MP prende grupo no Maranhão por desvios de R$ 9,6 mi em emendas para financiar facção

Primeiro Comando do Maranhão (PCM), que atua na capital São Luís, teria se beneficiado dos desvios

Por Heitor Mazzoco | Veja

15/06/2026

MP prende grupo no Maranhão por desvios de R$ 9,6 mi em emendas para financiar facção
Primeiro Comando do Maranhão (PCM) teria recebido parte de verba desviada (MP-MA/Divulgação)
Uma operação coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Maranhão, batizada de Benedictio, prendeu um grupo investigado em esquema de desvio de 9,6 milhões de reais em verbas públicas parcialmente direcionadas ao crime organizado. A operação deflagrada nesta segunda-feira, 15, cumpriu mandados de prisão preventiva contra Evania Maria Sousa NicacioLucivânia Martins Alves SiqueiraJosé Roberto Santos Cunha e Cristiana Serra Duarte Cunha, além de buscas e apreensões em 12 endereços.
 
“Os alvos são investigados por integrar uma organização criminosa voltada ao desvio de verbas públicas oriundas de convênios e emendas parlamentares, lavagem de dinheiro e associação com facção”, disse o MP-MA, por meio de nota. Durante as diligências, o vereador de São Luís Beto Castro (Avante) foi preso em flagrante por posse irregular de arma de fogo. No total, ao menos 15 pessoas são investigadas. De acordo com as apurações da Promotoria até o momento, o grupo “teria criado uma sofisticada rede formada por empresas de fachada, operadores financeiros, agentes políticos e colaboradores encarregados de ocultar a origem e a destinação de recursos que deveriam ser aplicados em projetos sociais voltados à população mais vulnerável”, citou a Promotoria.
 
Ainda segundo o MP, as investigações apontaram ainda “indícios de um núcleo armado e de intimidação vinculado, à época dos fatos, à facção criminosa Primeiro Comando do Maranhão (PCM), com atuação em comunidades da capital”. A facção, inclusive, teria se beneficiado dos desvios. Parte dos recursos teria sido usada para sustentar “uma verdadeira rede de proteção privada”, voltada a blindar a liderança do grupo e a impor o silêncio aos moradores das áreas sob domínio — tática conhecida como omertà e oriunda das máfias italianas.
 
“A investigação é fruto do trabalho do Gaeco, que reuniu ao longo de várias fases as provas que embasaram as medidas cautelares. E quando se soma a esse trabalho a integração com a Seic, a Polícia Militar e a inteligência da Caei no momento do cumprimento, o resultado é ainda melhor: ganhamos capacidade operacional para chegar a todos os alvos e desarticular uma estrutura que desviava recursos dos mais vulneráveis e se associava a uma facção criminosa. Seguimos com o compromisso de recuperar os ativos desviados”, afirmou o coordenador do Gaeco, Haroldo Paiva de Brito.
 
Segundo informações oficiais, durante o cumprimento dos mandados, as equipes apreenderam aparelhos celulares, computadores, notebooks, mídias de armazenamento, documentos, registros contábeis, mais de 300 mil reais em espécie, armas e veículos de luxo. Novas fases da operação não são descartadas diante do volume apreendido — equipamentos eletrônicos e mídias digitais serão encaminhados para perícia para extração e análise dos dados. O nome da operação deriva da palavra latina Benedictus, que significa “abençoado”, em referência direta ao nome da entidade investigada, o Instituto Sê Tu Uma Bênção.
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