PF mira milícia digital de R$ 25 milhões ligada a Dr. Furlan, ex-aliado de Alcolumbre

Operação Palanque Digital apura uso de verba da comunicação da Prefeitura de Macapá para autopromoção política, deepfakes e ataques a adversários no Amapá

Por Diego Feijó de Abreu | Fórum

27/05/2026

PF mira milícia digital de R$ 25 milhões ligada a Dr. Furlan, ex-aliado de Alcolumbre
PF apura milícia digital ligada a Dr. Furlan - Dr. Furlan (MDB), prefeito de Macapá/Foto: Rogério Lameira/Prefeitura de Macapá)

Milicia Digital: A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (26) a Operação Palanque Digital, no Amapá, para investigar uma suposta organização criminosa digital ligada ao ex-prefeito de Macapá Dr. Furlan (PSD), ex-aliado e hoje adversário do grupo do senador Davi Alcolumbre (União-AP). Segundo a PF, contratos de publicidade institucional da Prefeitura de Macapá, na ordem de R$ 25 milhões, teriam sido usados para financiar autopromoção política, desinformação e ataques a adversários.

A operação cumpre 35 mandados de busca e apreensão em Macapá, Belém e Canela, no Rio Grande do Sul. De acordo com a Polícia Federal, a investigação apura crimes eleitorais, crimes contra a Administração Pública, organização criminosa, lavagem de dinheiro e outros delitos que possam ser identificados no curso do inquérito.

A PF afirma que valores destinados à comunicação pública da Prefeitura de Macapá teriam sido desviados de sua finalidade original para custear influenciadores digitais, veículos e empresas de comunicação usados na divulgação de ações de caráter político-eleitoral.

Dr. Furlan está entre os alvos da PF

A nota oficial da PF não cita nomes. A apuração, no entanto, aponta Dr. Furlan como um dos principais alvos da Operação Palanque Digital. Também foram alvos ex-secretários municipais, comunicadores, influenciadores digitais, empresários da comunicação e donos de agência de publicidade.

Entre os investigados está Juarez Menescal, ex-secretário de Comunicação da gestão Furlan em Macapá. Ele foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo durante o cumprimento dos mandados.

Até o momento, a operação resultou na apreensão de R$ 65 mil em espécie, quatro armas de fogo e veículos. Duas pessoas foram presas.

Milícia digital de Dr. Furlan teria usado IA e deepfakes

Segundo a investigação, a estrutura funcionava com divisão de tarefas, fluxo financeiro definido e núcleos voltados à produção de conteúdo político, ataques digitais e impulsionamento de narrativas favoráveis a Dr. Furlan.

No topo da engrenagem estaria um núcleo estratégico responsável por definir os adversários a serem atacados, selecionar campanhas de promoção política e orientar a disseminação de conteúdos nas redes sociais.

A apuração também aponta indícios de uso de inteligência artificial e deepfakes para criar vídeos, imagens e áudios manipulados. A rede teria produzido conteúdos falsos e ataques com teor homofóbico contra adversários políticos no Amapá.

Dr. Furlan já era alvo da PF na Operação Paroxismo

A Operação Palanque Digital é o novo capítulo de uma sequência de investigações federais envolvendo a antiga gestão de Dr. Furlan em Macapá.

Em setembro de 2025, a PF deflagrou a primeira fase da Operação Paroxismo, que apura suspeitas de fraude em licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro em contrato de R$ 69,3 milhões para obras do Hospital Geral Municipal de Macapá.

Em março de 2026, a PF fez a segunda fase da operação, com mandados expedidos pelo Supremo Tribunal Federal. Na ocasião, o caso levou ao afastamento de servidores públicos por decisão judicial.

Depois do avanço da investigação, Dr. Furlan deixou a Prefeitura de Macapá. A Câmara Municipal de Macapá oficializou a vacância do cargo em 17 de março. No documento, o ex-prefeito justificou a saída pelo desejo de disputar o governo do Amapá nas eleições de 2026.

Relação de Dr. Furlan com Alcolumbre mudou no Amapá

Dr. Furlan se tornou uma peça central da política amapaense depois de derrotar Josiel Alcolumbre, irmão de Davi Alcolumbre, na eleição de 2020 para a Prefeitura de Macapá. À época, a Fórum mostrou que Furlan venceu Josiel no segundo turno, em uma disputa marcada pelo apagão que atingiu o Amapá.

Antes disso, a eleição em Macapá havia sido uma das mais apertadas do país, com Josiel Alcolumbre e Dr. Furlan avançando ao segundo turno.

Nos anos seguintes, Furlan chegou a dividir agendas administrativas com Alcolumbre, mas passou a se consolidar como adversário regional do grupo do presidente do Senado. A nova operação da PF atinge justamente a estrutura digital que, segundo a investigação, teria sido usada para sustentar a imagem política do ex-prefeito e atacar seus opositores no estado.

O Amapá também tem sido palco de outras investigações federais com personagens ligados ao campo político local. A Fórum revelou recentemente que o deputado bolsonarista Vinicius Gurgel foi alvo de busca e apreensão no Amapá e que um suplente de Alcolumbre foi indiciado pela PF por suspeita de esquema no Dnit.

Na Operação Palanque Digital, a PF investiga se a máquina pública municipal foi usada para financiar uma estrutura clandestina de comunicação política, com recursos públicos, manipulação digital e ataques coordenados contra adversários.

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