, conforme a participação de cada um, por gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e operações de crédito vedadas pela legislação do Sistema Financeiro Nacional. Compra pelo BTG com FGC ampliou alerta sobre o Digimais Em 9 de abril, a Fórum mostrou que o BTG Pactual havia fechado acordo para comprar o Banco Digimais, em uma operação com uso de recursos do Fundo Garantidor de Créditos, o FGC. A reportagem apontou que a engenharia financeira repetia a lógica vista no caso Master: absorver a parte considerada saudável do banco em crise, enquanto a estrutura de socorro institucional ajudava a mitigar os riscos de uma quebra desordenada. O negócio reforçou a leitura de que o Digimais já era tratado como um problema sensível para o sistema financeiro. A operação dependia de aval do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade. Fórum revelou papéis podres, carros roubados e R$ 480 milhões O alerta mais direto veio em 18 de maio, quando a Fórum publicou que o Banco Digimais negociava papéis podres e repassava carteiras com carros roubados. A reportagem mostrou que a PF já investigava o banco por suspeitas de maquiagem de resultados, negociação de ativos problemáticos e venda de carteiras de financiamento com irregularidades graves. O ponto central era a suspeita de que o Digimais deixou de declarar pelo menos R$ 480 milhões em créditos vencidos que deveriam reduzir o resultado informado pela instituição. A manobra teria permitido ao banco apresentar lucro contábil apesar da deterioração de sua carteira. Por que a operação é chamada de novo caso Master A comparação com o Banco Master vem da combinação de três elementos: ativos considerados problemáticos, suspeitas de maquiagem contábil e uso de mecanismos de mercado para tentar preservar a parte saudável de uma instituição em crise. No caso do Digimais, a PF agora mira justamente o núcleo que a Fórum já havia destacado: a suspeita de que balanços e demonstrativos foram usados para esconder a real situação do banco de Edir Macedo. Notícia anteriorPróxima notícia Banco Central BCBanco MasterPolícia Federal PFSão Paulo SPSistema Financeiro Nacional SFN Facebook Twitter WhatsApp Linkedin Pinterest Blogger Telegram A esposa de Jair Bolsonaro acusa enteado de ‘apunhalar pelas costas’ em disputa eleitoral 26/06/2026 Professores protestam durante votação do piso do magistério na Câmara de Campos 26/06/2026 Rubio responde a Flávio Bolsonaro e diz que manterá tarifaço pedido por Eduardo 26/06/2026 Deixe seu comentário Nome E-mail Comentário Enviar Whatsapp X-twitter Facebook More than 2 results are available in the PRO version (This notice is only visible to admin users) Mais lidas na semana skip render: ucaddon_post_list
PF faz operação contra fraudes no sistema financeiro e bloqueia até R$ 670 milhões em bens ligados ao Digimais

PF faz operação contra fraudes no sistema financeiro e bloqueia até R$ 670 milhões em bens ligados ao Digimais Operação Miragem cumpre nove mandados de busca e apreensão em São Paulo. Investigação aponta manipulação de balanços, ocultação da situação financeira de instituição e operações supostamente ilegais. Por Isabela Leite, Léo Arcoverde e Bruno Tavares | GloboNews, TV Globo e g1 SP 23/06/2026 A Universal é liderada pelo bispo brasileiro Edir Macedo e está presente hoje em mais de 95 países — Foto: Alan Santos/PR A Polícia Federal realizou, na manhã desta terça-feira (23), a Operação Miragem para desarticular um esquema fraudulento voltado à prática de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, no âmbito da gestão do Banco Digimais. Mais de 50 policiais federais cumpriram nove mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal em São Paulo contra 10 empresas e 8 pessoas físicas, incluindo o bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). 🔎Fundado em 1981 como Banco Renner, o Digimais tornou-se um banco digital em 2020, quando passou ao controle integral de Edir Macedo. Hoje, tem foco em operações de crédito, especialmente financiamento de veículos (leia mais abaixo). Macedo é um dos investigados na operação por ser proprietário do banco, mas, como reside no exterior, não foi solicitado mandado de busca e apreensão contra ele neste momento. Segundo as investigações, o esquema envolvia a manipulação de balanços do banco, a supervalorização de ativos e a geração artificial de receitas para ocultar a verdadeira situação da instituição. Procurado, o Banco Digimais informou que permanece à disposição para colaborar com a investigação. “A instituição reafirma seu compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades competentes”, disse em nota. O escritório que defende o bispo Edir Macedo afirmou que não tiveram acesso aos autos da operação e “nada vai comentar, por se tratar de instituição financeira”. A decisão judicial também autorizou o afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, incluindo Macedo, além do sequestro e bloqueio de bens e valores de até R$ 670.348.945,70. Segundo a Polícia Federal, durante as investigações foram analisados relatórios produzidos pelo Banco Central do Brasil que apontaram graves irregularidades na condução dos negócios pelos administradores da instituição financeira. Os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito vedadas, previstos na Lei nº 7.492/1986, que define os crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Em nota, a corretora ID CTVM, que é citada na operação, informou que, “sente-se no dever de esclarecer que a corretora adota rigorosos padrões de governança e esclarecerá as autoridades sobre suas atividades e comprovará a lisura das suas operações”. Entenda a investigação As apurações indicam que o esquema envolvia a manipulação sistemática de balanços e resultados contábeis com o objetivo de ocultar a real situação econômico-financeira da instituição e aparentar solvência perante os órgãos de controle. Ainda de acordo com a investigação, a prática teria permitido a