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Comando Vermelho toma Country Clube para lavar dinheiro; tráfico ainda tinha pousada em Búzios

Segundo as investigações, traficantes do Morro do Dezoito colocaram pessoas de confiança para tomar conta do Várzea Country Clube, em Água Santa, que seguiu promovendo festas e eventos. Esquema incluiu uma pousada em Búzios.

Por Guilherme Santos e Jefferson Monteiro | Bom Dia Rio

04/08/2026

Comando Vermelho toma Country Clube para lavar dinheiro; tráfico ainda tinha pousada em Búzios
Várzea Country Clube fica em Água Santa — Foto: Reprodução/TV Globo

A Polícia Civil do RJ, com apoio do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), iniciou nesta terça-feira (4) a Operação Quimera, que mira a exploração de clubes recreativos para lavar dinheiro do Comando Vermelho (CV).

Agentes da 52ª DP (Nova Iguaçu) e promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) saíram para cumprir mandados de busca e apreensão em 10 endereços — um deles é o Várzea Country Clube, fundado há 60 anos em Água Santa, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

O esquema, que movimentou R$ 11 milhões, incluiu ainda uma pousada em Armação dos Búzios, na Região dos Lagos, e extorsões a outros clubes recreativos.

Clube foi ‘tomado’

A investigação começou no ano passado, quando dirigentes do Social Clube Marabu, no Encantado, denunciaram que o tráfico de drogas do Morro do Dezoito passou a exigir R$ 6 mil mensais para permitir o funcionamento. O Comando Vermelho também tentou tomar a gestão desse espaço.

A partir do trabalho investigativo da 52ª DP, os policiais identificaram indícios de um esquema semelhante no Várzea Country ClubeTraficantes conseguiram colocar pessoas de confiança para administrar o estabelecimento.

“Verificamos que o Várzea estava sem presidente formalmente constituído e, mesmo assim, funcionava normalmente, promovendo festas, eventos e serviços”, explicou a delegada Kely Goularte.

“Com isso, nós conseguimos identificar um núcleo familiar que administrava informalmente aquele clube e movimentou R$ 11 milhões em menos de 6 meses”, emendou.

A análise de relatórios de inteligência financeira revelou movimentações milionárias incompatíveis com a renda declarada dos investigados, além de intensa circulação de recursos entre familiares, empresas e pessoas físicas, por meio de transferências bancárias, depósitos em espécie e operações fracionadas via PIX.

Pousada em Búzios

Os agentes também identificaram a ligação do grupo criminoso com a pousada Menino do Rio, em Armação dos Búzios, que pode ter sido utilizada para lavar recursos provenientes do tráfico de drogas.

O estabelecimento, de pequeno porte, possui 16 quartos, 5 funcionários e diárias de aproximadamente R$ 540 na alta temporada.

Apesar dessa estrutura, a casa movimentou cerca de R$ 3,44 milhões em pouco mais de 6 meses, além de registrar mais de 600 depósitos em espécie, que somaram aproximadamente R$ 955 mil.

“Esses valores eram incompatíveis com o tamanho da pousada”, afirmou a delegada.

Segundo as investigações, o esquema utilizava pessoas físicas e jurídicas para ocultar a origem dos recursos, dificultar o rastreamento patrimonial e reinserir valores provenientes do tráfico de drogas na economia formal.

“Somadas, as movimentações identificadas ultrapassam R$ 11 milhões e apresentam características típicas de ocultação patrimonial, pulverização de recursos e lavagem de dinheiro.”

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