Eduardo Bolsonaro escondeu de suas próprias redes a viagem ao Bahrein feita ao lado do deputado federal Mário Frias (PL-SP), produtor-executivo de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro que virou foco de crise no bolsonarismo. O único registro público da agenda apareceu em um vídeo publicado por Frias no Instagram.
No vídeo, Eduardo aparece ao lado de Frias em agenda no país do Golfo Pérsico. O deputado afirma que foi ao Bahrein para tratar de “cooperação e investimentos culturais e audiovisuais entre Brasil e Bahrein” e diz que a viagem foi custeada pelo governo bareinita.
Até a publicação desta reportagem, não havia registro da agenda nos perfis públicos de Eduardo Bolsonaro. A ausência chama atenção porque o filho 03 de Jair Bolsonaro costuma usar as redes para exibir viagens, reuniões no exterior e articulações políticas fora do Brasil.
Desta vez, a imagem circulou por outro caminho: não pelo perfil de Eduardo, mas pelo perfil de Mário Frias. O dado central da viagem é justamente esse deslocamento. Eduardo estava na agenda, mas não assumiu a divulgação pública dela em suas redes sociais.
A publicação de Frias apresenta a viagem como uma missão de aproximação cultural e econômica. O enquadramento reduz o peso político da presença de Eduardo e tenta tirar a agenda do noticiário sobre Dark Horse.
O problema é o contexto. Frias não é apenas um deputado em viagem internacional. Ele é o produtor-executivo do filme sobre Jair Bolsonaro que passou a ser investigado politicamente após a revelação de conversas sobre financiamento, emendas e a relação de integrantes do clã com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
A Fórum mostrou que Mário Frias contrariou Flávio Bolsonaro ao dizer que não recebeu “um centavo” de Vorcaro. A declaração ampliou a confusão em torno das versões apresentadas por aliados do ex-presidente.
Dark Horse deixou de ser apenas uma peça de propaganda sobre Jair Bolsonaro e se tornou um problema político para a família. A produção entrou no centro da crise depois que vieram à tona conversas envolvendo Flávio Bolsonaro, Vorcaro e aliados ligados ao filme.
Em outra frente da apuração, a Fórum mostrou que Eduardo Bolsonaro aparecia em contrato como responsável por gerir dinheiro ligado ao filme. Depois, o filho 03 do ex-presidente tentou reduzir o impacto do caso e disse que Dark Horse seria “barato”.
A viagem ao Bahrein acrescenta um novo capítulo ao caso porque coloca Eduardo Bolsonaro e Mário Frias juntos no exterior justamente quando o filme se tornou uma fonte de desgaste para o clã. A diferença é que Frias publicou a agenda. Eduardo, não.
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