supervalorização de ativos e a geração artificial de receitas no montante de centenas de milhões de reais. Segundo a Polícia Federal, o Banco Digimais adotou práticas financeiras consideradas temerárias, análogas às do extinto Banco Master. A PF também investiga operações financeiras supostamente ilegais realizadas em benefício da empresa controladora do banco, além da possível falsificação e manipulação de informações inseridas em sistemas oficiais de registro do órgão regulador. O que é o Digimais? O Banco Digimais foi fundado em 1981, em Porto Alegre (RS), com o nome de Banco Renner. Inicialmente, atuou como financeira e, ao longo da década de 1980, expandiu suas operações para o crédito direto ao consumidor (CDC) voltado ao financiamento de veículos. Em 1991, passou a operar como banco múltiplo (instituição financeira autorizada a oferecer vários tipos de serviços bancários sob uma mesma estrutura). Em 2009, o empresário e líder religioso Edir Macedo tornou-se acionista minoritário da instituição. Anos depois, em 2018, o banco iniciou sua transformação digital e, em 2020, foi reestruturado para atuar como banco digital, adotando o nome Digimais. Na mesma época, Macedo assumiu o controle integral da instituição ao adquirir a totalidade das ações. Atualmente, o Digimais concentra sua atuação no mercado de crédito, com destaque para o financiamento de automóveis, além de oferecer produtos voltados ao varejo, como Certificado de Depósito Bancário (CDB) e fundos de investimento distribuídos por terceiros. Nos últimos anos, o banco passou por mudanças relevantes em sua estrutura societária e de gestão. Em janeiro de 2025, uma tentativa de venda do controle para o empresário Maurício Quadrado, do grupo BlueBank, acabou não sendo concluída. Embora a operação tenha recebido aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o comprador desistiu do negócio alegando deterioração das condições de mercado. Já em janeiro de 2026., Aldemir Bendine assumiu a presidência executiva (CEO) do Digimais após homologação do Banco Central. Em abril de 2026, o BTG Pactual anunciou a assinatura de um acordo vinculante para adquirir o controle acionário do banco. O valor da operação não foi divulgado, e a conclusão do negócio permanece condicionada à realização de um processo competitivo, à confirmação da proposta do BTG como vencedora e à obtenção das aprovações regulatórias necessárias, incluindo as do Banco Central e do Cade. Enquanto a negociação segue em andamento, o Digimais enfrenta desafios financeiros e de governança. A agência de classificação de risco Fitch rebaixou a nota de crédito da instituição para “CCC(bra)”, um nível que indica elevado risco financeiro. Na prática, a agência avaliou que o banco tem pouca margem de segurança para enfrentar dificuldades e que, caso sua situação piore, existe uma possibilidade real de não conseguir honrar seus compromissos financeiros. Notícia anteriorPróxima notícia Banco Central BCBanco MasterCADE Conselho Administrativo de Defesa EconômicaPolícia Federal PFPorto Alegre RSSão Paulo SPSistema Financeiro Nacional SFN Facebook Twitter WhatsApp Linkedin Pinterest Blogger Telegram A esposa de Jair Bolsonaro acusa enteado de ‘apunhalar pelas costas’ em disputa eleitoral 26/06/2026 Professores protestam durante votação do piso do magistério na Câmara de Campos 26/06/2026 Rubio responde a
‘Erro crasso’: Gilmar Mendes critica André Mendonça por receber advogado para tratar de delação de Vorcaro

PF cita falta de servidores e pede a Mendonça mais prazo para concluir análise de material apreendido em investigação que menciona Lulinha Decano do STF vê ‘impropriedade’ na condução do caso pelo relator e alerta para risco de nulidades em paralelo com a Lava Jato Por Filipe Vidon | O Globo 22/06/2026 Ministro Gilmar Mendes no Roda Viva — Foto: Reprodução/Roda Viva São Paulo – O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, afirmou nesta segunda-feira que o relator do caso Master, André Mendonça, cometeu uma “impropriedade” ao receber de um advogado uma “proposta de delação seletiva” no Caso Master. Gilmar falou em “erro crasso” no cenário em que o colega estaria “participando de conversas” na condução do acordo. A declaração foi dada em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, alguns dias após Mendonça responder às críticas durante o julgamento na Segunda Turma. Na sessão da última terça-feira, que manteve a prisão de Henrique e Felipe Vorcaro — pai e primo do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do banco Master —, André Mendonça confirmou ter sido procurado por um advogado com uma proposta que descreveu como “delação seletiva” e disse tê-la recusado. — Chegou uma proposta por um advogado. Perderam o pudor. Queriam fazer uma delação seletiva. Na minha cara. Eu disse: não faço questão de delação. Agora, delação seletiva, comigo, não — afirmou Mendonça na sessão. No Roda Viva, Gilmar reconheceu que André Mendonça rejeitou a proposta, mas manteve a crítica: o simples fato de o relator ter recebido o advogado e sido exposto ao conteúdo da oferta já configura, a seu ver, uma violação dos limites que a lei impõe ao magistrado. — A lei não permite que o relator participe ou o juiz participe da delação. O acordo é entre Ministério Público ou a Polícia Federal e o delator. Então, aqui já há um erro crasso. Se está participando de conversas ou se está expulsando advogados do processo, isso tem algo de errado. Gilmar ponderou que a tarefa de Mendonça é genuinamente difícil, mas cobrou que o relator se paute por critérios claros, para que se evite repetir os erros que marcaram a Lava Jato. — É um trabalho difícil. E por isso é importante que se paute por uma métrica. É importante que não se repitam os erros do passado. Na conversa que nós tivemos, por exemplo, André Mendonça disse que tinha recebido um advogado fazendo proposta de delação seletiva. E aqui já há uma impropriedade. Paralelos com a Lava Jato O ministro