MPRJ cumpre mandados na Prefeitura de Búzios em investigação sobre uso de areia de lixão em campo de futebol

A 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Núcleo Cabo Frio obteve na Justiça mandados de busca e apreensão de documentos da Prefeitura de Armação dos Búzios relacionados a uma obra de urbanização no bairro José Gonçalves. As medidas foram cumpridas na manhã desta sexta-feira (26/06) por agentes do Grupo de Apoio aos Promotores (GAP/MPRJ), que recolheram processos físicos e digitais em órgãos e secretarias municipais.

Por MPRJ

26/06/2026

MPRJ cumpre mandados na Prefeitura de Búzios em investigação sobre uso de areia de lixão em campo de futebol
MPRJ cumpre mandados na Prefeitura de Búzios em investigação sobre uso de areia de lixão em campo de futebol

A investigação apura o possível uso de areia extraída ilegalmente do antigo lixão da Baía Formosa para a construção de um campo de futebol. O caso teve início após uma denúncia encaminhada à Ouvidoria do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), em 2025. Moradores relataram que o material utilizado teria sido retirado do lixão e associaram a situação a um surto de sarna que levou à suspensão das aulas em uma escola da região.

Diante das denúncias, a Promotoria de Justiça instaurou procedimento para verificar a regularidade ambiental e sanitária da obra. Segundo o MPRJ, ao longo de mais de um ano foram enviados diversos ofícios solicitando documentação técnica à Prefeitura. No entanto, o município não apresentou os documentos solicitados, limitando-se a pedir sucessivas prorrogações de prazo e a encaminhar respostas consideradas insuficientes. Diante dessa resistência, a Promotoria decidiu recorrer à Justiça para a apreensão de documentos como o processo de licenciamento da obra, relatórios de vistoria, contratos e comprovantes de origem e transporte do material. 

As suspeitas também foram reforçadas por investigação da Polícia Federal, que confirmou a extração irregular de saibro no antigo lixão sem autorização do órgão federal competente. De acordo com a apuração, o material foi utilizado na obra pública, embora o edital previsse a aquisição regular de areia. O inquérito da Polícia Federal resultou no indiciamento do então secretário municipal responsável e do proprietário da empresa contratada por crimes ambientais, usurpação de bem da União e fraude em licitação.

Para a Promotoria de Justiça, os fatos também podem indicar prejuízo aos cofres públicos.

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