A decisão de Alexandre de Moraes, que deu prazo de 48 horas para que a defesa de Jair Bolsonaro (PL) explique se ele autorizou o uso de sua imagem e de sua voz em um vídeo produzido por inteligência artificial exibido na convenção do PL que oficializou a candidatura do filho, Flávio Bolsonaro (PL), na disputa à Presidência está causando mais uma crise familiar no clã do ex-presidente.
O despacho estabelece duas hipóteses e deixa claro que ambas podem trazer consequências graves para a família Bolsonaro. Se Jair admitir que concordou com o vídeo, poderá ser acusado de violar novamente as condições da prisão domiciliar e voltar ao regime fechado. Caso negue, Flávio Bolsonaro e o PL poderão responder por desrespeito à ordem judicial e pelo uso eleitoral de uma possível deepfake.
No entanto, o pai tende a empurrar o caso para o colo do filho para evitar o retorno à Papudinha, anexo do complexo prisional de Brasília, onde já foi encarcerado.
Em publicação na rede X no fim da noite desta terça-feira (28), o advogado João Henrique de Freitas, que faz a defesa do ex-presidente, sinaliza que deve eximir Bolsonaro da responsabilidade pelo filho e colocar o caso no colo de Flávio Bolsonaro.
“O ministro Alexandre deu 48h para a defesa esclarecer se o Presidente Jair Bolsonaro ‘autorizou’ o uso de sua imagem e voz em vídeo de IA para a Convenção do PL”, escreve na rede X.
“Como poderia, se na prisão domiciliar ele está proibido de falar com dirigentes partidários? A decisão parte de uma premissa que a própria Justiça criou ser impossível”, emenda Freitas.
Proibido até mesmo de falar com Flávio Bolsonaro após burlar as medidas restritivas com a recente carta lida e divulgada pelo filho, o ex-presidente se exime da culpa pelo vídeo, dizendo que não pode sequer “falar com dirigentes partidários”.
Caso siga essa linha nas explicações a Moraes, a defesa de Bolsonaro jogará o caso para os advogados de Flávio, que terão que explicar o uso do vídeo sob o risco da Justiça Eleitoral cassar o registro da candidatura.
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