disse enxergar “similitudes” entre a condução do caso Master e os excessos que marcaram a Operação Lava Jato, e elencou os elementos que o preocupam: a substituição de relatores, os vazamentos de informações sigilosas, as prisões de familiares e a morte de um dos alvos após a detenção. — Nós tivemos a substituição dos relatores. De Toffoli passa para André Mendonça e em seguida o ministro André libera uma ordem que havia sido dada pelo então relator no sentido de não permitir que a CPI ou a CPMI fizesse aquela quebra de sigilo. E houve aquilo que nós conhecemos, a quebra de sigilo, inclusive de conversas íntimas e a revelação. Gilmar Mendes citou que a Lava Jato é o exemplo mais acabado dos riscos que se apresentam quando esses sinais são ignorados. O ministro lembrou que, à época, proferiu votos vencidos que continham advertências sobre o caminho que a operação trilhava. — Inicialmente eram advertências que se faziam na linha: não vamos por aí. Eu ainda me lembro dizendo: nós temos um encontro marcado com as prisões alongadas de Curitiba. Parecia um mantra. E depois isso se tornou verdade e todo aquele caos que foi revelado na operação Spoof, na Vaza Jato, nos envergonha hoje. Impasse eleitoral no Rio Gilmar Mendes também comentou a crise política do Rio de Janeiro. Após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassar e tornar inelegível o governador Cláudio Castro — condenado por abuso de poder político e econômico, o desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça, assumiu interinamente o Executivo estadual. O STF ainda não definiu como será a eleição para o mandato-tampão. O ministro criticou o TSE por não ter concluído a tempo o julgamento do caso de Castro, o que, segundo ele, gerou diretamente o imbróglio sobre a viabilidade de eleições diretas ou indiretas no estado. — Nós tivemos duas situações muito constrangedoras no TSE. A não decisão do caso do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e a não decisão do caso de Roraima. Processos já prontos, mas não eram julgados. E isso levou a esses impasses que nós estamos vivendo agora. O ministro detalhou a sequência que, a seu ver, produziu o caos institucional atual. — Houve um retardo por parte do TSE na conclusão desse julgamento. O que levou, inclusive, àquela perplexidade, se se podia ou não ter eleição direta ou indireta, e causou todo esse problema. Por outro lado, metade da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, ou mais, está sendo investigada, com vários problemas que estão, inclusive, no inquérito da relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Portanto, é um todo muito complexo. Gilmar também tocou na discussão sobre a proposta de código de ética para o STF encabeçada pelo ministro Edson Fachin, e lembrou que a restrição central do documento já existe na legislação brasileira. A Lei Orgânica da Magistratura Nacional veda que juízes se pronunciem publicamente sobre questões que possam vir a julgar. O decano disse defender que a elaboração de um código seja conduzida por uma comissão interna do tribunal e afirmou não ter restrições a medidas de transparência, como a divulgação de ganhos e patrocínios. — Eu defendo uma discussão por uma comissão do tribunal que faça esta elaboração. E nós já temos uma série de regras sobre isso. Sobre propriedade de empresas, a lei já estabelece que é facultado a ministro ou a juiz ser sócio. Ele não pode ser diretor. Obviamente ele segue as regras comerciais e de imposto. Eu sou a
Ingresso a R$ 180 mil: Quem é o amigo de Flávio Bolsonaro que vai bancá-lo na Copa?

Ingresso a R$ 180 mil: Quem é o amigo de Flávio Bolsonaro que vai bancá-lo na Copa? Senador diz que recebeu de presente entradas para o jogo do Brasil nos EUA; valor elevado e histórico de “amigos generosos” levantam novas perguntas Por Renato Rovai | Fórum 22/06/2026 O senador Flávio Bolsonaro – Foto: Brazil Photo Press/Folhapress lávio Bolsonaro vai aos Estados Unidos para assistir ao jogo do Brasil contra a Escócia. Ok. O que chama atenção, no entanto, é a explicação apresentada sobre os ingressos, que teriam sido dados por um “amigo”. A pergunta é inevitável: quem é esse amigo? Segundo levantamento feito pelo repórter Luiz Carlos Azenha, os ingressos mais exclusivos para a partida custam cerca de US$ 35 mil cada, o equivalente a cerca de R$ 180 mil. TariFlávio é senador da República e candidato ao Palácio do Planalto. Trata-se portanto de um presente de alto valor recebido por um agente público em pleno exercício do mandato. Quem é esse amigo? Qual a relação que mantém com o senador? Há interesses econômicos ou políticos envolvidos? Essas são perguntas naturais diante de uma situação que exige transparência. As indagações se tornam ainda mais pertinentes diante do histórico do próprio senador. Em verões passados, Flávio já alegou ter sido beneficiado por “amigos”. Em um dos episódios mais conhecidos, um amigo miliciano teria pagado uma prestação de um apartamento do então deputado estadual e sua esposa em Laranjeiras, Rio de Janeiro. Também permanecem na memória pública as suspeitas de lavagem de dinheiro na “lojinha” da Kopenhagen que ele mantinha na Barra da Tijuca, tema que foi objeto de reportagens e investigações ao longo dos últimos anos. Agora, surge mais um “amigo generoso”. É um verdadeiro escândalo, mas há algum tempo parece existir uma espécie de normalização em torno do clã Bolsonaro. Infelizmente. Notícia anterior PL Partido LiberalSenador Facebook Twitter WhatsApp Linkedin Pinterest Blogger Telegram Ingresso a R$ 180 mil: Quem é o amigo de Flávio Bolsonaro que vai bancá-lo na Copa? 22/06/2026 Rivais mantêm ‘pacto de silêncio’ e evitam explorar operação contra Jaques Wagner na Bahia 22/06/2026 ONG ligada a Dark Horse pagou entidade de secretário com verba municipal em SP 22/06/2026 Deixe seu comentário Nome E-mail Comentário Enviar Whatsapp X-twitter Facebook More than 2 results are available in the PRO version (This notice is only visible to admin users) Mais lidas na semana skip render: ucaddon_post_list
