Mello Tavares destacou a responsabilidade das legendas no combate à infiltração do crime organizado na política — e deixou claro que vai barrar os candidatos que estiverem sob investigação.
“A sociedade não aguenta mais, não suporta mais tanta insegurança. Esse tribunal analisará com rigor todos os pedidos de registro de candidaturas, sobretudo de candidatos que tenham ligação com o tráfico ou com as milícias. Agiremos com rigor, e cabe aos senhores, como primeira linha de defesa da legitimidade do processo eleitoral, depurar e avaliar com cautela os nomes submetidos”, afirmou.
O desembargador convocou os partidos dez dias antes do período destinado às convenções partidárias — a serem realizadas, de acordo com o calendário da Justiça Eleitoral, de 20 de julho a 5 de agosto.
Diante do aviso, os partidos já estão se preparando para uma certa, digamos, correção de rumos.
No PSD do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), por exemplo, saiu da nominata a deputada estadual Lucinha, acusada de ligação com a milícia de Zinho, uma das maiores organizações criminosas do Rio.
Com a decisão, o PSD resolve dois problemas com um único veto.
Elimina o risco de ver a candidatura barrada pela Justiça Eleitoral. Mas pesou, também, o simbolismo político do caso em uma eleição na qual a segurança pública deverá ocupar parte central do debate.
Ao barrar, ele mesmo, a deputada, Paes vai sinalizar que não fará acordo com o crime organizado. E que vai buscar a retomada de territórios dominados por facções criminosas e milícias.
Outros partidos devem buscar o mesmo caminho.
Confirmada a tendência, se os partidos barrarem nas próprias convenções os “enrolados” e alvos das operações policiais recentes, quantos deputados estaduais permanecerão candidatos à reeleição?
Aberta a temporada de apostas.
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