Pré-candidato do PL ao governo do Rio defende bombardeio dos EUA a embarcações suspeitas de tráfico: ‘Tem meu total apoio’

Douglas Ruas também afirmou apoiar decisão americana de designar as facções CV e PCC como organizações terroristas

Por Yago Godoy | O Globo

27/05/2026

Pré-candidato do PL ao governo do Rio defende bombardeio dos EUA a embarcações suspeitas de tráfico: 'Tem meu total apoio'
Primeira sessão da ALERJ presidida pelo Deputado Douglas Ruas. — Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo

O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas (PL), pré-candidato ao governo do estado, afirmou ser a favor de ações militares dos Estados Unidos na costa brasileira. Ao ser questionado sobre o tema, o deputado estadual defendeu o bombardeio de traficantes “no mar aberto”, antes que drogas e armas contrabandeadas cheguem às cidades. A declaração ocorre após os americanos classificarem as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, o que, segundo a avaliação de especialistas, pode abrir caminho para operações dos EUA no território nacional.

No ano passado, o nome do PL à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), sugeriu que os americanos atacassem “organizações terroristas” na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. O posicionamento ocorreu nas redes sociais, após os Estados Unidos anunciarem um ataque a um barco que supostamente transportava drogas no Oceano Pacífico. Em entrevista à BBC News, divulgada nesta sexta-feira, Ruas foi perguntando sobre a declaração do correligionário:

“Defendo medidas efetivas para impedir que essas armas e essas drogas cheguem ao nosso território. E, se for necessário bombardear esses traficantes de drogas, traficantes de armas no mar aberto, antes dessas armas chegarem aqui no nosso território, nas nossas cidades, têm o meu total apoio”, afirmou o pré-candidato.

O presidente da Alerj citou a apreensão de fuzis de origem estrangeira no estado, além de alegar que drogas vendidas no Rio, como a cocaína, são produzidas em outros países. Ele defendeu a “cooperação internacional” para o “enfrentamento do crime organizado”, o que já ocorre entre as forças de segurança de ambos os países.

“Eu tenho defendido que nós possamos classificar as facções criminosas como terrorista, porque o que eles praticam é impor o terror à população de bem do nosso Estado. As pessoas estão com as suas liberdades cerceadas por essas pessoas”, completou Ruas, que também aproveitou para criticar a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesse âmbito. “Lamentavelmente, o atual presidente entende que eles não são terroristas e ainda os chamou de ‘nossos criminosos’. Nós não temos compromisso com criminosos”.

Pesquisa Datafolha divulgada na última terça-feira apontou que 59% dos brasileiros apoiam rotular as facções CV e PCC como terroristas. Mesmo assim, o levantamento também mostrou que 74% da população rejeita a possibilidade de os EUA atuarem contra integrantes dessas facções em território brasileiro sem autorização do governo do Brasil.

Segurança

Ainda em relação à segurança, Ruas afirmou que o maior problema do Rio de Janeiro é o domínio territorial pelas facções. Ele elogiou a megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha, em outubro do ano passado, que culminou em 122 mortes, mas ressaltou que “se não tiver uma continuidade da presença do Estado, (a ação) não nos dá uma efetividade duradoura”.

“O que aconteceu no Complexo da Penha e do Alemão é uma legítima ação do Estado”, disse Ruas, alegando que o Rio se tornou um “resort para criminosos” devido à chamada “ADPF das Favelas”, determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para impor restrições a operações policiais em comunidades.

Na mesma entrevista, Ruas também foi questionado sobre a coerência em ter um forte discurso de combate à criminalidade mesmo sendo aliado de Flávio, que chegou a empregar em seu gabinete — entre 2016 e 2018 — a mãe do miliciano Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e líder do Escritório do Crime:

“Eu não estava aqui na Assembleia Legislativa no passado. Esse foi o meu primeiro mandato. Não acompanhei de perto”, afirmou. “Pra minha pré-candidatura, não é problema algum. As pessoas podem pesquisar minha trajetória de vida, minha trajetória de trabalho”, completou.

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