Ação na PGR vai pedir atuação “célere e contundente” de André Mendonça contra Flávio Bolsonaro no caso Master

Ação na PGR vai pedir atuação “célere e contundente” de André Mendonça contra Flávio Bolsonaro no caso Master Envolto em novas mentiras sobre a relação com o “irmão” Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro se calou sobre reuniões. Ação visa provocar André Mendonça, que tem sido acusado de blindar seu grupo político como relator do caso Master. Por Plínio Teodoro | Fórum 22/06/2026 Flávio Bolsonaro em ato em Guarulhos com Tarcísio de Freitas (Marina Uezima/Brazil Photo Press/ Via AFP) Os deputados Rogério Correia (PT-MG), vice líder do PT na Câmara, e Lindbergh Farias (PT-RJ) vão protocolar uma ação junto ao Procurador-Geral da República (PGR) Paulo Gonet pedindo que ele cobre uma atuação “célere e contundente” do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), sobre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a revelação de que o senador manteve encontros recorrentes com Daniel Vorcaro. “Há provas como mensagens, áudios e visitas ao banqueiros, além do depósito dos milhões de dólares em um fundo administrado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro nos EUA. As provas são fartas e é necessário que aja uma ação contundente e célere de André Mendonça sobre Flávio Bolsonaro, que não vimos até agora”, disse à Fórum o vice líder do PT na Câmara. Envolto em novas mentiras sobre a relação com o “irmão” Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro se calou sobre as reuniões recorrentes, seguindo a estratégia de tentar abafar sua relação com o banqueiro e mirar em Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, que, por muito menos, foi alvo de uma ação de busca e apreensão da Polícia Federal autorizada por André Mendonça. A análise dos governistas e de fontes da PF é que está havendo uma blindagem de Mendonça sobre o grupo político de sua origem, ligado ao clã Bolsonaro, na relatoria das ações do Caso Master. No entanto, há um consenso de que, após a ação contra Wagner, haverá constrangimento se Mendonça for provocado e negar uma ação da PF contra Flávio Bolsonaro, visto que as provass contra o senador são muito mais contundentes e os valores, comprovadamente transferidos pelo banqueiro, bem mais vultosos. Uma suposta negativa de Mendonça em agir contra Flávio Bolsonaro abriria espaço para um pedido de suspeição do ministro, que foi alçado à Suprema Corte por Jair Bolsonaro após substituir Sergio Moro no comando do “super” Ministério da Justiça. Homem de confiança do ex-governo Bolsonaro, Mendonça assumiu o posto após Sergio Moro deixar o comando da pasta atirando, acusando Jair de interferência na Polícia Federal justamente para proteger o filho Flávio nas investigações do caso de corrupção das rachadinhas. Após a briga com o clã, Moro submergiu e acabou reatando com Bolsonaro nas eleições contra Lula em 2022. A reaproximação resultou em uma nova parceria, com o ex-juiz se filiando às hostes do PL para ser candidato ao governo do Paraná com apoio de Flávio Bolsonaro. Ataque de nervos Neste domingo, Flávio Bolsonaro defendeu a postura de Mendonça, que vem sendo acusado de blindá-lo nas investigações, em ataque à jornalista Eliane Cantanhede, que cobrou o ministro de avalizar uma ação da Polícia Federal (PF) contra o filho “01” de Jair Bolsonaro em artigo no Estadão. “Não há absolutamente nada de errado. Pelo seu raciocínio, deveria haver busca e apreensão em cima dos donos Estadão (com o que eu não concordo)”, disparou Flávio, que voltou a mentir dizendo que “possibilidade de crime só há na relação do líder do governo e fiel escudeiro de Lula com o Augusto Lima e o Master, e não no caso do filme”. No entanto, o senador ignorou as novas denúncias e não se explicou sobre os diversos encontros com Vorcaro, insistindo na mentira de que só manteve contato com o banqueiro em razão do suposto patrocínio ao filme sobre o pai. Mentiras fazem derreter nas pesquisas Após Silas Malafaia abandonar Flávio Bolsonaro (PL-SP), dizendo que não passa a mão na cabeça de “corrupto de direita“, foi a vez do bispo Robson Rodovalho, da Igreja Sara Nossa Terra, largar a mão do filho “01” de Jair Bolsonaro (PL) e defender abertamente o nome de Michelle Bolsonaro para substituir o candidato como representante do clã na chapa presidencial. Rodovalho, que visitou Bolsonaro na prisão e substituiu Malafaia como conselheiro do ex-presidente após rusgas com o pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (Advec), explicou o derretimento de Flávio nas pesquisas após o caso Master pelas mentiras ditas pelo senador sobre a relação com Daniel Vorcaro. “Acho que foram duas questões. A primeira delas, o vazamento da conversa com o Daniel Vorcaro, e ele ter dito antes que não tinha nenhuma relação com o banqueiro. Está custando muito caro para o Flávio isso. O evangélico pensa: às vezes é melhor votar num candidato que não é cristão do que um que diz ser, mas não mantém a coerência”, afirmou ao ser indagado por Thiago Prado sobre as pesquisas, em entrevista ao jornal O Globo nesta sexta-feira (19). Rodovalho, que já aclamou Michelle como “grande líder” após visita ao ex-presidente, disse que pior que a revelação da relação íntima com Vorcaro, foram as mentiras ditas pelo senador sobre o caso. “Evangélico é intransigente com mentira. A pior coisa que tem é uma coisa ser dita e a realidade ser outra. Ele deveria ter falado sobre o assunto desde o início”, afirmou, ressaltando que se o dinheiro é privado e para o filme não teria razões para mentir. O bispo defendeu que Flávio Bolsonaro abra “imediatamente as contas de Dark Horse para tentar estancar a debandada evangélica e tentar reverter o quadro diante das mentiras em série. “Ele está perdendo a confiança do segmento, as pessoas estão achando que, se mentiu desta vez, pode mentir na próxima. O copo de cristal trincou, e ele vai precisar reconhecer isso. Mostrar arrependimento, pedir desculpas. Não dá para ficar camuflando o assunto, achando que o tempo vai fazer os evangélicos esquecerem porque o Lula tem mais escândalos”, disse. Notícia anteriorPróxima notícia Banco MasterDeputado FederalPGR Procuradoria Geral da RepúblicaPL Partido LiberalPolícia Federal PFPT Partido dos TrabalhadoresSTF Supremo
