A existência do tal escritório veio a público quando o próprio político disse que essa era uma das suas fontes de renda. Fazia parte da explicação da origem de recursos para quitar a mansão comprada com financiamento do Banco Regional de Brasília.
Agora, sabe-se que a Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia emitiu, entre 2021 e 2025 pelo menos 41 notas fiscais. Três delas vieram a público. Uma, no valor de R$ 500 mil, seria fruto de uma consultoria jurídica. Outras duas, de mesmo valor, foram emitidas, mas canceladas na sequência.
O que tem de relevante nisso? As notas foram emitidas para empresas que estão vinculadas ao caso Master.
Até aqui o senador fez muito pouco para explicar a transação. Uma nota oficial, um vídeo e uma live em rede social. Neles pragueja contra quem quer criminalizar sua atividade como advogado, fala em perseguição para afastar a família Bolsonaro da presidência. Mas o que realmente interessa Flávio não conta.
O senador prestou consultoria a empresas e recebeu por isso durante o governo de Jair Bolsonaro?
Os serviços tinham relação com a gestão do pai?
Quem são os clientes para quem o senador emitiu notas fiscais?
Que tipo de serviço prestou?
Deu consultoria de verdade ou apenas aconselhamentos de boca por R$ 500 mil?
Onde estão as provas de que o serviço existiu e foi prestado?
Até agora só se conhecem três notas fiscais. E as outras 38? Há novas notas neste ano de campanha eleitoral?
A lista de perguntas é longa. As respostas ainda não apareceram.
Se voltasse no tempo, nos idos de 2011, Flávio Bolsonaro iria se deparar com um político que se comportou como ele faz agora. Naquele ano, o então ministro da Casa Civil do governo Dilma, Antonio Palocci, tinha uma empresa, a Projeto. E quando seu negócio veio a público alegou sigilos e confidencialidades para não dar detalhes das consultorias que fez. Palocci virou ex-ministro e mais tarde caiu na Lava Jato.
Flávio Bolsonaro também se esconde na sombra do segredo da atividade de advogado. Mas quem quer ser presidente da República precisa ter tudo aberto e passível de escrutínio do eleitor. Do contrário, a dúvida vira suspeita e o voto pode não vir.