O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) indeferiu, por maioria, o registro de candidatura de Cristiane Brasil Francisco (DC) a deputada federal. O tribunal entendeu que havia elementos que indicavam envolvimento da filha do ex-deputado Roberto Jefferson com uma organização criminosa armada. O caso está relacionado a uma ação penal na qual Cristiane foi denunciada por supostas irregularidades em contratos firmados quando ela era secretária municipal de Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida do Rio.
Segundo a acusação descrita no processo, ela teria autorizado um contrato inicialmente estimado em R$ 5,1 milhões e, posteriormente, mantido influência sobre a secretaria para favorecer alterações e prorrogações que elevaram o valor para R$ 20,6 milhões.
A denúncia também apontava que Cristiane teria utilizado sua influência política para favorecer os contratos e recebido vantagens indevidas. O relator considerou que o caso não se limitava a uma acusação individual de corrupção, mas descrevia uma estrutura de atuação criminosa dentro do poder público.
A defesa disse que a denúncia teria sido rejeitada por incompetência e que provas foram consideradas nulas. Também afirmou que o Ministério Público Eleitoral se manifestou pelo deferimento.
Mesmo assim, Salomão afirmou que a decisão que rejeitou a denúncia ainda está em recurso e que o mérito das acusações não foi analisado.
Em vídeo publicado em seu perfil no Instagram, Cristiane Brasil afirmou que não há comprovação de seu envolvimento com organização criminosa e disse que as provas produzidas na Operação Cataratas foram anuladas. Segundo ela, ainda há um recurso do Ministério Público contra a nulidade.
Com o caso de Cristiane, são 15 os candidatos com candidaturas indeferidas por suspeitas de vínculos com organizações criminosas. Veja a lista:
Vetados por suspeita de vínculos com “milícias de gravatas”, entendimento do TRE-RJ:
Cristiane Brasil tem 52 anos, é advogada, ex-deputada federal e filha do ex-deputado Roberto Jefferson. Ela iniciou a trajetória eleitoral como vereadora do Rio e depois exerceu mandato na Câmara dos Deputados pelo PTB. Cristiane foi deputada federal em diferentes períodos entre 2015 e 2019. Em 2018, foi nomeada ministra do Trabalho pelo então presidente Michel Temer, mas não chegou a assumir o cargo. Sua posse foi alvo de uma disputa judicial relacionada a condenações na Justiça do Trabalho e acabou suspensa pelo STF.
Em setembro de 2020, Cristiane foi presa preventivamente na Operação Catarata, que investigava suspeitas de fraudes em projetos sociais no Rio de Janeiro entre 2013 e 2018. Segundo o Ministério Público do Rio, ela teria participado do esquema quando ocupava a Secretaria Municipal de Envelhecimento e Qualidade de Vida e, posteriormente, como deputada federal. Ela deixou a prisão em outubro daquele ano depois de obter habeas corpus. Agora filiada ao DC, Cristiane tenta voltar à Câmara dos Deputados nas eleições de 2026.
© 2026 Criado por AquiTem! Internet