Prefeituras driblam Constituição e deixam de aplicar R$ 704,6 milhões do Fundeb em educação infantil

PF cita falta de servidores e pede a Mendonça mais prazo para concluir análise de material apreendido em investigação que menciona Lulinha Outros R$ 426,6 milhões não foram usados em investimentos, segundo dados obtidos pela Folha Omissão de municípios entra na mira do Ministério Público Por Paulo Saldaña | Folha de S.Paulo 22/06/2026 Sala de aula na escola rural Cleonice Claudino, em Olho D’Água Grande (AL), que atende alunos de educação infantil – Paulo Saldaña – 12.mai.26/Folhapress Brasília – Ao menos R$ 704,6 milhões do Fundeb, principal mecanismo de financiamento da educação básica, deixaram de ser aplicados na educação infantil desde 2021, apesar de a Constituição obrigar a destinação de parcela do fundo a essa etapa. Dados obtidos pela Folha mostram que 835 municípios descumpriram essa regra, total ou parcialmente, em algum exercício nos últimos cinco anos. O mecanismo reúne parcela de impostos estaduais e municipais, além de complementação da União para locais que não atingem um valor mínimo por aluno. Os recursos são distribuídos conforme número e tipo de matrículas. O novo fundo, reformulado em 2021, também determinou que 15% de uma parte da complementação da União sejam aplicados em investimentos, para melhorias nas redes de ensino, como obras. Desde então, 788 municípios deixaram de cumprir a exigência em ao menos um ano, somando R$ 426,6 milhões de recursos não investidos. As omissões estão na mira de órgãos do Ministério Público, que vão trabalhar em ação coordenada junto aos municípios do país. O objetivo é garantir a recomposição dos investimentos não realizados e também apurar se, além de não irem para educação infantil ou investimentos, os valores nem sequer tenham ido para a educação. Os dados são do Siope (Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação), tabulados pelo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) e enviados a procuradores e promotores que se dedicam ao tema. Os dados foram extraídos em 25 de março. Como há casos de inclusão de novos registros ou da substituição de declarações, o cenário pode ser ainda pior. Além disso, só há dados de 2025 sobre educação infantil de apenas 1.805 das prefeituras (32% do total). Em nota, o FNDE informou que atua no cálculo das estimativas do fundo, no repasse da complementação e no apoio técnico. “Eventuais irregularidades e sanções cabíveis são apuradas pelos órgãos de controle competentes”, diz o órgão, ligado ao Ministério da Educação. Com os valores não aplicados em educação infantil e investimentos, de R$ 1,1 bilhão, seria possível construir 314 novas creches e gerar cerca de 30 mil vagas de tempo integral (seguindo parâmetros de custos do Novo PAC). O Brasil registrou 826 mil crianças na fila de espera por uma vaga em creche em 2025. O promotor Lucas Sachsida diz que a preocupação do Ministério Público é que haja uma aplicação conforme o que diz a Constituição. “Diante de notícia de milhares de crianças aguardando vaga na fila, parece inaceitável que haja valores não aplicados por parte dos entes”, diz ele. Ligado à Promotoria de Alagoas, Sachsida é coordenador-adjunto do comitê nacional de financiamento da educação da 1ª Câmara de Cooordenação e revisão do Ministério Público Federal. A renovação do fundo, que o incluiu na Constituição, determinou aumento escalonado da complementação federal. Passou dos 10% vigentes até 2020 para 23% neste ano. A partir de agora, o percentual será fixo. A mudança também incluiu um modelo híbrido de distribuição, que permitiu atingir mais cidades pobres que antes não recebiam complementação, com o Vaat (Valor Anual Total por Aluno). Ele considera todas as receitas da educação de estados e municípios e consegue direcionar recursos também a municípios pobres dentro de estados mais ricos (o que não ocorria até 2020). Metade dos recursos globais do Vaat devem ir para educação infantil, mas há um percentual calculado para cada município, chamado IEI (Índice de Educação Infantil). Só os municípios que recebem essa complementação da União, o Vaat, devem comprovar essas despesas. Os maiores valores não aplicados em educação infantil estão em cidades do Pará e do Maranhão, mas há casos em todo país. A prefeitura com maiores valores não aplicados é a de Belford Roxo (RJ). Nos anos de 2023 e 2024, cidade deixou de aplicar, no total, R$ 29,3 milhões na educação infantil. O município também não cumpriu a obrigação de destinar 15% a investimentos de 2023 a 2025, com valores totais de R$ 22,6 milhões. A gestão não respondeu questionamentos enviados por email e mensagens desde 11 de junho. Em São João de Meriti (RJ), foram R$ 18,7 milhões não aplicados na educação infantil e R$ 7,7 milhões deixaram de ir para investimentos em 2023 e 2024. A prefeitura também não respondeu à reportagem. A Folha mostrou no fim de maio gastos do Fundeb alheios à educação em centenas de cidades do país. Enquanto deixou de aplicar esses valores previstos na Constituição, São João de Meriti foi um dos municípios que destinaram verba do Fundeb para o fundo municipal de saúde: foram R$ 11,1 milhões em 2023 — a prefeitura respondeu, na ocasião, que não tem conhecimento do motivo da transferência por ter sido realizada na gestão anterior. Segundo a consultora em educação Mariza Abreu, o Fundeb tem desafios operacionais, como a forma de computar o valor total do gasto com educação em cada município para se definir o rateio do Vaat. O tema é complexo e ao menos cinco prefeituras conseguiram na Justiça serem habilitadas para receber o Vaat mesmo com imprecisões na declaração dos dados sobre orçamento. Segundo dados oficiais, são Juruá (AM), em 2024; Maraã (AM), em 2025; e Mãe do Rio (PA), Canavieiras (BA) e São João da Ponta (PA), em 2026. Como é cada tipo de complementação: VAAF (Valor Anual por Aluno do Fundeb): Parte da complementação que considera apenas os recursos do próprio Fundeb para entes que não atingem um valor mínimo nacional por aluno VAAT (Valor Anual Total por Aluno): considera não só o Fundeb, mas todas as receitas da educação de estados e municípios. Assim, a União consegue direcionar recursos também a municípios pobres dentro de estados mais ricos. VAAR (Valor Anual por Aluno por Resultado): distribui recursos com base em critérios de melhoria de gestão, equidade
