Computadores cobertos por plástico para escapar da água da chuva, infiltrações espalhadas por diferentes salas, paredes tomadas por mofo e uma rede elétrica improvisada. Essa é a realidade enfrentada por policiais e funcionários da 9ª Delegacia de Polícia (Catete), instalada em um edifício inaugurado em 1909 e considerado a primeira construção do Brasil projetada especificamente para funcionar como delegacia de polícia.
Responsável pelo atendimento e pelas investigações nos bairros do Flamengo, Catete, Glória, Laranjeiras e Cosme Velho, o prédio, na Rua Pedro Américo, é tombado pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH). Apesar do reconhecimento histórico, servidores da unidade afirmam que a estrutura interna se deteriorou e já não oferece condições adequadas de trabalho.
Segundo os relatos ouvidos pelo jornal O Globo, as infiltrações se intensificam durante as chuvas e obrigam os funcionários a improvisar para proteger computadores e outros equipamentos utilizados no atendimento ao público e nas investigações. Eles contam que uma pequena intervenção realizada há cerca de seis anos não resolveu os problemas, que voltaram pouco tempo depois.
Além da água que invade o imóvel, a rede elétrica também preocupa. De acordo com os denunciantes, adaptações foram sendo feitas ao longo dos anos para garantir o funcionamento de computadores, aparelhos de ar-condicionado e outros equipamentos. Ainda segundo os servidores, uma impressora multifuncional foi danificada este ano em consequência das falhas na instalação elétrica.
Pisos quebrados aumentam o risco de acidentes, enquanto o mofo nas paredes e trechos do telhado sem forro tornam o ambiente ainda mais precário para policiais, funcionários e para a população que procura a unidade.
Projetado pelo arquiteto Heitor de Mello (1875-1920), um dos principais nomes da arquitetura eclética carioca e responsável, anos depois, pelo projeto do Palácio Pedro Ernesto, na Cinelândia, o prédio foi inaugurado pelo então presidente Nilo Peçanha. Na época, reunia sob o mesmo teto uma delegacia de polícia e um quartel da antiga Brigada Militar, modelo adotado no início do século XX.
Em 1992, o imóvel foi tombado em definitivo pelo IRPH. O reconhecimento garante a preservação das características arquitetônicas da construção e estabelece regras específicas para qualquer intervenção estrutural.
Servidores lembram que o prédio passou por uma ampla reforma em 2015 e chegou a ser fechado temporariamente para a realização das obras. Para eles, no entanto, uma nova intervenção é necessária diante do estado atual da unidade. Eles defendem que um imóvel com tamanha relevância histórica receba manutenção compatível com sua importância, preservando tanto o patrimônio quanto as condições de trabalho.
Procurada, a Polícia Civil informou que vem adotando as providências necessárias para a realização de intervenções na 9ª DP. Segundo a corporação, por se tratar de um imóvel tombado, qualquer obra estrutural depende de procedimentos específicos e do cumprimento das exigências legais, o que torna o processo mais complexo.
A instituição informou ainda que sua equipe de engenharia elabora um relatório técnico que servirá de base para as futuras intervenções, em conformidade com a legislação aplicável aos bens protegidos pelo patrimônio histórico.
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