Cortes estrangeiras veem viés político na Justiça do Brasil, diz jurista

Cortes estrangeiras veem viés político na Justiça do Brasil, diz jurista Gustavo Sampaio, professor da UFF, afirmou ao WW Especial que julgamentos no exterior envolvendo solicitações brasileiras de entrega de réus têm sido impactados pela leitura de falhas na tramitação de ações criminais no país Por Jorge Fernando Rodrigues | CNN Brasil 22/06/2026 Gustavo Sampaio, professor da UFF A recente decisão da Justiça italiana de negar a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli reforça uma percepção internacional de que há influência política em processos conduzidos pelo sistema judicial brasileiro, segundo avaliação do professor de Direito Constitucional da UFF (Universidade Federal Fluminense), Gustavo Sampaio. Carla Zambelli foi condenada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), em maio de 2025, a dez anos de prisão por participação na invasão dos sistemas do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e na adulteração de documentos. Segundo a acusação, ela contratou o hacker Walter Delgatti Neto para executar a invasão. Relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, o processo resultou na condenação da ex-parlamentar, que atualmente está na Itália e responde em liberdade no país europeu. Em participação no programa WW Especial, da CNN Brasil, o jurista afirmou que o aspecto mais preocupante do caso não é propriamente o mérito da decisão italiana, mas a mensagem transmitida por uma das mais altas instâncias judiciais da Itália. Sampaio explicou que, em democracias ocidentais, os processos de extradição costumam ser divididos entre o Poder Judiciário e o Poder Executivo. Na primeira etapa, cabe aos tribunais analisar apenas a legalidade do pedido, verificando sua compatibilidade com a legislação interna, a Constituição e os tratados internacionais. A decisão política final, em regra, fica a cargo do Executivo. Segundo ele, o caso ganha relevância porque a negativa não partiu do governo italiano, mas da Corte de Cassação, órgão máximo da Justiça comum do país. “Se dissesse que foi o Poder Executivo na Itália que negou a extradição, um Poder Executivo vinculado à direita e simpatizante com teses que no Brasil seriam as teses bolsonaristas, a análise política se encerraria por aqui. Mas não. Foi o órgão máximo do Poder Judiciário da Itália, a Corte de Cassação”, afirmou. O professor destacou que a Corte de Apelação de Roma havia autorizado a extradição, mas a decisão foi revertida pela instância superior. “A Corte de Cassação negou [a extradição] sob o fundamento de que teria havido uma condução pelo Supremo Tribunal Federal brasileiro equivocada à luz da lei”, disse. Para Sampaio, esse tipo de manifestação gera preocupação porque representa uma crítica direta à atuação das instituições brasileiras por parte de um tribunal estrangeiro. “Isso preocupa, preocupa muito, porque nós temos uma decisão jurisdicional do Poder Judiciário de um país estrangeiro dizendo que o Brasil não se comportou bem na arena do processamento e do julgamento daquela ação penal”, alertou. Apesar da crítica feita pela Justiça italiana, o constitucionalista disse discordar da conclusão adotada pela Corte de Cassação. “No caso concreto, não acho que esteja certa a análise da Corte de Cassação da Itália. Acho que não houve erro de processamento nenhum pelo Supremo Tribunal Federal”, declarou. Ainda assim, o professor avalia que o episódio revela uma percepção mais ampla sobre o funcionamento da Justiça brasileira fora do país. “Isso revela um sentimento que transcende o território brasileiro, um sentimento internacional de que há uma condução política na função jurisdicional no Brasil. Esse é o sintoma maior que tem que ser objeto do nosso diagnóstico”, concluiu. Notícia anteriorPróxima notícia CNJ Conselho Nacional de JustiçaDeputada FederalPL Partido LiberalSTF Supremo Tribunal Federal Facebook Twitter WhatsApp Linkedin Pinterest Blogger Telegram Ingresso a R$ 180 mil: Quem é o amigo de Flávio Bolsonaro que vai bancá-lo na Copa? 22/06/2026 Ação na PGR vai pedir atuação “célere e contundente” de André Mendonça contra Flávio Bolsonaro no caso Master 22/06/2026 Prefeituras driblam Constituição e deixam de aplicar R$ 704,6 milhões do Fundeb em educação infantil 22/06/2026 Deixe seu comentário Nome E-mail Comentário Enviar Whatsapp X-twitter Facebook More than 2 results are available in the PRO version (This notice is only visible to admin users) Mais lidas na semana skip render: ucaddon_post_list
ANTT troca contrato alvo da PF por outro mais caro e beneficia mesmo grupo investigado

ANTT troca contrato alvo da PF por outro mais caro e beneficia mesmo grupo investigado Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) substituiu empresa investigada por firma suspeita de ter o mesmo sócio oculto Por Tácio Lorran | Metrópoles 22/06/2026 Fachada da Esplanada Serviços Terceirizados | Reprodução/GoogleStreetView Após identificar uma série de falhas em contrato com uma empresa de terceirização de mão-de-obra investigada pela Polícia Federal, a ANTT acertou um novo contrato, ainda mais caro, com empresa que teria o mesmo controlador de acordo com as investigações. Parte da força de trabalho da ANTT não é composta por servidores concursados, mas por funcionários que prestam serviços por meio de empresa terceirizada. A prática é comum na Esplanada dos Ministérios. Desde 2023, a empresa R7 Facilities fornecia quase 200 funcionários de apoio administrativo para a agência. Em fevereiro do ano passado, a Polícia Federal, em conjunto com a Controladoria-Geral da União, deflagrou a Operação Dissímulo, mirando inicialmente a R7 Facilities e outras empresas, que, de acordo com as investigações, eram controladas, de forma oculta, pelo policial civil aposentado Carlos Tabanez, ex-deputado distrital. As suspeitas são de fraudes em licitações, falsidade ideológica e estelionato. Segundo a CGU, “o grupo utilizava ‘laranjas’ como sócios para ocultar os verdadeiros proprietários das empresas, dificultando a fiscalização e ampliando a atuação do esquema”. Apesar das suspeitas, seis dias depois da operação a ANTT renovou, por mais um ano, o contrato com a R7 Facilities. A renovação ocorreu na véspera do fim do mandato do então diretor-geral da ANTT, Rafael Vitale. Sete meses depois, em agosto, a agência abriu processo para a contratação de uma nova empresa. Na justificativa para essa troca de fornecedora de funcionários, a agência reguladora apontou que a medida tornou-se necessária em razão de “uma série de contratempos apresentados” pela R7, como “interrupções na prestação de serviços, ausência de pagamento aos trabalhadores contratados e atrasos no pagamento dos benefícios”. Conforme a ANTT, a situação demonstrava a “incapacidade de a empresa manter a prestação de serviços ao longo do tempo sem falhar no cumprimento das suas obrigações trabalhistas e previdenciárias junto aos funcionários”. Após licitação, a empresa contratada em outubro foi a Esplanada Serviços Terceirizados, que também foi alvo da Operação Dissímulo por suspeita de fazer parte do mesmo grupo supostamente controlado por Carlos Tabanez. Naquele mês, a CGU informou que, após as buscas e apreensões realizadas na operação de fevereiro, a Esplanada passou a ser alvo de Processo de Apuração de Responsabilidade no órgão. O contrato foi assinado por Guilherme Theo Sampaio, novo diretor-geral da ANTT, e aliado do antecessor, Rafael Vitale, responsável pela renovação com a R7 dias depois de a empresa ter sido alvo da PF. ANTT contrata empresa suspeita por R$ 38,1 milhões Quando a Esplanada foi contratada, o contrato com a R7 tinha custo anual de R$ 25,7 milhões para a ANTT. O novo acordo foi assinado em 13 de outubro por R$ 29,2 milhões. Porém, apenas um mês depois de assinado, o contrato foi alterado em 14 de novembro, com aumento de 16% na quantidade de terceirizados (passaram de 189 para 220) e elevação do valor para R$ 34,5 milhões. Não foi a única alteração. Ainda em novembro, uma nova mudança aumentou significativamente os deslocamentos aéreos para os funcionários cobertos pelo contrato. Inicialmente estava previsto apenas um deslocamento por mês, mas, com a mudança, passaram a ser previstas 10 viagens por mês, além de aumento nas diárias previstas. Mais recentemente, em março, nova alteração adicionou mais 10 funcionários, passando ao total de 230 terceirizados no contrato. Com as alterações feitas, o contrato tem hoje custo anual de R$ 38,1 milhões. Trata-se de uma diferença de 30,2% em relação ao valor originalmente assinado em outubro, após licitação. A média gasta anualmente pela ANTT com cada terceirizado, pelo novo contrato, é de R$ 165,5 mil. No contrato anterior, com a R7 Facilities, a média era de R$ 143.458,99, ou seja, a diferença no valor médio no novo contrato é de 15,4%. ANTT nega irregularidades em contratação de empresa alvo da PF Procurada pela coluna, a ANTT enviou a seguinte nota, reproduzida na íntegra: “A contratação da empresa Esplanada Serviços Terceirizados ocorreu por meio do Pregão Eletrônico nº 90009/2025 e observou integralmente a legislação aplicável às contratações públicas. À época da licitação e da contratação, a empresa apresentou toda a documentação exigida no edital, comprovou sua regularidade jurídica, fiscal, trabalhista, econômico-financeira e técnica e não possuía qualquer impedimento legal para contratar com a Administração Pública. As consultas realizadas pela ANTT nos sistemas oficiais de controle e habilitação não identificaram restrição à contratação da empresa. Também não houve comunicação de órgão de controle ou de persecução recomendando sua inabilitação ou impedindo sua contratação. Quanto aos valores mencionados, a conclusão apresentada parte de uma premissa incorreta ao tratar como acréscimo contratual aquilo que engloba instrumentos jurídicos distintos previstos em lei. A diferença entre o valor originalmente contratado e o valor vigente não decorre exclusivamente de acréscimos de objeto, mas também de reajustes e repactuações obrigatórios aplicáveis aos contratos de prestação de serviços com dedicação exclusiva de mão de obra. Por essa razão, é incorreto afirmar que houve acréscimo contratual de 30,2% ou extrapolação do limite legal de 25%. Os acréscimos relativos ao objeto contratual observaram os limites estabelecidos na legislação vigente, não havendo qualquer irregularidade na contratação ou na execução do contrato.” Notícia anteriorPróxima notícia ANTT Agência Nacional de Transportes TerrestresCGU Controladoria-Geral da UniãoDeputado DistritalPGR Procuradoria Geral da RepúblicaPolícia Federal PF Facebook Twitter WhatsApp Linkedin Pinterest Blogger Telegram Ingresso a R$ 180 mil: Quem é o amigo de Flávio Bolsonaro que vai bancá-lo na Copa? 22/06/2026 Ação na PGR vai pedir atuação “célere e contundente” de André Mendonça contra Flávio Bolsonaro no caso Master 22/06/2026 ANTT troca contrato alvo da PF por outro mais caro e beneficia mesmo grupo investigado 22/06/2026 Deixe seu comentário Nome E-mail Comentário Enviar Whatsapp X-twitter Facebook More than 2 results are available in the PRO version (This notice is only visible to admin users) Mais lidas na semana skip render: ucaddon_post_list
Rivais mantêm ‘pacto de silêncio’ e evitam explorar operação contra Jaques Wagner na Bahia

Rivais mantêm ‘pacto de silêncio’ e evitam explorar operação contra Jaques Wagner na Bahia ACM Neto optou por não explorar publicamente a operação da Polícia Federal que mirou o petista, e disse que ‘questão cabe ao Judiciário’ Por Luis Felipe Azevedo | O Globo 22/06/2026 ACM Neto e Jaques Wagner — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo | Brenno Carvalho/O Globo Principal rival do PT na Bahia, o grupo político de ACM Neto (União Brasil) optou por não explorar publicamente a operação da Polícia Federal (PF) que mirou o senador Jaques Wagner, que tenta a reeleição na chapa do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Como mostrou o GLOBO em março, petistas e o grupo do ex-prefeito de Salvador, que também teve a campanha impactada após a revelação de pagamentos do Master, selaram um acordo nos bastidores para deixar o escândalo envolvendo Daniel Vorcaro fora da disputa eleitoral estadual deste ano. Wagner é alvo de investigações que apuram se ele agiu em prol dos interesses do banqueiro e de seu ex-sócio Augusto Lima no Congresso em troca de “vantagens indevidas”. A PF suspeita da atuação do senador em projetos importantes para a instituição financeira, como a “emenda Master”, que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Em troca, o senador recebia benefícios, como aeronave à disposição, ingressos para shows internacionais e um apartamento de luxo de R$ 2,4 milhões em Salvador. Neto evitou o tema nas redes sociais. Questionado por jornalistas durante agenda na última sexta-feira, o ex-prefeito evitou ataques diretos ao opositor: — Essa é uma questão que cabe ao Judiciário. O que nós esperamos é que a investigação seja completa, isenta, correta e que, ao fim, se há responsáveis e culpados, que sejam punidos. É aguardar para ver os desdobramentos que eventualmente isso pode ter. Repasse a Consultoria A campanha de ACM Neto foi impactada pelo caso Master após documentos entregues pelo banqueiro à Receita Federal apontarem o pagamento de R$ 5,4 milhões ao ex-prefeito, por meio de sua empresa de consultoria, entre 2023 e 2025. Foram as conexões de ambos os grupos com o Master que os levaram a evitar trocas de acusações públicas. O confronto coube ao ex-ministro da Cidadania de Jair Bolsonaro e presidente estadual do PL na Bahia, João Roma, que repercutiu a operação nas redes sociais. Roma compõe a chapa de ACM Neto e, assim como Jaques Wagner, tenta uma cadeira no Senado. Roma classificou a investigação como “muito grave” e defendeu que as investigações sejam conduzidas com independência e respeito ao devido processo legal. Roma também criticou a postura do líder do governo no Senado em relação ao tema, afirmando que o assunto merece ser tratado com seriedade. “O que mais espanta nesse caso é a forma debochada que ele sempre tratou do assunto, fazendo ilações a políticos adversários e escondendo suas relações, usando, inclusive, o termo pejorativo ‘cara pálida’”, escreveu. O PT terá o governador Jerônimo como candidato à reeleição, enfrentando ACM Neto em uma reedição da apertada disputa de 2022, que foi vencida pelo petista no segundo turno com 52,8% dos votos. A pesquisa Genial/Quaest mais recente, de abril, mostrou um empate técnico entre os dois. Já a disputa pelas duas cadeiras do Senado tem o ex-governador Rui Costa e Wagner no lado petista contra Roma e o senador Angelo Coronel (Republicanos) na direita. ACM Neto busca evitar a nacionalização do debate e se esquiva de um apoio formal à campanha de Flávio Bolsonaro ao Planalto, apesar de compor com o PL no estado. Já a campanha de Jerônimo tenta colocar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como peça central da campanha baiana. Relações expostas A PF apontou relação próxima de Wagner com Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. A parceria entre o PT da Bahia e o empresário remete ao governo Rui Costa, quando ele privatizou a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), dona da rede de supermercados Cesta do Povo. A Ebal foi comprada por Lima, que também arrematou um cartão de crédito consignado para servidores e aposentados. O cartão, Credcesta, teve a operação expandida para todo o país em parceria com o Master, do qual virou sócio em 2019. De acordo com o relatório da PF, citado na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Wagner foi autor de uma emenda a uma Medida Provisória, em março de 2022, que beneficiaria o Banco Master se fosse aprovada. O petista nega ter recebido qualquer valor relacionado à instituição liquidada ou agido para beneficiá-la. Já ACM Neto argumenta que a relação com o Master foi firmada sem que qualquer um dos sócios da empresa “ocupasse cargo público à época da formalização e execução do contrato”. O ex-prefeito diz que fazia análise da “agenda político-econômica nacional” e que participou de uma série de reuniões com representantes do banco. Notícia anterior Banco MasterGovernadorPL Partido LiberalPolícia Federal PFPrefeitoPT Partido dos TrabalhadoresReceita FederalRepublicanosSenadorSTF Supremo Tribunal FederalUnião Brasil Facebook Twitter WhatsApp Linkedin Pinterest Blogger Telegram Rivais mantêm ‘pacto de silêncio’ e evitam explorar operação contra Jaques Wagner na Bahia 22/06/2026 ONG ligada a Dark Horse pagou entidade de secretário com verba municipal em SP 22/06/2026 Rio das Pedras, última base da milícia na região, é alvo do CV, que quer formar ‘cinturão’; entenda a disputa territorial 19/06/2026 Deixe seu comentário Nome E-mail Comentário Enviar Whatsapp X-twitter Facebook More than 2 results are available in the PRO version (This notice is only visible to admin users) Mais lidas na semana skip render: ucaddon_post_list